Um domingo de tensão e indignação

As consequências de eventual vitória do ultradireitista Kast seriam tenebrosas não apenas para o Chile, mas para todas as comarcas desta nossa América

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Boric e Kast (Foto: Reprodução da TV)
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Há toneladas de razões para acompanhar, com tensão crescente, as eleições presidenciais chilenas deste 19 de dezembro. 

Em primeiro lugar, as consequências de uma eventual vitória do ultradireitista José Antonio Kast seriam tenebrosas não apenas para o Chile, mas para todas as comarcas desta nossa América. 

Se o atual presidente, o direitista Sebastián Piñera, já ficou um tanto às margens das principais economias da região, com Kast essa marginalização seria radical.

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Em segundo lugar – e reitero, estou mencionando apenas duas das razões para ser este um domingo tão tenso – as consequências de uma vitória de Kast junto ao governo de Jair Messias.

Não que possa influenciar as eleições brasileiras de 2022. O que preocupa é como seria ter dois ultradireitistas presidindo Brasil e Chile nesses meses que separam Jair Messias da derrota e dos tribunais.

Há, evidentemente, notórias diferenças entre o chileno e o brasileiro. Kast é um homem de formação rigorosa, mostra-se coerente até mesmo na defesa de uma ditadura sanguinária como foi a de Augusto Pinochet, é cordato e lúcido, é inteligente e equilibrado. Jair Messias é o contrário exato.

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O perigo seria o tipo de acordo que o Brasil poderia fechar com o Chile, tanto na economia como na política externa, para não mencionar programas em comum. Seria outra herança maldita a mais para quem suceder Jair Messias.

Não há possibilidades, a menos que ocorra um terremoto, que caso seja eleito José Antonio Kast possa desfazer impunemente tudo que foi sendo construído desde a volta da democracia no Chile. Por mais que esse “tudo” tenha sido tímido e insuficiente, algo foi feito. 

E por que não conseguiria desfazer impunemente? Porque, e apesar de tudo, o Chile tem um Congresso minimamente decente. Não é como o nosso, que tem no comando da Câmara de Deputados um marginal desqualificado e que é controlado por uma agrupação de partidos que se aluga descaradamente. Mas certamente vai tentar, e com isso o país viverá períodos de tensão interna bastante intensa. 

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E isso poderá servir de desculpa ou exemplo para que Jair Messias continue destroçando tudo que tiver pela frente. 

Aliás, foi uma semana, além de tensa, de muita indignação. Vale repetir o que foi dito diante de uma plateia reunida na famigerada FIESP por Jair Messias. Candidamente, talvez apostando na impunidade, ele confessou ter “ripado” da diretoria de “um trem” que ele desconhecia, o IPHAN.

Tudo isso porque a figura grotesca de Luciano Hang se queixou do trabalho dos protetores do nosso patrimônio histórico ter atrasado em alguns dias a construção de mais uma de suas lojas.

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Então, é isso: o pior e mais abjeto presidente da história da República confessa ter cometido mais um entre centenas de crimes desde que se aboletou na poltrona presidencial, e o Congresso não abre a boca. Foi preciso a Justiça entrar em ação para afastar da presidência do IPHAN uma inutilidade sem volta. 

Não há limites para o absurdo que este país vive. Não há limites. E na Câmara não acontece nada.

Se nos tempos do rechonchudo Rodrigo Mais como presidente nenhum pedido de impeachment chegou a ser aberto porque, segundo ele, não havia clima político, agora, debaixo do chapéu protetor de um salafrário, não há clima de decência. 

Pensando bem, melhor concentrar atenções no Chile. Por aqui o que sobra é asco para ensombrecer um domingo de sol.

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