Bolsonaro na CPI pode ser palanque

"Pode haver um desgaste caso Bolsonaro se recuse a ir, deixando a CPI num vazio. Supondo que ele acate a decisão, corremos o risco de vê-lo comparecer e ficar calado", afirma Denise Assis, do Jornalistas pela Democracia. A colunista defende a quebra dos sigilos bancário e telefônico dele

(Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado | Reuters)
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Por Denise Assis, para o Jornalistas pela Democracia

A CPI, que num momento de pandemia, sem movimentação de rua – a despeito da convocação para o ato do dia 29 –, estava sendo vista como o desaguar da nossa insatisfação para com a condução que o governo tem dado ao combate à Covid-19 -, deu mostras de que apresenta suas primeiras trincas. Um dos pontos fortes da Comissão é a aglutinação de pessoas com posicionamentos progressistas, preenchendo a maioria dos cargos, permitindo com isto a agilidade na aprovação dos requerimentos de depoentes. Porém, desde a reunião secreta dos membros da CPI, que varou madrugada e propôs a convocação de governadores, para falarem dos gastos do dinheiro encaminhados aos seus estados, e de Bolsonaro, já se percebe estremecimentos.

A rigor a proposta foi precipitada. À luz da Constituição um poder não pode convocar e submeter o outro. E, este é o caso. Por fim, pode haver um desgaste caso Bolsonaro se recuse a ir, deixando a CPI num vazio. 

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Supondo que ele acate a decisão, corremos o risco de vê-lo comparecer e ficar calado. Ou, ainda, transformar a Comissão em palanque para dar seu show. Há depoimentos e documentação a ser trazida, a fim de adensar uma eventual inquirição a Bolsonaro. Talvez fosse mais eficiente, neste momento, a quebra do seu sigilo bancário e telefônico.

A simples menção de que  sua convocação foi colocada em votação já vai gerar um grande debate jurídico, desviando o foco da CPI, que andou sofrendo críticas pela atuação dos inquiridores. Os senadores perdem momentos cruciais das falas e se prendem ao roteiro, pulando perguntas e deixas importantes para apontar as contradições dos depoentes. Talvez fosse mais interessante adiar a ida de Bolsonaro, em vez de embarcarem em um debate jurídico infindável sobre a convocação, enquanto outros peixes graúdos nadam em águas tranquilas, aqui e no exterior, podendo agregar informações preciosas sobre a teia de laboratórios e ganhos vultosos com o kit-Covid. Por empresários daqui e de lá, e pelo Exército.

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Para se ter uma ideia, do ano de 2018 até 2020, a fabricação de comprimidos de cloroquina pelo laboratório farmacêutico do Exército teve um salto de quatrocentos e poucos mil comprimidos, para 11 vezes a produção, resultando em cerca de 2,5 milhões de comprimidos. Quanto custou este aumento, e por que ele aconteceu, sabendo-se que houve redução dos casos de malária no país, neste período, da ordem de 10%?

Quem fez a encomenda foi o ministério da Saúde, deixando explícito que os mais de dois milhões de comprimidos eram destinados às secretarias estaduais e municipais de Saúde de todo o país. Ou seja, esta montanha de comprimidos certamente foram compor o Kit-Covid, tão ineficaz quanto perigoso, quando receitado para combater uma doença, para a qual não há remédio. Só vacina.

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