Bolsonaro: vergonha ou medo – do Brasil?

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      Até o dia histórico do discurso de Bolsonaro na abertura da Assembleia Geral da ONU, em Nova Iorque, o “nosso” Presidente da República era motivo de vergonha ao País perante os estrangeiros. Hoje registramos que Jair Messias começa a causar medo de outras civilizações em relação a nossa.

Esclareço. Não tem absolutamente nada a ver com temor de nossa “potência” bélica fadada a uma guerra com outra nação. Não, não representamos uma ameaça armada para qualquer país, sobretudo, porque não faz parte de nossa cultura o evento hostil armado[1] e, tampouco, temos aparato suficiente para conflitar com a maior parte do países da Terra.

A questão que trago à tona do espanto mundial é que o Brasil é, indubitavelmente, uma das locomotivas econômicas do Planeta. Não obstante, um louco pilota a 8ª economia do mundo[2]. Jair Bolsonaro não consegue abrir a boca para afagar o mundo, atrair novas estruturas de comércio positivo para o País, e afasta investidores, assusta a boa ética e estética diplomática, além de levar a Balança Comercial brasileira a sofrer retrocessos óbvios com a redução de compra de produtos (sobretudo, do agronegócio nacional) por parte dos estrangeiros.

Desde a trajetória de Fernando Henrique Cardoso, passando pelos ex-presidentes, Lula e Dilma, o Brasil pautava, em grande medida, os discursos durante o maior evento da Organização das Nações Unidas. A exemplo, FHC convocara o mundo a respeitar o Brasil – não apenas como uma liderança, mas – como protagonista dos processos globais de luta pelo desarmamento nuclear de outras nações e pela preservação permanente dos direitos humanos em toda a Terra. Seu discurso histórico ocorre em 24 de setembro de 2001, duas semanas após o ataque às “Torres Gêmeas” nos EUA.

Lula efetiva a luta pelo respeito ao Brasil como potência emergente, e cobra sua participação em organismos internacionais, como no Conselho de Segurança da ONU e na Organização Mundial do Comércio (OMC), instâncias estratégicas ao equilíbrio do jogo geopolítico no Planeta.

Entretanto, a grande “guerra” que Lula passou a enfrentar nas “disputas” pela atenção das Nações Unidas foi seu combate à FOME… e deu o tom da narrativa. "No Brasil, estamos instaurando um novo modelo capaz de conjugar estabilidade econômica e inclusão social. As negociações comerciais não são um fim em si mesmo. Devem servir à promoção do desenvolvimento e à superação da pobreza. O comércio internacional deve ser um instrumento não só de criação, mas de distribuição de riqueza. (…) Erradicar a fome no mundo é um imperativo moral e político. E todos sabemos que é factível. Se houver de fato vontade política de realizá-lo". (Trecho do discurso feito em 23/09/2003).

Nos demais anos em que Lula discursou sempre foi com altivez e defesa do interesse nacional, respeitando a boa etiqueta das relações internacionais e a soberania das outras nações.

Dilma, em 21/09/2011, começa seu discurso (das 5 vezes que falou na Assembleia Geral) assim: “Pela primeira vez na história das Nações Unidas, uma mulher está abrindo os debates”[3]. Era o início de um diálogo com o mundo para o respeito às minorias. Não obstante, Dilma, assim como FHC e Lula, também reivindicou o legítimo direito do Brasil de ter uma cadeira permanente no Conselho de Segurança e organismos da ONU com efetivo espaço de mudança global.  

Contudo, o discurso mais efusivo e explosivo de Dilma deu-se quando as agências dos EUA espionaram diversos líderes mundiais, entre os quais, a Presidente da República do Brasil. Dilma, ao defender a privacidade, a liberdade e a democracia do País, mostrou-se indignada e exigiu respeito das potências mundiais perante as demais nações soberanas.

"Quero trazer à consideração das delegações uma questão a qual atribuo a maior relevância e gravidade. Recentes revelações sobre as atividades de uma rede global de espionagem eletrônica provocaram indignação e repúdio em amplos setores da opinião pública mundial (…) Temos que criar as condições para evitar que o espaço cibernético seja arma de guerra (…) A ONU deve desempenhar liderança no esforço de regular o comportamento dos estados frente a essas tecnologias. Por essa razão, o Brasil apresentará propostas para o estabelecimento de um marco civil multilateral para governança e o uso da internet". (Dilma Rousseff, em 24/09/2013.)

Bolsonaro se deu ao trabalho de criticar – inutilmente – Cuba e Venezuela; de afrontar desnecessariamente o Presidente da França; de mentir sobre nossas florestas e dizer que não mede esforços para a preservação do Meio Ambiente, quando todos sabemos que não passa de falácia seu discurso ambiental; de atacar a imprensa de forma genérica e descontextualizada; de bajular Donald Trump como se fosse um mero “officeboy” patético da Casa Branca. O discurso mais parece um devaneio de um bêbado sem lar e esperança, jogado na Praça da Sé, que tem certeza que viu um disco-voador. Não imprime a narrativa do presidente de uma grande nação como a nossa. E isso ficou claro para todos os 190 líderes mundiais presentes na Assembleia da ONU.

(Leia os trechos do discurso do Presidente e faça seu juízo – racional – de valor.)

Enfim! Éramos gigantes nas relações diplomáticas. Hoje não passamos de uma bifurcação trágica em que, ora nos seguem para servir à piada do mundo (risos), ora outra o percurso trilhado que leva ao abismo nas interrelações comerciais e na geopolítica global (choro). E isso causa medo no mundo, pois somos um importante parceiro comercial – em declínio.

Tornamo-nos um anão nas relações internacionais. Pior: apenas subservientes aos interesses dos EUA que, por hora apenas usa nosso Presidente para assinar documentos internacionais que afrontem outras nações. Em breve, seremos “elevados” à condição de colônia do Tio Sam.

Já começo a sentir saudades de uma direita mais moderada que usava a boca de Fernando Collor de MelIo para, na ONU, ao menos não nos humilhar ou afastar de nós o respeito internacional como o faz Bolsonaro com sua retórica esquizofrênica marciana.

…………………………..

[1] Exceto os conflitos internos causados por guerras entre facções, milicianos e mesmo políticos como o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, o “senhor da morte”.

[2] “O Brasil, por exemplo, perderá a oitava posição para a Itália no ano que vem, enquanto o Reino Unido está prestes a descer dois degraus numa classificação em que, em números absolutos, os Estados Unidos ainda têm o primeiro lugar do pódio garantido pelos próximos cinco anos, embora a China já os tenha superado em paridade de poder de compra.”

(Veja mais em:  

https://brasil.elpais.com/brasil/2018/10/10/economia/1539180659_703785.html )

[3] Veja a síntese de todos os presidentes brasileiros na ONU por meio deste acesso:

https://www.nexojornal.com.br/expresso/2019/09/23/O-que-disseram-Sarney-Collor-FHC-Lula-Dilma-e-Temer-na-ONU .

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