Bolsonaro rebaixa o Brasil

Quanto mais insignificante nos tornarmos, mais profunda será a dominação estrangeira sobre o Brasil. Os brasileiros não podem permitir serem rebaixados por um presidente para quem a nação, o país e sua gente não têm a menor importância. Bolsonaro não está á altura do País

(Foto: Divulgação)

Bolsonaro tenta fazer do País a sua diminuta imagem e semelhança. Essa ideia de país pequeno e sem importância, que ora ocupa o Palácio do Planalto, está conduzindo o Brasil a condições insustentáveis, dos pontos de vista político, econômico, social, cultural. O país que, até pouco tempo, foi uma respeitada 6ª economia mundial, líder latino-americano no debate mundial sobre direitos humanos, distribuição de renda e questões de gênero, agora, causa espanto aos olhos do mundo progressista. O presidente arrasta toda uma nação para a sua eterna condição de parlamentar diminuto, do baixo clero, sem relevância, cujo mandato esteve sempre a serviço de interesses retrógrados, para dizer o mínimo. No período eleitoral, Bolsonaro falou abertamente em metralhar seus adversários políticos, revelando, na sua intolerância, toda a incapacidade para lidar com o pensamento que diverge do seu. Hoje, suas declarações e atitudes causam vergonha e prejuízos a todo o Brasil.

Há 30 anos, o ministro da Economia brasileira, Paulo Guedes, foi um dos idealizadores das políticas que estão provocando as convulsões sociais no Chile. Bolsonaro adota, a cada dia, alguma política que diminui o Estado, precariza direitos e condições de trabalho, quando não defende outro golpe militar. O presidente adota políticas que expõem negativamente o Brasil. Foi graças ao seu desgoverno que a venda do pré-sal deu-se, para o bem do País, num retumbante fracasso. Investidores têm receio de um país onde um deputado federal fala em reeditar o AI-5, e o ministro do Gabinete de Segurança Institucional disse que é preciso estudar como se faz para implantar. Dias depois dessas declarações desastradas, houve uma invasão à embaixada da Venezuela, em Brasília. Bolsonaro reconheceu o golpista Juan Guaidó como presidente da Venezuela, o seu filho defendeu ostensivamente a invasão, e o representante do Ministério das Relações Exteriores, para estupefação da comunidade diplomática internacional e vergonha de todos os brasileiros, sugeriu ao corpo diplomático oficial do país vizinho e irmão que desse lugar aos invasores.

Ora, o mundo inteiro observa o comportamento do presidente de uma das maiores e mais importantes nações do mundo. Em plena reunião dos BRICs, a embaixada de um país apoiado pela Rússia e China e achacado pelos EUA foi invadida, e Bolsonaro tomou posicionamento em favor dos invasores. A embaixada foi desocupada depois de 12 horas de negociações com a diplomacia venezuelana e sob a pressão de manifestantes democratas que se postaram às suas portas e de lá não arredaram o pé enquanto os invasores não foram expulsos. O presidente, a cada ação, demonstra que não está à altura do Brasil. Resta saber dos brasileiros qual é o país que eles desejam para si e para as próximas gerações. Além de expor negativamente o País aos olhos do mundo, é um governo que atenta vorazmente contra a sua população, que já somam 13,5 milhões de brasileiros que vivem com menos de R$ 8,00 por dia. Isso tem nome, miséria. Sob o pretexto de criar 6 milhões de empregos, em 2017, com o apoio do então deputado Bolsonaro e do incondicional apoio de certa parte da imprensa, foi aprovada uma reforma trabalhista que retirou uma série de direitos e isentou os empresários de impostos.

Mais de dois anos depois, a única ocupação que aumentou foi a dos informais. Já são 30 milhões de brasileiros que trabalham informalmente e de forma precária. Uma gente que o ministro da economia gosta de chamar de empreendedor. São pessoas que trabalham os sete dias da semana e os rendimentos variam de R$ 300 a R$ 980. Porém, mesmo diante do cenário caótico para os pobres, para quem passa fome, Bolsonaro e Guedes acabam de apresentar, entre outros pacotes, a MP 905/2019, que cria a carteira Verde Amarela. Segundo o governo, com o intuito de gerar 1,8 milhão de empregos para jovens de 18 a 29 anos, com salários inferiores a R$ 1.500. Para oferecer os tais empregos, os patrões pagarão menos sobre a multa do FGTS, em caso de justa causa, e não mais recolherão 20% de contribuição patronal para o INSS. É um projeto que tira ainda mais dos pobres para dar aos ricos. Quem passar pelo infortúnio do desemprego e receber seguro-desemprego vai ter de recolher 7,5% do que recebe. Um colosso de política. Agora, só falta cobrar IPTU de quem vive em situação de rua. A MP também enfraquece a fiscalização dos auditores do trabalho, deixando os trabalhadores ainda mais vulneráveis a acidentes e a doenças. Essas políticas estão tornando o Brasil não apenas mais pobre, mas, menos importante. Quanto mais insignificante nos tornarmos, mais profunda será a dominação estrangeira sobre o Brasil. Os brasileiros não podem permitir serem rebaixados por um presidente para quem a nação, o país e sua gente não têm a menor importância. Bolsonaro não está á altura do País.

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