Botando a boca no trombone

Lula tem razão e mais: para entregar o petróleo foi necessária a criação de um super-herói, quebrar as nossas grandes empresas, dar um golpe de Estado e prender o maior líder popular do país

Entrevista com o ex-presidente Lula, na Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba.
Entrevista com o ex-presidente Lula, na Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba. (Foto: Guilherme Santos/Sul21)

Lula afirmou em entrevista ao jornalista Bob Fernandes, que foi exibida pela TV Educação da Bahia, que “Criaram a Lava Jato para entregar o nosso petróleo, é uma vergonha”, ou seja, a operação toda é uma fraude, não obstante tenha  transformando em reality show pratica reprovável, mas conhecida e vicejante durante a ditadura militar.

O pesquisador Pedro Henrique Pedreira Campos em 2012 revelou na sua tese de doutorado, denominada “A Ditadura dos Empreiteiros ...de 1964 a 1985”, a natureza da relação entre as empreiteiras e os militares durante a ditadura. 

Lula tem razão e mais: para entregar o petróleo foi necessária a criação de um super-herói, quebrar as nossas grandes empresas, dar um golpe de Estado e prender o maior líder popular do país. 

Tanto tem razão que hoje é sabido que a Agência Nacional de Segurança (NSA), monitorou as comunicações da Petrobras, descobriu a ocorrência de irregularidades e corrupção na companhia, forneceu os dados sobre o doleiro Alberto Yousseff ao juiz Sérgio Moro, treinou Moro em ação multi-jurisdicional e práticas de investigação, inclusive com demonstrações reais (preparar testemunhas para delatar terceiros).

Em 2016 escrevi e o 247 publicou que “...a operação Lava-Jato extrapolou o seu objetivo inicial, passando a incluir nas investigações tudo que possa criminalizar o governo de coalizão capitaneado pelo PT desde 2003. Esse fato deixa os analistas do mundo todo inquietos, pois eles [os excessos] podem retirar a legitimidade de quem conduz o processo.”.No mesmo texto escrevi: “Podemos estar testemunhando a construção de uma ruptura institucional, um golpe, que possui metodologia e encadeamento curiosos: (a) a Judicialização da Política; (b) a Politização do Poder Judiciário; (c) a espetacularização (midiatização) do que foi judicializado e, por fim, (d) a criminalização da Política, dos políticos e dos partidos políticos, tudo para justificar o golpe.”.

A Lava-Jato é instrumento da plutocracia, legitimou o golpe de 2016, criou o ambiente e as condições para transferência das nossas reservas de petróleo para as grandes companhias estrangerias e fraudou todo o processo eleitoral de 2018, sob vassala coordenação de Sérgio Moro ao lado de uma parcela da imprensa.

Moro e outros tantos é agente dos interesses estadunidenses, FHC e Serra também.

Sobre FHC. O Jornalista Sebastião Nery afirmou que FHC foi cooptado pela CIA e que se tornou, financiado pela agência de informação dos EUA, um “propagandista” do american way of life, uma espécie de espião de segunda classe.Não é exatamente um segredo que após a 2ª. Guerra Mundial a CIA passou a financiar artistas e intelectuais de centro e de esquerda, num esforço de cooptação para afastar esses intelectuais do comunismo e aproximá-los do citado American way of life. Quem afirmou foi Frances Stonor Sauders, no seu livro “Quem pagou a conta? A CIA na Guerra fria da Cultura”. 

Fernando Henrique Cardoso, dentre outros, corrompeu-se e vendeu-se à CIA por um punhado de dólares, segurança, prestigio e poder, o mesmo vergonhoso caminho trilha Moro.

Noutro livro chamado "Fernando Henrique Cardoso, o Brasil do possível", da jornalista francesa Brigitte Hersant Leoni há a seguinte narração: "Numa noite de inverno do ano de 1969, nos escritórios da Fundação Ford, no Rio, Fernando Henrique teve uma conversa com Peter Bell, o representante da Fundação Ford no Brasil. Peter Bell se entusiasma e lhe oferece uma ajuda financeira de 145 mil dólares. Nasce o CEBRAP". Esta história está  registrada na página 154 do citado livro de Brigitte Hersant e somada à densa pesquisa da pesquisadora inglesa Frances Stonor Saunders nos revela que possivelmente o Brasil tenha sido governado por oito anos por um intelectual corrupto, cooptado pela CIA em fevereiro de 1969, e quem "pagava a conta" de Fernando Henrique e do seu CEBRAP era a CIA, através da Fundação Ford, mas a conta foi cobrada e paga através das criminosas privatizações realizadas de 1995 a 1998.

Moro será preso quando a democracia liberal for restabelecida e os poderes reassumirem suas funções, libertando-se do medo e das amarras dos compromissos exclusivamente privados.

Moro será preso e o Império, que o sustenta politicamente muito provavelmente através do Departamento de Estado, vai ignorá-lo afinal ele não passa de um continuo, um bobo cafona. Nenhuma ofensa aos contínuos, valorosos auxiliares para serviços gerais, office-boy, mas esse é o papel que a História reserva ao Juiz Sérgio Moro e aos procuradores da operação Lava-Jato.

Mas até o acertamento institucional, até a prisão de Moro e dos demais contínuos do Império, o silêncio tem que ser vencido e substituído pela narrativa da verdade, da denúncia, da defesa da democracia, da justa vitória e da necessária reconstrução de nosso país.

Até a prisão de Moro, até a queda do paspalho que ocupa a presidência, temos que retomar nosso hino, reincorporar o verde e amarelo às cores dos nossos partidos e dizer a todos e ao mundo que o Brasil não é propriedade dos contínuos servis, dos vassalos do Império, dos vendilhões do templo ou dos primatas e canalhas que ocupam os palácios desde a esplanada até a praça dos três poderes e chegando ao alvorada, o Brasil é de todos que vivem na planície.Tornou-se comum dizer Lula é vítima de uma fraude processual, sim é verdade, mas penso que o país é a grande vitima da fraude, por isso passou da hora de “botarmos a boca no trombone”, mas um trombone bem grande, onde estejam todos, de todos os matizes, pois é o momento da unidade como em 1984 na luta pelas “Diretas Já”.
 

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