Boca suja de Olavo lembra torturadores do DOI-Codi

Me lembro imediatamente do "clima do DOI-Codi quando leio os posts do Olavo de Carvalho; suas expressões chulas, grosseiras e obscenas podiam estar na boca de um daqueles torturadores que eu vi", diz Alex Solnik, do Jornalistas pela Democracia

Boca suja de Olavo lembra torturadores do DOI-Codi
Boca suja de Olavo lembra torturadores do DOI-Codi

Por Alex Solnik, colunista do 247 e membro do Jornalistas pela Democracia

Minha cela no DOI-Codi, onde me mantiveram sequestrado entre 4 de setembro e 15 de outubro de 1973 era a X-5, a quinta das seis localizadas num pátio, três de cada lado, cada uma de seus nove metros quadrados, separadas por um muro cinza, dentro das dependências do II Exército, à rua Tutoia, em São Paulo.

À minha esquerda ficava a cela das mulheres. Um dia, o torturador que gostava de usar uma toga, aproximou-se e dirigindo-se a uma delas exclamou, com olhar transtornado de um sádico:

"Hoje eu vou fritar os ovos do seu marido – quer assistir"?

"Fritar os ovos" – vocês podem imaginar o que seja isso num lugar onde se usava choque elétrico - foi a expressão chula mais suave que eu ouvi lá dentro. Aquilo era um castelo de horrores comparável ao que o Marquês de Sade descreve em "120 dias de Sodoma", com uso e abuso de perversidades sexuais acompanhadas de todos os palavrões.

A primeira ordem aos sequestrados, homens ou mulheres, era tirar a roupa. Torturadores – vestidos, é claro - estupravam mulheres na frente de maridos enquanto os torturavam. Gritos de seu merda, seu bosta, seu filho da puta, faziam parte das torturas.

Me lembro imediatamente desse clima do DOI-Codi quando leio os posts do Olavo de Carvalho; suas expressões chulas, grosseiras e obscenas podiam estar na boca de um daqueles torturadores que eu vi.

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