Bolsonaro, o craque do time dos fanfarrões

Bolsonaro é um blefe. Uma mentira. Uma grande farsa. Qualquer um que observar as suas declarações e analisar as suas ideias, com um pouco mais de atenção, perceberá isso. Mas, o problema é que Jair Bolsonaro não tem eleitores. Ele tem torcida

Brasília - Deputado Jair Bolsonaro discursa durante sessão para eleição do presidente da Câmara dos Deputados e demais membros da mesa diretora (Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Brasília - Deputado Jair Bolsonaro discursa durante sessão para eleição do presidente da Câmara dos Deputados e demais membros da mesa diretora (Marcelo Camargo/Agência Brasil) (Foto: Nêggo Tom)

Jair Bolsonaro, finalmente, já tem novo clube, digo, novo partido. O deputado foi anunciado como o mais novo reforço do PSL, por onde disputará a eleição presidencial desse ano. A recepção ao "mito" dos desesperados, foi digna de uma apresentação de um grande craque do futebol mundial. Festa, fogos, hino nacional, ovações e promessas de honrar a camisa e de comemorar "gols' contra os seus ex clubes, digo, ex partidos. E não foram poucos. Essa é a oitava vez que o defensor da fidelidade, da honra e dos bons costumes, troca de sigla.
 
Ao iniciar o seu discurso, Bolsonaro disse: "Eu sou o Messias", em referência ao seu sobrenome e numa clara alusão ao messias cristão. Ou seja, ele se compara a Jesus Cristo - mesmo que em tom de brincadeira - e se posiciona como o salvador da pátria. Usando da falsa humildade que lhe é peculiar, o capitão também disse que: "Eu não sou bom. Os outros é que são muito ruins", como se isso, o credenciasse a ser o futuro presidente da república. 

A apresentação de Bolsonaro no PSL, também contou com a presença do senador Magno Malta, que possivelmente, deve ser o vice em sua chapa presidencial. A união de duas figuras tão controversas da politica nacional, não deveria causar esperanças, mas, sim, tristeza. Ambos se apresentam como cristãos e defensores da família e da vida. Magno Malta até fez uma oração - a pedido de Bolsonaro - para abrir o evento. O curioso, é que após pedirem a presença de Deus, discutiram a possibilidade de criação da "Bancada da metralhadora". Isso mesmo. Dois cristãos, servos do senhor, apoiam tal absurdo.

Um participante do evento, que não quis se identificar, disse que Deus pediu licença, e se retirou do recinto nesse momento. Outro, já disse que Deus nem esteve lá. Mas, que viu secretários do seu oponente, fazendo anotações e aplaudindo as ideias da dupla. Aliás, parece que a turma do capiroto será a responsável pelo marketing da campanha do deputado. Isso ficou claro, quando Bolsonaro, estrategicamente, citava o nome de Deus a todo instante e se dirigia as mulheres com um apelo especial. 

Ora! Um homem de Deus, que é favorável a tortura e ao paredão e que já declarou que mulher tem que ganhar menos e que fraquejou quando gerou uma menina, quando usa essas duas bandeiras para atrair eleitores, só pode estar possuído pelo espírito da mentira. Mas, há quem acredite em seu discurso. E não são poucos. Mesmo exalando ódio e intolerância em seus discursos, Bolsonaro promete mudar o país para melhor. Não sei como um ser racista, homofóbico e intolerante, poderia conseguir tal proeza. A não ser que ele pretenda melhorar o país apenas para os seus seguidores.

Vale lembrar, que Bolsonaro é réu por apologia ao estupro e foi condenado a indenizar quilombolas, em função de declarações racistas. Sua atuação política se limita a atacar questões de gênero, sob a égide da preservação da família. Entende mais de homossexualidade do que de economia, mas, se julga capaz de governar o país. Bolsonaro é um blefe. Uma mentira. Uma grande farsa. Qualquer um que observar as suas declarações e analisar as suas ideias, com um pouco mais de atenção, perceberá isso.

Mas, o problema é que Jair Bolsonaro não tem eleitores. Ele tem torcida. Ele é o craque do time dos fanfarrões. Daqueles, que devido a ausência de equilíbrio, apelam para a pirotecnia ideológica, a serviço de um espetáculo deprimente e constrangedor para eles mesmos. Torcedores não costumam invocar o bom senso e a razão. Sob a emoção provocada pelos sentimentos mais exagerados, eles baseiam a sua linha de conduta. Ignoram as próprias contradições, em nome de uma verdade absoluta, que só cabe a eles viverem. 

Bolsonaro, o católico, batizado pelo pastor Everaldo (evangélico), nas águas do rio Jordão. O defensor da tradição e da fidelidade, que trocou de partido 8 vezes. O apologista do estupro, que defende pena de morte para estupradores. O machista e misógino, que conclama a mulheres a apoiá-lo. O defensor do estado mínimo, que usou auxilio moradia para "comer" gente. O homem de Deus, que quer armar a população e criar a bancada da metralhadora. O político que chama esquerdista de vagabundo, mas, que nunca aprovou um projeto sequer, em 30 anos de vida pública.

É muita lenda para pouco mito!

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