Bolsonaro é o maior cabo eleitoral de Alberto Fernández

Alvo de desprezo e repulsa no mundo inteiro, Bolsonaro é do tipo que permite que o fracasso lhe suba à cabeça

Presidenciável argentino Alberto Fernández e sua vice, Cristina Kirchner.
Presidenciável argentino Alberto Fernández e sua vice, Cristina Kirchner. (Foto: Alberto Fernández e Cristina Kirchner)

Alvo de desprezo e repulsa no mundo inteiro, Bolsonaro é do tipo que permite que o fracasso lhe suba à cabeça. Com zero de noção do ridículo, protagoniza palhaçadas em série.

A última - pelo menos até o momento em que escrevia este texto – foi ter dito que não permitirá que a Argentina eleja o candidato kirchnerista Alberto Fernández para a presidência. Bolsonaro fez essa promessa durante palestra a pretensos investidores internacionais.

Antes de entrar no mérito do assunto, uma pergunta: merece ser levado a sério como investidor estrangeiro no Brasil alguém que comparece a uma palestra do capitão imbecil?

Como seria perda de tempo detalhar porque o conteúdo desta fala afronta a soberania do povo argentino e constitui-se em uma falta de respeito inaceitável à autodeterminação das nações, pois Bolsonaro simplesmente ignora tais valores, o melhor que a esquerda de todo o continente tem a fazer é agradecer ao presidente brasileiro.

Isso mesmo, muito obrigado, Bolsonaro. Se todas as pesquisas mostram que a chapa Fernández-Fernández, que é como os argentinos referem-se  à chapa Alberto presidente, Cristina vice, caminha para uma vitória consagradora no primeiro turno, marcado para 27 de outubro, Bolsonaro, com sua enorme rejeição, acaba de dar mais um empurrãozinho para que o triunfo da oposição a Macri ocorra de forma ainda mais acachapante.

A propósito, quem Bolsonaro pensa que é para atuar como cabo eleitoral em eleições alheias? Ainda mais na Argentina, país cuja população é conhecida por sua politização e alto nível de informação.

Está na cara que ao ter se pintado para a guerra contra a esquerda argentina, ele provocará um efeito bumerangue. Aliás, o energúmeno que ostenta a faixa presidencial não perde por esperar. O buraco de seu isolamento tende e ficar cada vez mais fundo. Além de ter consolidado o Brasil na condição de pária internacional depois das queimadas na Amazônia e do desastre do discurso na ONU, agora é o fantasma do outubro vermelho que rouba-lhe o sono.

Além da Argentina, na Bolívia e no Uruguai a esquerda concorre com fortes chances de vitória. Acrescente-se a esse panorama a vitória dos socialistas na eleição de Portugal, a decadência eleitoral de Netanyahu e o processo de impeachment de Trump e veremos que, com as mudanças dos ventos, forma-se no horizonte uma tempestade perfeita sobre a direita e a extrema-direita.

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