Bolsonaro aponta para ditadura teocrática

Para Alex Solnik, do Jornalistas pela Democracia, "Bolsonaro deu mais dois sinais de que continua firme e forte em seu intento de destruir a já combalida democracia brasileira", ao colocar "um militar na Casa Civil. E mais um evangélico no primeiro escalão de um governo de um estado laico"; "Se ele tiver êxito em seu plano de nos transformar numa ditadura evangélica, que só se sustenta com decidido apoio militar, o Brasil fará companhia ao grupo de estados teocráticos", completa

(Foto: Carolina Antunes/PR)

Alex Solnik, para o Jornalistas pela Democracia - Ontem, Bolsonaro deu mais dois sinais de que continua firme e forte em seu intento de destruir a já combalida democracia brasileira fundada em 1985 sob o nome de Nova República. Em plena luz do dia.

  Seu discurso na cerimônia de troca de comando militar da Região Sudeste evocou o de Getúlio ao decretar o Estado Novo:

  “Devo isso a vocês, povo brasileiro” começou Bolsonaro, agradecendo sua eleição. “Que são muito mais importantes que qualquer instituição nacional”. (Aqui ele atropelou o Congresso Nacional e o STF, que são as duas instituições garantidoras da democracia, atacadas permanentemente pelos bolsonaristas.)

  “Vocês conduzem nosso destino”, continuou o chefe da nação. (Aqui atropelou a constituição de 1988, que é quem conduz os destinos da nação.)

  “A vocês, povo brasileiro, e somente a vocês eu devo lealdade absoluta”. (Mais uma afronta: ainda em janeiro passado ele jurou lealdade à constituição e não ao povo.)

  “Contem comigo que eu conto com vocês”. (Aqui ele imitou Getúlio que, ao proclamar sua ditadura afirmou que o país não precisava de intermediários – os políticos – entre ele e a população e a instava a fazer suas reivindicações diretamente a ele.)

  Demagogia pura tanto em 1937 quanto agora.

  O outro sinal de seu desprezo à democracia diz respeito ao comandante que deixava o cargo, general Luiz Eduardo Ramos, seu próximo ministro.

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  Ainda não assumiu, mas antes de tudo já se apresentou como evangélico. Por que o fez se o estado brasileiro é laico? Por ser conveniente na atual conjuntura política? O que evidencia privilégios repudiados pela constituição.

  Mais grave: vai assumir as tarefas de articulação política com o Congresso, anteriormente atribuídas à Casa Civil, ainda sob a batuta de Ônix Lorenzoni, cada vez mais esvaziado.

  Na prática, Bolsonaro coloca um militar na Casa Civil. E mais um evangélico no primeiro escalão de um governo de um estado laico.

  Se ele tiver êxito em seu plano de nos transformar numa ditadura evangélica, que só se sustenta com decidido apoio militar, o Brasil fará companhia ao grupo de estados teocráticos, atualmente formado por Afeganistão, Arábia Saudita, Irã, Mauritânia e Paquistão.

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