Bolsonaro quer ditadura húngara. E está com pressa

"A castração da imprensa é o primeiro mandamento da cartilha de implantação das ditaduras modernas, à semelhança da que funciona na Hungria sob o comando de Viktor Orbán, aliado internacional de Bolsonaro e que foi visitado pessoalmente pelo filho Eduardo", afirma Alex Solnik, do Jornalistas pela Democracia. "Bolsonaro quer uma ditadura húngara para impedir as investigações que tiram o seu sono. E está com pressa"

29/08/2019
REUTERS/Adriano Machado
29/08/2019 REUTERS/Adriano Machado (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

Por Alex Solnik, do Jornalistas pela Democracia

Se alguém tinha dúvidas se Bolsonaro concordava com o questionamento das “vias democráticas” feito por seu filho Carlos, agora não tem mais.

No mesmo dia em que imprensa, Judiciário e Congresso se uniram no repúdio, em uníssono, aos arroubos autoritários, Bolsonaro voltou à carga, no mesmo diapasão, diretamente do hospital, numa rápida resposta aos que repudiaram as declarações de Carlos - Celso de Mello, Raquel Dodge, Rodrigo Maia, Davi Alcolumbre, Dias Toffoli, dentre outros:

“Enquanto lutamos entre nós o inimigo se fortalece. - Não temos como agradar a todos, vasculham minha vida e de minha família desde 1988, quando me elegi vereador. - Nossa inimiga: parte da GRANDE IMPRENSA. Ela não nos deixará em paz. Se acreditarmos nela será o fim de todos”.

Quem ele chama de “nós”? A sua família? O seu governo? O seu partido? E quem é o “inimigo que se fortalece”? As instituições do estado brasileiro?

Alegar que está sendo investigado porque “não temos como agradar a todos”, além de ser uma falácia, pois as investigações estão muito bem documentadas, fornece munição contra as instituições que o investigam, não desde 1988, mas desde que foi revelada a relação suspeita entre seu filho Flávio, então deputado estadual no Rio de Janeiro e o enigmático Fabrício Queiróz, seu chefe de gabinete que recolhia parte dos salários dos funcionários.

Taxar os jornais de inimigos, contestar sua credibilidade e pregar abertamente a sua destruição, na base do “ou eles ou nós” é uma tentativa de intimidação sem precedentes nos últimos trinta anos da história brasileira, um atentado à liberdade de imprensa e uma clara ameaça à democracia, da qual a imprensa é um dos três pilares, ao lado do Congresso e do STF.

A castração da imprensa é o primeiro mandamento da cartilha de implantação das ditaduras modernas, à semelhança da que funciona na Hungria sob o comando de Viktor Orbán, aliado internacional de Bolsonaro e que foi visitado pessoalmente pelo filho Eduardo.

Bolsonaro quer uma ditadura húngara para impedir as investigações que tiram o seu sono. E está com pressa.

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