Brasil em chamas

Bolsonaro lembra os turistas descritos acima, com seus gravetos, prontos para provocar uma catástrofe devastadora. A derrota dos seus candidatos, nas eleições municipais, não lhe baixou a arrogância. Que tome cuidado, é um conselho. Não demorará muito e as chamas que grassam em toda parte em território nacional, podem alcançar o Palácio da Alvorada



Alguns instantes na história de um país lembram às vezes aquelas fogueirinhas que dois ou três turistas fazem, para se aquecer, quando entram no mato. Reúnem uns gravetos secos e acendem um fósforo. Nada que se diria capaz de provocar incêndios e dizimar florestas. Um pouco mais tarde, dão as costas e seguem o seu caminho. Não notam que as fagulhas crescem e que de repente ninguém pode com elas. No Brasil das queimadas, há quase sempre mãos criminosas, descuidadas com o meio ambiente. Gente que respira como nós e ri para a falta de oxigênio e o monóxido de carbono capazes de empurrar o planeta à extinção. E não agem por acaso. Cobiçam as terras para aumentar suas propriedades e alimentar o gado. 

O governo, que se mostrava indiferente, despertou assustado diante do clamor internacional contra o desleixo e a complacência das autoridades. A letargia é uma tática que pode dar certo por um tempo, mas não por muito tempo. Logo as pessoas, motivadas ou não por clareza política, começam a emitir opiniões que se somam ao restante do mundo. Algo semelhante ocorreu com George Floyd, nos Estados Unidos, e agora com João Alberto Silveira Freitas, espancado e morto por dois agentes de segurança do Carrefour, em Porto Alegre. No ambiente das redes sociais, a cena da brutalidade covarde correu os lares e a mente da população, daqui e de fora. Houve manifestações no Rio de Janeiro, em Porto Alegres, e em Salvador, com negros em protesto contra o racismo. 

Enquanto isso, no Planalto Central, o Vice Humberto Mourão minimizava a gravidade do fato para os jornalistas, negando a dureza das relações interétnicas. Segundo ele, racismo existe nos Estados Unidos. Entre nós, não. Confundia apartheid com opressão social que se conserva, sim, desde a escravatura, algo que a lei da abolição (a Lei Áurea, da Princesa Isabel), atacando o problema apenas por um lado, não solucionou. O apartheid norte-americano serviu de modelo para os sul-africanos, só proibido depois da revolução que elevou Mandela ao poder. No nosso caso, basta possuir a pele escura e percorrer o comércio para experimentar e sensação de exclusão extremamente forte. Isso para não citar as estatísticas que apontam para os salários inferiores em relação aos brancos e as portas fechadas para as universidades, só abertas pelo sistema de cotas instituído, diga-se de passagem, por uma administração petista. 

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Contudo, o rastilho do incêndio não se interrompe. O Presidente Jair Bolsonaro, que já atacou a China e, recentemente, os Estados Unidos de John Biden, ameaçando usar a pólvora, como se necessitasse de vítimas novas, voltou-se para a França. No começo da sua gestão, incomodado com observações feitas por Emmanuel Macron, comparou a mulher dele com a sua, enchendo o peito, vaidoso, para ferir a ética e desrespeitar a companheira de um Chefe de Estado. A resposta não tardou, como se necessitasse de um banho de boa educação. 

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Bolsonaro lembra os turistas descritos acima, com seus gravetos, prontos para provocar uma catástrofe devastadora. A derrota dos seus candidatos, nas eleições municipais, não lhe baixou a arrogância. Que tome cuidado, é um conselho. Não demorará muito e as chamas que grassam em toda parte em território nacional, podem alcançar o Palácio da Alvorada. De todo modo, nunca estivemos tão perto delas. É preciso frisar, Sr. Mourão, sobre João Alberto, vidas pretas importam. Não faça como o chefe. Não as subestime. 

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Este artigo não representa a opinião do Brasil 247 e é de responsabilidade do colunista.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O conhecimento liberta. Quero ser membro. Siga-nos no Telegram.

A você que chegou até aqui, agradecemos muito por valorizar nosso conteúdo. Ao contrário da mídia corporativa, o Brasil 247 e a TV 247 se financiam por meio da sua própria comunidade de leitores e telespectadores. Você pode apoiar a TV 247 e o site Brasil 247 de diversas formas. Veja como em brasil247.com/apoio

Apoie o 247

Comentários

Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Cortes 247

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
WhatsApp Facebook Twitter Email