Bolsonaro falha ao tentar comprar votos

"Bolsonaro, seu problema é, justamente, o eleitor estar sentindo na pele o seu governo desastroso, antiético e vexaminoso", escreve

www.brasil247.com - Jair Bolsonaro
Jair Bolsonaro (Foto: REUTERS/Adriano Machado)


Até o momento, o chamado “pacote de bondades”  eleitorais com o qual Bolsonaro tenta comprar votos dos eleitores pobres, que o rejeitam quase em uníssono, já soma R$ 451 bilhões. As medidas vão desde a facilitação de linhas de crédito até a ampliação de programas sociais, como o Auxílio Brasil.

A lista de gastos eleitoreiros que desconsideram a mesma "responsabilidade fiscal" que usaram para justificar o injustificável impeachment de  Dilma Rousseff é grande. Confira:

1 - Ampliação do Auxílio Brasil em referência ao Bolsa Família: R$ 56 bilhões (ampliação foi viabilizada por meio da PEC dos Precatórios. O programa social passou de um valor médio de R$ 193 para R$ 400);

 

2 - Redução do ICMS sobre produtos essenciais: R$ 50 bilhões (lei limitou a alíquota do tributo estadual entre 17% e 18%. Texto se aplica a produtos como energia elétria e combustíveis);

 

3 - Redução linear do IPI e isenção de impostos federais sobre diesel e gás: R$ 43,3 bilhões;

 

4 - Ampliação do Auxílio Brasil para R$ 600: R$ 26 bilhões (ampliação foi articulada pelo Palácio do Planalto e valerá até dezembro deste ano);

 

5 - Voucher-caminhoneiro: R$ 5,4 bilhões (benefício de R$ 1 mil para caminhoneiros autônomos);

 

6 - Etanol: R$ 3,8 bilhões (repasse de créditos tributários para a manutenção da competitividade do etanol sobre a gasolina);

 

7 - Transporte gratuito para idosos: R$ 2,5 bilhões (compensação aos estados para atender a gratuidade, já prevista em lei, do transporte público de idosos);

 

8 - Auxílio para taxistas: R$ 2 bilhões (benefícios para taxistas devidamente registrados até 31 de maio de 2022);

 

9 - Ampliação do vale-gás: R$ 1 bilhão (ampliação de R$ 53 para o valor de um botijão a cada dois meses — o preço médio atual do botijão de 13 quilos é de R$ 112,60);

 

10 - Alimenta Brasil: R$ 500 milhões ( repasse de recursos federais ao programa Alimenta Brasil, que prevê a compra de alimentos produzidos por agricultores familiares e distribuição a famílias em insegurança alimentar).

Há, ainda, medidas sem impacto fiscal que chegam a R$ 260 bilhões (!!). Há linhas de crédito para pessoas físicas e micro, pequenas e médias empresas. Duas beneficiam caminhoneiros, que mantêm Bolsonaro sob medo de uma greve que acabaria com suas chances eleitorais.

Em uma conta rápida, descobrimos que Bolsonaro está gastando inacreditáveis 5% do PIB para tentar convencer o eleitor pobre, que ele abandonou ao longo dos três primeiros anos do seu mandato e que é ampla maioria no Brasil, a reelegê-lo. 

Nem é bom falar sobre o desastre administrativo que isso representará em 2023. É a herança maldita bolsonarista, que fará aquela que Lula recebeu em 2002 parecer um probleminha. 

Diante desse mar de dinheiro, por que é que Bolsonaro não subiu nas pesquisas? Claro que ele ainda não deu mais R$ 200 ao eleitorado pobre, perfazendo  R$ 600 até setembro -- será pago durante o período eleitoral e só --, mas não deve funcionar porque o valor já chegará defasado à mão dos beneficiários. 

O número 600 é cabalístico para Bolsonaro. Em 2020, ele conseguiu melhorar sua aprovação com auxílio de R$ 600 reais. Valor que não queria dar -- inicialmente, propusera R$ 200 reais, mas o ex-presidente da Câmara Rodrigo Maia conseguiu aumentar para R$ 400 e, então, Bolsonaro aumentou para R$ 600 para não ficar por baixo...

Seja como for, o Auxílio Brasil de R$ 600 já chega defasado enquanto famílias pobres cortam alimentos para sobreviver. 

Diz reportagem do  jornal Folha de São Paulo de 25 de julho de 2022:

 "(...) O acréscimo de R$ 200, liberado de forma temporária de agosto a setembro —o benefício original é de R$ 400—, não deve trazer de volta ao carrinho [de supermercado] itens básicos que deixaram de ser consumidos, como carne, leite e seus derivados, entre outros.

O benefício extra não comprará o mesmo que o brasileiro comprava em 2020, quando o auxílio emergencial de R$ 600 foi pago por causa da pandemia de coronavírus e elevou a aprovação do governo Bolsonaro. Naquele ano, com R$ 200 no supermercado, o consumidor levava para casa 18 itens, incluindo arroz, feijão, carne, leite, ovos, queijo muçarela, macarrão, bolacha e alguns legumes. 

Neste ano, os mesmos itens custam mais de R$ 300, segundo a cesta básica do Procon-SP (Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor) e do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos). Hoje, o carinho vem mais vazio, sem carne de primeira e a mozarela, que têm subido com a disparada do leite.

Os R$ 200 de 2020 representam atualmente R$ 163,91, segundo cálculos de Matheus Peçanha, pesquisador e economista do Ibre (Instituto de Brasileiro de Economia), da FGV (Fundação Getulio Vargas), feitos a pedido da Folha. Já os R$ 600 equivalem a R$ 491,72.

Para ter o mesmo poder de compra de abril de 2020, as famílias deveriam receber R$ 732,12. Os R$ 200 deveriam ser corrigidos para R$ 244,04. A correção tem como base a inflação medida pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) acumulada em 22,02% de abril de 2020 a junho de 2022. Esse é o índice que mede a alta de preços para a de baixa renda. (...)"

Enquanto isso, Bolsonaro adota atitudes políticas que envergonham até o eleitor simpático a si, mas  que não é fanático. 

Só para ficarmos no caso mais recente, o discurso do presidente da República diante dos embaixadores de mais de SETENTA nações representa, além da vergonha por nosso país ser pintado como uma republiqueta bananeira com instituições corrompidas, um forte prejuízo para a economia, pois a segurança jurídica é condição sine qua non para que uma nação atraia investimentos estrangeiros e, até, nacionais. 

Não é sem razão, portanto, que a imprensa internacional acha que Lula vencerá Bolsonaro com grande facilidade devido à caótica situação social no país e à rejeição da maioria do eleitorado à conduta histriônica e vexaminosa do presidente da República. 

Só para ficarmos em um grande exemplo, o americano The New York Times, o maior jornal do mundo e que cobre com mais atenção e peso, no exterior, as investidas do presidente brasileiro contra a democracia, diz que Bolsonaro "perderá [a eleição] de forma esmagadora" em outubro.

Mais da reportagem: 

"Outro veículo nova-iorquino com extensa equipe global de jornalistas, o serviço financeiro Bloomberg, acompanha até mais detalhadamente a política brasileira, dada a proporção alcançada pela economia do país.

Sua cobertura, com as ameaças de Bolsonaro, vem se tornando mais crítica. Sobre a reunião, salientou que ele 'refez velhas e desmascaradas teorias de conspiração sobre a segurança do sistema que o Brasil vem usando há mais de duas décadas'. Foi a postagem "mais lida" de seu site o dia todo. 

A agência Associated Press também vem questionando mais, dizendo desta vez que o presidente brasileiro 'apresentou alegações sobre supostas vulnerabilidades, que as autoridades eleitorais já desmascararam repetidamente' "

Se nada disso for suficiente para demonstrar que nem Bolsonaro nem qualquer outro candidato tem chance de superar o ex-presidente Lula nesta eleição e que todas as candidaturas postas se recusam a enxergar a realidade, vale dizer  que os brasieiros não estão dispostos a experimentalismos nesta eleição. 

Lula pilotou o governo mais bem sucedido da história  brasileira. Deixou o governo, em 1o de janeiro de 2010, com 87% de aprovação, segundo pesquisa Ibope de dezembro de 2010, e com 83% de aprovação, segundo pesquisa Datafolha do mesmo período. 

Ou seja: à diferença de Ciro Gomes, Simone Tebet e outros candidatos nanicos, Lula não precisa prometer nada ao eleitor, bastando pedir que lembre do governo que fez entre 2003 e 2010. Já Bolsonaro, seu problema é, justamente, o eleitor estar sentindo na pele o seu governo desastroso, antiético e vexaminoso.

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