Breve síntese para entender a dominação digital e as batalhas eleitorais cibernéticas

"O problema não está na tecnologia digital em si, mas no seu monopólio (ou oligopólios) e na propriedade das Big Techs", escreve o colunista Roberto Moraes

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(Foto: Divulgação)


O problema não está na tecnologia digital em si, mas no seu monopólio (ou oligopólios) e na propriedade das Big Techs. Elas extraem nossos dados capturados através de suas plataformas, microprocessados, comprimidos, classificados e selecionados por algoritmos.

Os dados são a primeira e maior fonte de valor. Depois as máquinas processam o algoritmo em modelo estatístico. A seguir os dados aparecem nas suas prateleiras como inteligência (Artificial, IA). Já sob a forma de padrões, os dados são vendidos com capacidade de prever o comportamento das pessoas, potencialidades de consumo (até induzido como imaginário) e de manipulação política em disputas de poder de uma falsificada democracia.

A seguir aparecem nas suas prateleiras como inteligência (Artificial, IA). Os dados sob a forma de padrões são vendidos com capacidade de prever o comportamento das pessoas, potencialidades de consumo (até induzido como imaginário) e de manipulação política em disputas de poder de uma falsificada democracia.

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Nesta complexa trama, em paralelo, a digitalização das finanças também foi ampliando o poder econômico sobre o político, tanto na interferência das escolhas da sociedade — por maioria fabricada —, quando no aumento vertiginoso do financiamento destes processos, também facilitados pelos fluxos ilimitados e impossíveis de serem regulados, com o dinheiro sem face das criptomoedas.

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Muitos destes fluxos de fake news, capital e criptomoedas, transitam não apenas na “internet” conhecida, mas em dark-web (internet opaca), ou deep web (internet profunda), um submundo cujos resultados depois serão vistos por todos nós, nesta ‘internet’ e redes sociais que conhecemos e utilizamos de forma intensa diariamente.

Por esta breve síntese, é possível intuir porque as eleições regionais ou nacionais estão se tornando também batalhas cibernéticas. São processos complexos e de pouco domínio da maioria que escolhe seus representantes.

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Processos controlados na essência pelas Big Techs e seus proprietários que se colocam acima dos Estados-nações. Essa realidade pode ser percebida pelos "apelos" da justiça eleitoral em diversos países, como está fazendo hoje o TSE no Brasil, para que eles “controlem” os conteúdos que possam interferir nas “escolhas democráticas”. Quem, como e com quê interesses, os proprietários destas gigantes-empresas-plataformas farão isso?

O fato mostra a encruzilhada em que as chamadas democracias ocidentais estão envolvidas, onde os “estados-nações” se colocam claramente dependentes e submissos a estes "Estados-plataformas" da vida contemporânea. Mundo afora, esses esquemas cibernéticos têm favorecido — quase unanimemente — o ressurgimento da extrema-direita e do fascismo, em boa parte aliada dos neo e ultraliberais.

É possível que se construa contrapoder neste campo das relações entre poder e mundo digital, mas desconfio que ainda estamos longe dessa possibilidade.

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Enquanto isso, uma forma de tentar fugir destas ameaças, seria a de buscar maiorias mais folgadas nas escolhas de nossos representantes políticos nos diversos níveis junto à sociedade e aos eleitores.

Porém, aí temos outra tarefa difícil, porque mundo afora, se percebe que a imensa maioria das eleições é quase sempre decidida, por pouca margem e em mais de um turno de votação.

Neste caso, restam nos esforçarmos para ampliar o conhecimento sobre estes complexos processos. Talvez, esses conhecimentos, venham servir para a construção paulatina de mecanismos de defesa e deste contrapoder. Sem ilusões, porque quem está ganhando com tudo isso, sempre alegará falta de liberdade e autoritarismo.

Este artigo não representa a opinião do Brasil 247 e é de responsabilidade do colunista.

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