Brasil corre de volta ao passado

O Brasil no governo Temer caminha celeremente de volta ao passado. Para isso cumpre rigorosamente o receituário do PSDB, elaborado por FHC por sugestão dos americanos, que prevê, entre outras coisas, a privatização da Petrobrás, a flexibilização da CLT, o fechamento da indústria naval...

Temer
Temer (Foto: Ribamar Fonseca)

O Brasil, no governo Temer, caminha celeremente de volta ao passado. Para isso cumpre rigorosamente o receituário do PSDB, elaborado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso por sugestão dos americanos, que prevê, entre outras coisas, a privatização da Petrobrás, com a entrega do nosso petróleo para o capital estrangeiro; a flexibilização da CLT; o fechamento da indústria naval com a dispensa de milhares de trabalhadores do segmento, e a volta da importação de plataformas e navios, etc etc. Esse receituário, apresentado por FHC através de artigo publicado nos jornalões em 2012, deveria ser cumprido pelo senador Aécio Neves, caso vencesse as eleições presidenciais de 2014, mas como perdeu os tucanos articularam e fomentaram, com a decisiva participação do Legislativo, do Judiciário e da mídia, o golpe que derrubou a presidenta Dilma Rousseff e colocou Temer no Palácio do Planalto. E impuseram esse receituário ao novo "presidente", que foi transformado em marionete por eles e já cumpre parte do recomendado.

Para assegurar o cumprimento da sua receita por parte de Temer, o PSDB colocou tucanos em postos-chave do novo governo, como, por exemplo, José Serra no Ministério das Relações Exteriores e Pedro Parente na presidência da Petrobrás, os quais não perderam tempo e em apenas alguns meses iniciaram o trabalho de destruição das conquistas nos dois setores. Serra inaugurou a diplomacia do porrete, brigando com nossos vizinhos, como a Venezuela, e Parente iniciou o desmonte da Petrobrás, vendendo seus ativos sem licitação, ignorando solenemente decisão do Tribunal de Contas da União, que havia proibido o leilão. Por alguma razão inexplicável, os tucanos sempre quiseram entregar o nosso petróleo para o estrangeiro: FHC quebrou o monopólio do petróleo, abrindo caminho para a privatização da Petrobrás; José Serra, com a cumplicidade do Congresso, tirou da estatal a prioridade para exploração do Pré-Sal, abrindo as jazidas para o capital internacional; e Parente, que se notabilizou no governo tucano por ter participado das negociações com o FMI para melhorar a receita confiscando os proventos dos inativos, está completando o serviço.

O fato é que a Petrobrás está no centro do processo que derrubou a Presidenta Dilma Roussf e que pretende impedir o ex-presidente Lula de voltar ao Palácio do Planalto. A explicação é simples: depois do governo entreguista de FHC, foram os governos petistas que preservaram a estatal, até hoje cobiçada por poderosos grupos internacionais, impedindo Tio Sam de por as mãos nela. Além disso, os governos de Lula e Dilma também impediram que se entregasse aos americanos a base espacial de Alcântara e, por motivos técnicos, preferiram adquirir os caças suecos, em detrimento dos fabricados pelo gigante do Norte. E mais: Lula libertou o Brasil do domínio dos Estados Unidos, colocando-o entre as grandes potenciais mundiais e integrando o BRICS. Desse modo ele não serve aos interesses do Tio Sam e, por isso, estão fazendo tudo para impedir a sua volta à Presidência. Desmontar a Petrobrás, portanto, com pretextos esfarrapados como o combate à corrupção, faz parte do projeto de poder dos tucanos, sob orientação dos americanos e com a participação da Lava-Jato, que objetiva levar o Brasil de volta ao colo dos Estados Unidos. Daí as mentiras espalhadas para justificar a venda dos ativos da empresa.

O presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobrás (AEPET), Felipe Coutinho, no entanto, publicou artigo desmentindo as mentiras divulgadas sobre a estatal. Ele disse que "sob o falso argumento de que não há alternativa para lidar com o endividamento, foram alienados ativos rentáveis e estratégicos, como campos de petróleo, malha de gasodutos, unidades petroquímicas, usinas térmicas, terminal de gaseificação e participações na produção de etanol, o que compromete o fluxo de caixa futuro e entrega seu mercado a concorrentes ou intermediários". Mais adiante ele afirma que "existe alternativa para reduzir a dívida da Petrobrás sem vender seus ativos, alternativa que preserva a integridade corporativa da empresa e a sua capacidade de investir". Fica evidente que Parente, na sua fúria para alienar a empresa fatiada, não se preocupou em ouvir os maiores interessados no fortalecimento da estatal: os seus funcionários.

Depois de afirmar que "a verdade pôde ser nublada pelo viés ideológico e privatista daqueles que ocuparam o poder e contam com a mídia oligopolista a serviço do capital internacional e do rentismo", o engenheiro Felipe Coutinho demonstra que "a venda dos gasodutos, um monopólio natural, a um intermediário de capital internacional é prejudicial à Petrobras e aos consumidores". E adverte que "a decisão de desistir da produção de biodiesel e de etanol é um erro que compromete a sustentação empresarial e os compromissos ambientais brasileiros apresentados a COP-21, em Paris". Finalmente, após destacar o sucesso na produção do pré-sal, que já representa quase 50% da produção nacional e acumula mais de 1 bilhão de barris produzidos, o presidente da AEPET lembra que a defesa do petróleo e da Petrobrás vem de longe, gerações que se mobilizam desde a memorável campanha do "Petróleo é nosso". E conclui com um aviso: "Essa luta não termina em 2016".

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