Brasil bate todos os recordes de insanidade

"Em que país civilizado a polícia assiste placidamente à agressão de três trogloditas contra uma mulher, como aconteceu no mesmo domingo, na avenida Paulista? Aonde mais, além do Rio, se vê agentes do Exército fazendo uma blitz armada de fuzis e alguém ainda ameaça de morte o repórter que cobriu mais uma tragédia carioca?", questiona Ricardo Kotscho, do Jornalistas pela Democracia; "Nossas vidas são ameaçadas por aqueles que nos deveriam proteger"

Brasil bate todos os recordes de insanidade
Brasil bate todos os recordes de insanidade

Por Ricardo Kotscho, no Balaio do Kotscho e para o Jornalistas pela Democracia

“Acho que não tem tanta notícia ruim” (Jair Bolsonaro, no domingo, ao comentar pesquisa Datafolha).

***

No mesmo domingo, uma patrulha do Exército fuzilou com 80 tiros o carro em que se encontrava o músico Evaldo Rosa dos Santos, de 51 anos, que passeava com sua família.

Por ter feito uma reportagem sobre o bárbaro crime, exibida no “Fantástico” da TV Globo, o jornalista Carlos de Lannoy, foi ameaçado de morte em mensagem enviada ao seu Instagram:

“Se você escolher falar merda e defender bandido, a escolha é sua. Seu merda! Se for errado, paga com a vida. Mexeu com o exército, assinou sua sentença! Sua família vai pagar! Aguarde as cartas”.

Pelo Twitter, o repórter denunciou a ameaça:

“Minutos depois de fazer reportagem no Show da Vida sobre mais uma morte em blitz do Exército, recebi essa ameaça no meu Instagram. Não ficará assim”.

Manchete do portal da Folha Online nesta segunda-feira:

“Esperança na economia do Brasil piora depois da posse de Bolsonaro”.

O presidente tem toda razão de reclamar de tanta notícia ruim, principalmente para ele.

O pior é que é tudo verdade. Quem ainda aguenta ver e ler tanta desgraça?

Basta pegar qualquer jornal, ligar o rádio ou a TV, dar uma olhada nas últimas notícias dos portais, e procurar algo de bom acontecendo no Brasil. Não tem.

Começar com estas manchetes mais uma segunda-feira é para desanimar qualquer cidadão.

Que dizer então dos investidores que poderiam fazer a roda da economia voltar a girar?

Em que país civilizado a polícia assiste placidamente à agressão de três trogloditas contra uma mulher, como aconteceu no mesmo domingo, na avenida Paulista?

Aonde mais, além do Rio, se vê agentes do Exército fazendo uma blitz armada de fuzis e alguém ainda ameaça de morte o repórter que cobriu mais uma tragédia carioca?

Estamos batendo todos os recordes de insanidade, com o governo de turno vivendo numa realidade virtual, e seus seguidores em guerra permanente contra a população desarmada.

Agradeço se o caro leitor ou leitora me der um bom motivo para escrever coisas mais agradáveis.

Não adianta xingar o cronista do cotidiano, nem a janela por onde ele acompanha as barbaridades que estão acontecendo nas ruas do nosso país, anestesiado pelo medo.

Nossas vidas são ameaçadas por aqueles que nos deveriam proteger.

“Ele só repete: cadê meu pai? E eu não tenho resposta”, relata o irmão do menino de 7 anos que viu o músico ser assassinado dentro do carro em que a família passeava no domingo.

O entregador Daniel Rosa, filho mais velho de Evaldo Rosa dos Santos, está revoltado com o que aconteceu, e quer a punição dos militares:

“O presidente Jair Bolsonaro disse que o Exército veio para proteger a gente e não parar tirar vidas. Quero uma resposta dele também”.

Até hoje, o Brasil espera uma resposta sobre os mandantes dos assassinatos da vereadora Marielle e do motorista Anderson, fuzilados um ano atrás, e de tantos outros crimes sem solução.

Vida que segue, por enquanto.

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