Brics tem futuro promissor, destaca o Presidente Xi na 13ª Cúpula de Nova Deli

"Os países do Brics são desafiados a desempenhar um papel cada vez mais saliente na promoção da cooperação internacional, no reforço dos mecanismos multilaterais, na promoção do desenvolvimento e da paz", escreve o jornalista José Reinaldo Carvalho, editor internacional do Brasil 247

www.brasil247.com - Xi Jinping no ato de comemoração do 100º aniversário do Partido Comunista da China, Pequim, 1º de julho de 2021
Xi Jinping no ato de comemoração do 100º aniversário do Partido Comunista da China, Pequim, 1º de julho de 2021 (Foto: Diário do Povo)


Por José Reinaldo Carvalho - Com formato digital, e tendo por sede a capital indiana, Nova Deli, realiza-se nesta quinta-feira (9), a 13ª Cúpula do Brics, o agrupamento que reúne importantes países emergentes - Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. 

Sobre a mesa uma variedade de temas de importância para o Brics e a comunidade internacional: reformas do sistema multilateral, contraterrorismo, metas de desenvolvimento sustentável, ferramentas digitais e tecnológicas, promoção do intercâmbio de pessoas e fomento ao desenvolvimento no seio do próprio Brics. Nos 15 anos desde a sua constituição, a  cúpula tem por tema central: "Brics 15: Cooperação Inter-Brics para Continuidade, Consolidação e Consenso". 

Outros assuntos de impacto global também centralizam o enfoque dos líderes, como a pandemia de Covid-19 e os desdobramentos da situação na região da Ásia Central, a partir dos acontecimentos no Afeganistão. 

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Desde sua criação, em 2009, o Brics desenvolve-se e eleva sua importância no palco internacional, com esforços para compartilhar desafios e ações conjuntas a fim de alcançar objetivos comuns, em um cenário global marcado por mudanças profundas, instabilidade, incertezas quanto à recuperação da economia global, a persistência da pandemia e eventos geopolíticos reveladores de insegurança e ameaças à paz. 

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Representando cerca de 42% da população mundial, 23% do PIB, 30% do território e 18% do comércio global, o grupo está chamado a desempenhar um papel relevante na solução dos problemas mundiais tendo presente a perspectiva da cooperação, do multilateralismo e da paz. 

A 13ª Cúpula é uma boa oportunidade para reafirmar e enriquecer os objetivos permanentes do Brics. Continua na ordem do dia como necessidade premente aumentar a cooperação e o diálogo sobre questões de segurança global e regional, reforma e aperfeiçoamento dos mecanismos multilaterais para tornar relevantes os organismos internacionais, nomeadamente a ONU, e o próprio Brics. 

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Igualmente, está na ordem do dia a promoção do crescimento econômico e o desenvolvimento para a prosperidade mútua. 

Nesse quadro , os países do Brics são desafiados a desempenhar um papel cada vez mais saliente na promoção da cooperação internacional, no reforço dos mecanismos multilaterais, na promoção do desenvolvimento, na contribuição para recuperar a economia mundial, para levar benefícios às nações em desenvolvimento e suas respectivas populações. Para isso, é fundamental o reforço da coesão dentro do próprio bloco, apesar de diferenças nacionais e de orientações políticas e ideológicas.

O Presidente da China, Xi Jinping fez em seu discurso durante a 13ª Cúpula do Brics um balanço preciso da trajetória do grupo na última década e meia. Nos últimos 15 anos, disse ele, os cinco países do Brics persistiram em abertura, abrangência e igualdade, aumentaram os contatos estratégicos e a confiança política mútua, respeitaram os sistemas sociais e caminhos de desenvolvimento uns dos outros e procuraram continuamente a melhor maneira de convivência entre os países. Esta posição do Presidente Xi é mais uma demonstração do compromisso da China com a natureza e o caráter do grupo: cooperação em nome do desenvolvimento comum. Xi Jinping enfatiza noções que correspondem às necessidades atuais e futuras do Brics e de toda a comunidade internacional. Segundo ele, os países do Brics se ativeram à inovação pragmática e cooperação de benefícios compartilhados, conectaram suas políticas de desenvolvimento, complementaram-se com suas próprias vantagens e promoveram colaborações em diversos setores. Merece destaque a observação do Presidente Xi sobre a persistência do Brics nos valores da justiça e equidade, no apoio ao multilateralismo, na participação na governança global, o que, segundo ele, tornou o Brics uma força indispensável na arena internacional. Sem dúvida, o cenário mundial seria muito mais favorável ao desenvolvimento dos povos se preceitos como estes defendidos pelo líder chinês se generalizaram nas relações bilaterais e multilaterais entre países e blocos. 

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Uma boa base para o exercício desta cooperação é a estratégia de parceria econômica do Brics até 2025, adotada em cúpula anterior e que carece de novos estímulos. 

O reforço da coesão entre os países do Brics e o exercício de seu papel no plano global tornam-se ainda mais importante no atual contexto em que, sob a ótica de que "a América está de volta", os EUA buscam impor aos demais países a sua hegemonia e, ao invés de propugnarem a cooperação e a paz, elegeram como aspecto central de sua política exterior a contenção estratégica da China, o que pode ser traduzido como a adoção de políticas visando a impedir que esse país realize o sonho de desenvolvimento e revitalização nacional de sua população. 

Diferentemente dessa perspectiva, para os países do Brics é muito mais proveitoso e salutar adotar estratégias conjuntas de desenvolvimento e paz, que é o que verdadeiramente interessa à comunidade internacional. A coesão entre os países do Brics é um pressuposto para seu desenvolvimento comum e a base para que deem uma contribuição ao desenvolvimento de toda a humanidade, que sonha com um mundo melhor. 

É também nessa perspectiva que os povos do mundo, os governos de países em desenvolvimento, as forças do progresso e da paz valorizam a posição da República Popular da China, que tem sido defendida por seu líder máximo, o Presidente Xi Jinping.  

O presidente chinês tem defendido o aprofundamento da parceria entre os países do Brics e em todas as cúpulas de que tem participado tem defendido o multilateralismo e a solidariedade para superar os desafios globais. É admirável a cooperação chinesa, sob a orientação do Presidente Xi, para o enfrentamento conjunto da pandemia de Covid-19, assim como as ações para a recuperação da economia global. 

Especificamente no quesito economia, desde a anterior cúpula, em novembro do ano passado, o Presidente chinês assumiu o compromisso de que a China trabalhará com outras partes para concretizar a parceria do Brics na nova revolução industrial em um ritmo mais acelerado.  

Revestiu-se de significado especial o pronunciamento do Presidente Xi na 11 ª Cúpula do Brics de Brasília, em novembro de 2019. O próprio título do discurso continha explicitamente um chamado à coesão: “Juntos por um Novo Capítulo na Cooperação do Brics”. Com visão histórica, o líder chinês disse que os países do Brics devem captar a tendência dos tempos. E advertiu para alguns desafios fundamentais que permanecem atuais, quando defendeu que os países do grupo devem trabalhar para promover um ambiente de segurança, paz e estabilidade. Na ocasião, o Presidente Xi instou os cinco membros do Brics a salvaguardar a paz e o desenvolvimento para todos, defender a equidade e a justiça e promover resultados de ganhos recíprocos. 

Foi memorável o pronunciamento do líder chinês na 10ª Cúpula do Brics, realizada em julho de 2018 na África do Sul, quando ele exortou os países do grupo a aprofundar a parceria estratégica e trabalhar para abrir uma segunda "Década de Ouro".

"Vamos trabalhar juntos com o restante da comunidade internacional por um mundo aberto, inclusivo, limpo e bonito que desfrute de paz duradoura, segurança universal e prosperidade comum", disse. 

O traço comum das posições defendidas pelo Presidente Xi em todas as Cúpulas do Brics de que participou desde março de 2013, também na África do Sul, são o estabelecimento de vínculos fortes entre os países membros, por meio da construção da parceria e o trabalho árduo para impulsionar a cooperação em economia e comércio, finanças, infraestrutura, movimento de pessoas e outros campos.

"Não importa como a situação internacional possa mudar, devemos permanecer comprometidos em buscar o desenvolvimento pacífico e a cooperação ganha-ganha", disse o Presidente Xi. 

Pessoalmente, trago na mente vivas recordações da 6ª Cúpula do Brics de julho de 2014, a qual acompanhei pessoalmente na cidade brasileira de Fortaleza. Naquela ocasião, o Presidente chinês disse que os países do Brics devem levar adiante o espírito de abertura, inclusão e cooperação ganha-ganha, e desenvolver uma parceria mais estreita, abrangente e sólida.

Nesta 13ª Cúpula de Nova Deli, o Presidente Xi Jinping, com sua visão holística sobre os problemas internacionais e os desafios globais, vislumbrou um bom futuro para o Brics, o que será benéfico para os povos e nações. “Não importando quais são as dificuldades, a cooperação do Brics terá um desenvolvimento estável e um futuro promissor uma vez que os cinco países pensem no mesmo objetivo e conjuguem seus esforços”, disse. 

O mundo agora volta os seus olhos para a China, que, conforme anunciou o Presidente Xi, sediará a próxima Cúpula do Brics, em 2022, assumindo desde já a Presidência do grupo. 

Este artigo foi publicado originalmente no site da Rádio Internacional da China

Este artigo não representa a opinião do Brasil 247 e é de responsabilidade do colunista.

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