Boca do caixa

O colunista Leandro Fortes afirma que os procuradores da Lava Jato eram capachos do sistema financeiro. Ele diz: "assim, Deltan Dallagnol, enquanto vivia o delírio de construir um monumento à Lava Jato, acochambrava para o lado dos bancos, não sem antes tirar uma casquinha". Fortes ainda diz: "a cara de pau dessa gente é o único monumento possível à Lava Jato"

Ninguém está acima da democracia. Nem Dallagnol
Ninguém está acima da democracia. Nem Dallagnol (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

Por Leandro Fortes, para o Jornalistas Pela Democracia - Os novos vazamentos do Intercept Brasil revelam que os procuradores da força-tarefa da Lava Jato, em Curitiba, eram alegres capachos do sistema financeiro. Ao mesmo tempo em que iniciavam a destruição quase que completa da indústria de construção pesada do Brasil, levando as maiores empreiteiras do País à falência, poupavam os bancos – operadores reais das lavagens de dinheiro dos esquemas de corrupção – em nome do temor ao manjado “risco sistêmico”.

Para quem não sabe, “risco sistêmico” é um conceito bolado pelos próprios bancos para criar, do ponto de vista de políticas públicas, a necessidade de sempre se dispensar um tratamento especial às instituições financeiras, de modo a evitar que o sistema bancário entre em colapso. Ou seja, tudo pode ser engolido pelo caos – a Amazônia, 350 mil empregos da construção civil, a Constituição Federal, as universidades públicas –, menos os bancos.

Foi para evitar o tal risco sistêmico que, nos primeiros dias do primeiro governo Fernando Henrique Cardoso, do PSDB, foi criado o famigerado Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional, o Proer. Entre 1995 e 1997, os cofres públicos doaram mais de 20 bilhões de reais a banqueiros para – adivinhem? – evitar um risco sistêmico nos bancos brasileiros, após o Plano Real e o consequente fim dos megalucros proporcionados pelo ralo da inflação.

Assim, Deltan Dallagnol, enquanto vivia o delírio de construir um monumento à Lava Jato, acochambrava para o lado dos bancos, não sem antes tirar uma casquinha.

Em 17 de outubro de 2018, Dallagnol deu uma palestra paga pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban), curiosamente, sobre prevenção e combate a lavagem de dinheiro. Recebeu, para tal, a bolada de R$ 18.088,00.  Antes, em maio, havia negociado uma palestra para CEOs e tesoureiros de bancos brasileiros e internacionais, organizada pela XP Investimentos. Entre os convidados estavam representantes do Itaú, Bradesco e Santander. O procurador participou, ainda, de um encontro secreto com representantes de instituições financeiras organizada pela mesma XP, conforme demonstram mensagens do Telegram vazadas pelo Intercept Brasil.

A cara de pau dessa gente é o único monumento possível à Lava Jato.

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