Bolsonaro e a negação do racismo que ele pratica

Bolsonaro é tão estúpido, quanto mal intencionado. Quando ele diz que não existe racismo no Brasil, ele está querendo dizer que aqui, os pretos são tratados como devem ser

Bolsonaro e a negação do racismo que ele pratica
Bolsonaro e a negação do racismo que ele pratica (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

"Aqui no Brasil não existe racismo, tanto é que meu sogro é Paulo Negão e, quando eu vi a filha dele, não queria saber quem era o pai dela." Eu não sei se essa frase foi dita dentro do contexto de uma anedota. Se foi, não vejo como achar graça. Até porque, o seu autor foi indiciado pelo ministério público, por racismo, o que desqualifica qualquer tipo de opinião que ele possa vir a emitir sobre o tema.

Eu vejo Jair Bolsonaro como um fanfarrão, no sentido mais nocivo e perigoso do termo. A sua maneira, por vezes, irresponsável de se expressar, vem alimentando e motivando já há algum tempo, o ódio contido dentro de muitos "cidadãos de bem" que o seguem, e que assim como ele, são racistas, machistas, homofóbicos, misóginos e portadores de outros preconceitos, oriundos de seus respectivos desvios de caráter. Ele surgiu como a voz da ignorância e da liberdade de expressão dos estúpidos, que assim puderam soltar o discurso de ódio preso na garganta e externar, sem nenhum pudor, toda a sua repulsa por aquilo que não vêem refletido diante do próprio espelho.

Em qualquer país sério, Jair Bolsonaro já teria tido o seu mandato cassado e se tornado inelegível. A sua assustadora falta de decoro, permite que ele preste homenagens a torturadores, faça apologia ao estupro, seja racista e manifeste o seu machismo até mesmo contra a própria filha, a qual a existência, ele atribui a uma "fraquejada", em comparação com os seus filhos do sexo masculino.

Bolsonaro é tão estúpido, quanto mal intencionado. Quando ele diz que não existe racismo no Brasil, ele está querendo dizer que aqui, os pretos são tratados como devem ser. Suas declarações e propostas deixam isso bem claro. Bolsonaro se posiciona contra igualdade racial e não tem o menor apreço pela justiça social. Suas falas com relação aos quilombolas e aos indígenas, não me deixam mentir. É contrário as cotas, ao bolsa-família, criminaliza pobres, apenas por serem pobres e defende o extermínio dos sem terra. Sua promessa de dar um cartucho de 762 na mão de cada latifundiário, foi feita com gosto de sangue na boca.

Tal como Hitler, ele defende, ainda que subliminarmente, uma supremacia branca, o silenciamento das minorias, uma eugenia social e a violência contra o cidadão, como lei. Bolsonaro também diria que não existe machismo no Brasil. Quando ele declarou que a mulher tem que ganhar menos do que homem, ele o fez por entender que há uma superioridade de um para o outro. Sua naturalidade distorcida e seus conceitos abjetos, faz com que ele tenha uma visão de mundo limitada e sexista.

Bolsonaro também irá dizer que não existe pobreza no Brasil. Porque ele, como todo bom capitalista, entende que o pobre é a mão de obra necessária para fazer os ricos prosperarem ainda mais. Logo, eles não são pobres, eles participam do processo como devem participar. Mesmo ele já tendo pensado em esterilizá-los, para quem sabe extinguir a espécie. Ele também dirá que não existe homofobia, mesmo já tendo declarado que preferia ver o seu filho morto, do que vê-lo beijando outro homem. Para ele, é normal que se ridicularize uma pessoa, por conta de sua orientação sexual.

Entender que não existe racismo no Brasil, só porque o pai de sua esposa é preto, nos dá a exata noção de como o mundo de Bolsonaro é bem particular e de como ele analisa e julga a humanidade, de acordo com a sua opinião. Se estivéssemos vivendo o conto "O Mágico de Oz", eu ficaria na dúvida se ele é o Homem de lata sem coração ou o espantalho que precisa de um cérebro. O fato é que Bolsonaro se comporta como todo racista. Quando não cita o melhor amigo de infância que era negro ou a bisavó do seu tataravô que era preta - para se defender de uma possível acusação de racismo - ele nega a existência do seu preconceito.

Não que um racista tenha vergonha de ser racista. Ele apenas tem medo que se descubra que ele é racista. Principalmente, se ele for candidato a presidência num país de maioria preta. Aos pretos que apoiam Bolsonaro, eu os aconselho para que se mantenham o menos preto possível, para que ele não os identifiquem no meio de seu secto. Se tiverem alguma dúvida, de como parecer menos preto, basta seguir o vereador Fernando Holiday nas redes sociais. Não tem erro.

Também aconselho as mulheres que comungam da ideologia do mito, a se comportarem como manda o figurino. O figurino masculino, é claro. Para isto, basta culpar as outras por estarem usando aquela saia curta, no dia em que foram estupradas ou justificar a violência doméstica, dizendo que "tem mulher que merece uns tapas mesmo" ou dizer que as jovens russas assediadas pelos "meninos" brasileiros da elite golpista, estavam com suas bocetas rosas cheias de fogo e eles apenas aproveitaram a situação.

Os gays adoradores do Capitão Bolsonaro, podem lamentar por não terem tomado umas porradas para virar homem ou por não terem tido um pai, que os levassem ao prostíbulo do Oscar Marone para "comer gente". Assim como o deputado costumava fazer com o dinheiro do auxílio moradia que recebia. O bom disso tudo, é que no Brasil de Bolsonaro e de seus minions, não existe racismo, machismo, homofobia, segregação social e nenhum outro de tipo de preconceito. Até porque, pretos, mulheres, gays, pobres ou qualquer outra minoria representativa, não existem para ele. Ou, pelo menos, não deveriam existir.

Lula livre!

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