Bolsonaro condecora Olavo, mas ignora Maia e Toffoli

Alex Solnik, do jornalistas pela Democracia, destaca que o astrólogo Olavo de Carvalho, guru do presidente Jair Bolsonaro, recebeu a Grã-Cruz da Ordem de Rio Branco, mais alta condecoração do país, 'um dia depois de ter proclamado a pérola do ano: "Quem não gosta de Bolsonaro não presta"'; para ele, "o recado foi muito claro: na briga entre o astrólogo e qualquer outro ser humano ele ficará ao lado do primeiro"; "Bolsonaro distribuiu mais de 30 condecorações, mas fez questão de ignorar os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia e do STF, Dias Toffoli. Deixou claro, assim, quem são seus principais desafetos", avalia

Bolsonaro condecora Olavo, mas ignora Maia e Toffoli
Bolsonaro condecora Olavo, mas ignora Maia e Toffoli (Foto: Alan Santos/PR)

Alex Solnik, para o Jornalistas pela Democracia - Têm direito a receber a Grã-Cruz da Ordem de Rio Branco, instituída pelo Decreto n° 51.697, de 5 de fevereiro de 1963: Presidente da República, Vice-Presidente da República, Presidente da Câmara dos Deputados, Presidente do Senado Federal, Presidente do Supremo Tribunal Federal, Ministros de Estado, Governadores dos Estados da União e do Distrito Federal, Almirantes, Marechais, Marechais-do-Ar, Almirantes-de-Esquadra, Generais-de-Exército, Tenentes-Brigadeiros, Embaixadores estrangeiros e outras personalidades de hierarquia equivalente.

Sem ocupar nenhuma dessas funções, no entanto, o cidadão Olavo de Carvalho a recebeu ontem, por determinação do presidente Jair Bolsonaro. Um dia depois de ter proclamado a pérola do ano:

"Quem não gosta de Bolsonaro não presta".

O mandatário demonstra, mais uma vez, sua disposição de passar por cima dos limites impostos pelas leis, criando as suas próprias, via twitter. E a sua adesão irrestrita às teses tresloucadas do agora comendador, principalmente nos dois dos ministérios mais importantes: Educação e Relações Exteriores.

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O recado foi muito claro: na briga entre o astrólogo e qualquer outro ser humano ele ficará ao lado do primeiro.

Aproveitou para condecorar o general Mourão (em troca de seu silêncio?), mas não o general Santos Cruz (que o desautorizou no caso do comercial do Banco do Brasil); o ministro Moro (mais um agradecimento por ter tirado do páreo o favorito às presidenciais); o ministro Paulo Guedes (o homem da reforma que mantém as elites no seu barco); o presidente do Senado; os governadores João Dória e Wilson Witzel (parceiros da tese "atira na cabecinha") e até o deputado negro que sempre aparece a seu lado para deixar claro que ele não tem preconceito racial.

Na lista de agraciados, mas num grau imediatamente inferior (Grande alguma coisa) afrontou o decoro e outra lei, a do nepotismo, incluindo seus filhos Eduardo (que preconizou o fechamento do STF com "um soldado e um cabo") e Flávio (que responde por movimentações bancárias suspeitas) – e só não condecorou o terceiro porque ainda é apenas vereador.

Bolsonaro distribuiu mais de 30 condecorações, mas fez questão de ignorar os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia e do STF, Dias Toffoli.

Deixou claro, assim, quem são seus principais desafetos.

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