Bolsonaro, a Bíblia e o “não temas” que o diabo usou para tentar Jesus

Bolsonaro, que ao contrário do outro diabo, nunca deve ter lido a Bíblia e só repetiu o texto que estava no script, conta com um forte aparato evangélico neopentecostal para legitimar o mal como uma instituição cristã

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Por Ricardo Nêggo Tom

No mesmo dia em que foram registradas 1726 mortes por Covid 19 no país, o presidente da república organiza um animado almoço no Palácio do Planalto, onde foi servido leitão, feijão tropeiro e outras iguarias da culinária mineira, saboreadas por ministros e membros da bancada do estado de Minas Gerais no congresso nacional. Para quem costuma oferecer as vidas de seus compatriotas para permanecer no poder, talvez, a celebração tenha tido como objetivo comemorar, o que, até aquele dia, era o novo recorde de mortos no país.

Mas o recorde de mortes diárias foi superado logo no dia seguinte, quando foram registradas 1910 mortes por Covid, e, certamente, mais um motivo de alegria e comemoração para o atual mandatário da nação, que vem comprovando, com muita competência, aquilo que ele mesmo havia dito ainda em campanha. A sua especialidade é matar. Os requintes de crueldade que estão sendo utilizados no genocídio que está em curso, é algo que já deveria ter lhe valido, no mínimo, o afastamento compulsório do cargo. 

Porém, como estamos reduzidos a uma republiqueta de bananas, seguimos assistindo a esse crime humanitário sem tomar atitudes que, de fato, possam mudar o trágico destino que nos aguarda, caso Bolsonaro permaneça no poder por mais tempo. A cereja no caixão sobre o qual ele festeja o êxito da sua necropolítica, foi o seu pronunciamento durante a cerimônia de inauguração da ferrovia norte-sul.

Entre as excrescências habituais que ele costuma verbalizar, ele pediu um basta no “mi mi mi” em torno da pandemia, um “chega de frescura” e perguntou para as milhares de famílias que perderam entes queridos para o vírus: “Vão ficar chorando até quando?” A falta de empatia contida na fala de Jair Bolsonaro é perversa e mata pela segunda vez, as mais de 258 mil pessoas que perderam suas vidas, provocando a mesma reprise na dor de seus familiares. O que estamos vivenciando sob o atual governo, é algo de proporções apocalípticas. 

No mesmo discurso, o presidente, além de citar o PT como um “partido do mal”, ainda teve a desfaçatez de citar a Bíblia para justificar o seu projeto genocida, dizendo que nela está escrito, em 365 citações, “Não temas”, reafirmando o seu negacionismo e me convencendo cada vez mais, de que o diabo sabe usar as sagradas escrituras melhor do que qualquer outro cristão. Foi ele mesmo, o diabo (o bíblico), que tentou a Jesus Cristo de diversas formas, para testar a sua fé. 

Ele tentou convencer Jesus a se atirar do local mais alto do templo, sob a alegação de que se ele era realmente o filho de Deus, seu pai enviaria anjos para impedir que ele se machucasse. Foi o mesmo “Não temas!” que o “diabo”, o presidente, usou para transmitir confiança aos brasileiros em seu discurso. Saiam às ruas, se aglomerem, não usem máscaras, recusem a vacina, deixem de frescura, parem de chorar, arrisquem suas vidas pela economia, porque se Deus está com vocês, a Covid não poderá matá-los. 

Só quem está atento à realidade e à verdadeira mensagem do cristianismo, poderá dizer com firmeza a esses dois diabos, que na mesma Bíblia está escrito: “Não tentarás ao senhor teu Deus” Pelo menos na Bíblia, o diabo ainda tentou oferecer todas as riquezas do mundo para que Jesus seguisse os seus conselhos. Já o outro não quer oferecer nem mesmo um auxílio emergencial às ovelhas alienadas que confiam em suas palavras. Ele quer apenas salvar o seu reino econômico. 

Bolsonaro, que ao contrário do outro diabo, nunca deve ter lido a Bíblia e só repetiu o texto que estava no script, conta com um forte aparato evangélico neopentecostal para legitimar o mal como uma instituição cristã. Apesar de se declarar católico, mesmo tendo sido batizado nas águas do Rio Jordão pelo corrupto pastor Everaldo, ele sabe que a participação das lideranças evangélicas foi fundamental para a sua eleição. Podemos dizer que a maioria evangélica foi quem o elegeu e o proclamou como messias da nação. 

Provavelmente, essas ovelhas não saibam que na Bíblia também está escrito que “o diabo é o pai da mentira. E nessa afirmação, a associação entre os dois personagens é tão grande, que fica difícil saber quem é o pai biológico do invento. A única certeza que devemos ter, é que não devemos confiar em nenhum dos dois. Pois eles já nos deram provas suficientes de que odeiam a vida e amam a morte. Dos outros, é claro. A mesma Bíblia também diz que não devemos dar ouvidos a voz do diabo. Esteja ele no deserto ou planalto, a sua intenção é sempre a mesma. Matar. Impeachment ou morte!

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