Bolsonaro mata Getúlio e ressuscita Dutra

Economicídio neoliberal

Getúlio criou o estado nacional para os capitalistas e trabalhadores brasileiros.Em “Minha razão de viver”, Samuel Wainer destaca que, se, de um lado, ele foi o pai dos pobres, com criação da legislação trabalhista, seguridade social, salário mínimo, sustentáculo para o consumo interno, sem o qual não se realiza industrialização, de outro, foi a mãe dos ricos, criando para eles o consumidor, sem o qual não há capitalismo, além de políticas macroeconômicas nacionalistas, de valorização do capital nacional.A taxa de juros, com Getúlio, entre 1937-45, era, em média, 7% ao ano, depois que, com a revolução tenentista, mandou fazer auditoria da dívida.Revelou-se, nesse trabalho patriótico, o quanto a banca estava roubando do povo, como acontece, hoje.Colocado tudo em pratos limpos, depois da devassa, os custos operacionais do estado – o chamado custo Brasil, livre do sobrepeso do endividamento especulativo – desabaram.Foi possível, então, com redução das despesas financeiras, cobrar juro barato para a produção e o consumo.Quem ganhou?Os capitalistas e os trabalhadores.

Torrando as reservas

Os banqueiros jamais perdoaram Gegê, embora não perdessem nada, apenas, deixaram de ganhar demais.Rui Castro, em “A noite do meu bem”(Cia das Letras, 473 pgs), relata o chororô dos empresários, nas boates cariocas, em Copacabana, nos anos 1950, saudosos de Getúlio, depois que Dutra ganhou, com apoio de Vargas, a eleição.Ao som do samba-canção do piano de Ribamar, no “Vogue”, acompanhando Dolores Duran, Doris Monteiro, Sylvinha Telles, Marisa, Maysa, Alayde Costa, entre outras maravilhosas cantoras; seguindo João Gilberto, no “Arpège”; Tom Jobim, no “Show Confidencial”; Dorival Caymim, em “Casablanca”; Johnny Alf Trio, no “Plaza Bar”; Bola Sete, no “Baccara” etc, os capitalistas lamentavam terem embarcados na canoa furada do desastre ultraneoliberal do general Dutra.Burro de dar dó, Dutra jogou o jogo errado dos banqueiros, sobrevalorizando a moeda, para torrar as reservas acumuladas, importando bugigangas.Os capitalistas perderam mercado para importações baratas, como aconteceu no tempo do real fernandino, com o populismo cambial eleitoral.Quando as reservas acabaram, emergiram falências.Que saudade do ditador nacionalista!E tomem uísque falsificado, para abafar mágoas e tristezas!Era o papo geral, no Rio de Janeiro e em São Paulo.

Blá, blá, blá

Mutatis mutantis, o que faz Bolsonaro, agora?Repete Dutra, o ultraneoliberal, antecedente de FHC, cão de guarda de Washington.Destrói as bases construídas por Getúlio, por meio do ultraneoliberalismo de Paulo Guedes.Os empresários choram pelos cantos com a falta de consumidores.Sem a valorização do salário mínimo, que atuava, com Lula e Dilma, a exemplo de Getúlio, em linha de transmissão bombeando consumo, o capitalismo tupiniquim está no chão.Recessão técnica, admite o BC.Bolzo embarca na de Guedes que se vender as empresas estatais quita dívidas e retoma o crescimento.Blá, blá, blá neoliberal.Age como aquele cara que sustenta a família com a renda do taxi e resolve vender o carro para liquidar os papagaios.Fica sem o instrumento gerador de sua renda.Acaba pedindo esmola.É claro que a saída está na renegociação da dívida para se chegar aos juros baixos, como fez Gegê.Primeiro, levantou as dívidas, checando o que era roubo e o que era verdade.A Constituição brasileira jamais foi obedecida nesse particular, de discutir a cada cinco anos as bases do endividamento nacional, como destaca Maria Lúcia Fattorelli, coordenadora da Auditoria Cidadã da dívida.

Nova revolução de 30

No capitalismo financeiro, em que a produção deixa de remunerar o capital na escala necessária à sua reprodução ampliada, a especulação com o endividamento do governo se transforma em autosustentação dos especuladores.Ninguém trabalha, só especula, como se vê, agora, com a economia morrendo, mas o capital se reproduzindo, numa boa, obrigado.A auditória, porém, requer revolução capitalista, como aconteceu com os tenentes, em 1930, comandados por Vargas.Bolsonaro, versão Dutra, que está entregando, de graça, a máquina de fazer rapadura, deixa a família Brasil morrer de fome, ao cair no papo furado ultraneoliberal.Segue a trilha do desastre que acaba de destruir Macri, na Argentina.E pior, com ajuda dos militares, que desistiram do nacionalismo para se entregar de vez a Tio Sam.O mais incrível em tudo isso é que os capitalistas brasileiros da produção batem palmas para quem está levando-os à falência.Não é à toa que Getúlio Vargas, como diz Samuel Wainer, taxou-os de burros.“Eles não entendem que estou ajudando-os”.A burrice se repetiu na eleição de 2018: os empresários optaram pela própria morte, que está se acelerando na crise capitalista global, no embalo da guerra comercial China-EUA. 

Conheça a TV 247

Ao vivo na TV 247 Youtube 247