Brizola inspira Lula e Ciro na campanha eleitoral 2022

Qual seria a posição de Brizola, centenário neste sábado, diante das disputas políticas entre Ciro e Lula?

www.brasil247.com - Ciro Gomes e Lula
Ciro Gomes e Lula (Foto: Reprodução/Youtube | REUTERS/Ueslei Marcelino)


Qual seria a posição de Brizola, centenário neste sábado, diante das disputas políticas entre Ciro e Lula, ideologicamente, semelhantes, motivadas pela visível dificuldade de Ciro de alcançar as chances que estão à frente de Lula, construídas por ele, para levar de bandeja a eleição, se forem consideradas pesquisas para uma suposta disputa neste final de semana?

Sabido demais, Brizola já teria percebido, de repente, que Bolsonaro, segundo as pesquisas, virou a Gení nacional por causa do seu negacionismo na pandemia; se essa atitude presidencial compromete a vida da população, com seu comportamento fanático anticientífico, quem vai votar de novo na peste? O homem passou a ser percebido nacional e internacionalmente pela sociedade como inconveniente, psicopata desequilibrado. Isso sem falar no desemprego e na fome, flagelos atuais da era bolsonarista neoliberal fascista. Sem chances.

ESTRESSE BOLSONARISTA

Brizola certificaria que as pesquisas mostram uma sociedade estressada, na expectativa e na torcida, não, necessariamente, por uma experiência nova, mas por experiência comprovada; Brizola diz que se enganou com Collor por ser experiência não comprovada pela falta de experiência; especialmente, a população, como denotam as pesquisas, não quer entrar de gaiato de novo com Bolsonaro; as vantagens extraordinárias de Lula frente aos demais candidatos serão, com certeza, objeto da história para medir o sentimento popular de medo de repeteco de bolsonarismo.

Que dizem os números sobre Ciro que tem propostas semelhantes às de Lula com tom até mais incisivo no confronto com os capitalistas para reverter a realidade bolsonarista de desigualdade social que está tornando insuportável a vida brasileira no desemprego, na fome e na falta de esperança? Decepção: Ciro estava com 5%, caiu para 3%, tombo fantástico, se comparado com a subida de Lula de 44% para 48%? O que diria Brizola diante de tamanha disparidade frente aos 27% de Bolsonaro? Como sempre fez, iniciaria negociações para apoios futuros entre competidores; quem chegar na frente um apoia o outro; óbvio.

LARGADA LULISTA

Lula saiu por cima, depois da radicalizada de Ciro, nessa semana, no lançamento de sua candidatura, algo, até, anti-Brizola, que brigou, apenas, contra os neoliberais que rasgam Constituição, não com adversários potencialmente aliados em defesa de ideias democráticas comuns, como é o caso Lula-Ciro. Ciro passou a ser percebido como radical, enquanto Lula, que havia dado coletiva para a imprensa alternativa, vendeu-se imagem conciliatória; resultado: o dólar caiu e a bolsa subiu, algo, extraordinário; afinal, Lula vinha sendo há algumas semanas demonizado; a conciliação de Lula chamada Geraldo Alckmin serviu para acalmar o mercado e ver Lula como interlocutor necessário entre classes antagônicas, de modo a impedir instabilidade política detonada pelo neoliberalismo.

Ciro e Lula, historicamente,  comungam o mesmo programa contra o neoliberalismo, a partir da recuperação do desenvolvimento com justiça social, mas a retórica fez a diferença; Ciro alarmou alertando que “eles[a burguesia financeira especulativa] vão ver quando eu chegar lá”etc; agiu como espalha brasa; ao contrário, Lula, falando do mesmo assunto, com a mesma veemência, destacou que a população não pode ser usada apenas para trabalhar para a Faria Lima. E disse que conversaria com o BC Independente para se alinhar com a política econômica governamental. Quem manda é o presidente, pô!

Lula se comportou como Brizola se comportaria, na ação política, conforme deixa claro no livro “Brizola – A Legalidade e outros discursos conclusivos”, de Oswaldo Maneschi, para conquistar maioria eleitoral e levar o caneco; primeiro, diz, a Legalidade, as leis, os direitos dos trabalhadores, o interesse público, a soberania nacional; com esse discurso evitou queda de Jango em 1961, como governador resistente em armas para defender democracia; usou essa arma para lutar contra oligopólio estrangeiro de telefonia etc; Lula se envolveu na mesma luta; historicamente, na defesa da Constituição, para ser candidato; ou seja,, apelou à Legalidade constitucional; levou, desmoralizando Sérgio Moro; ficou, historicamente, fincada relação Lula-Brizola, a partir da defesa da democracia, das instituições, das leis, enfim, da Legalidade.

IDENTIFICAÇÃO NA LUTA

Os dois candidatos, na agenda econômica, são aliados irmãos; Ciro, no seu programa, ao lado de uma política antineoliberal, como a proposta por Lula, visa mesmo objetivo: dar chega prá lá nas medidas neoliberais ultra radicais, como teto de gastos e reforma trabalhista pró capital anti-trabalho; para tanto, a união entre competidores de uma causa comum deve ser a estratégia fundamental;  Brizola destaca, enfaticamente, que conversa com todos, pobres, ricos e remediados, partidos e associações, sindicatos etc, para conquistar o objetivo central: o controle do poder para derrotar o neoliberalismo; Lula e Ciro, nesse sentido, portanto, estão em momento Brizola; ambos são craques na construção de acordos para possibilitar governabilidade com apoio popular, aferido por plebiscitos para corrigir erros e omissões, se for necessário.; avançaria ou não, com ambos, democratização direta do poder, numa linha paritária de gênero, na divisão do governo?

Um porém, no entanto, faltou, até agora, entre ambos: o acordo de grandeza; falta na jogada o entendimento de Peron; o líder argentino dizia, claramente, o que se tornou um dogma na política argentina: “La verdad es la realidad”; o que é, por enquanto, la verdad, do ponto de vista, ainda, relativo? As pesquisas; que dizem elas? Lula, 48%; Bolsonaro, 27%; e, Ciro 3%; nesse cenário dominado pela velocidade da informação pelas redes sociais a percepção clara é a de que Lula tem mais chances de levar; isto é , o mais cotado para garantir vitória sobre Bolsonarismo; que faria Brizola, como negociador político, senão uma busca de entendimento, na negociação? Está lá no livro de Oswaldo Maneschi; o líder nacionalista não pestanejava: “quero todos no meu palanque, pobres, ricos, remediados, associações, partidos”. Se via como a encarnação de um movimento de união nacional. As pesquisas diziam o inconsciente nacional: união com quem tem comando dado pela preferência popular.

LULISMO E BRIZOLISMO EM MARCHA

Ou seja, Lula seguiu mesma trilha na entrevista que deu aos repórteres da imprensa alternativa: se autodenominou portador de um movimento de mudança, de libertação nacional do neoliberalismo; tanto Lula como Ciro cutucou com faca pontuda os neoliberais que deram o golpe de 2016 para criar teto de gastos para despesas sociais e isenção de teto para pagar juros e amortizações da dívida pública, a desgraça nacional; se Ciro e Lula se fecham nesse sentido para lutar contra o neoliberalismo entreguista, que produz fome e desemprego, privataria etc, com compromisso de um apoiar o outro no segundo turno, seja qual o vencedor do primeiro, estarão patrocinando a defesa da LEGALIDADE, cara a Brizola. 

Afinal, os neoliberais, no poder, romperam com a Constituição, com ajuda do judiciário, ao proibir legislativo de decidir sobre venda dos ativos da Petrobrás, por exemplo; Brizola e Lula estariam pautando juntos uma mesma batalha contra o bolsonarismo vendilhão da pátria. Lula destaca a mesma coisa: o roubo das conquistas sociais trabalhistas é ataque à LEGALIDADE;  se se fecham nesse propósito para lutar contra o neoliberalismo e um apoia o outro quem chegar ao segundo turno, caem por terra os acessórios, os golpes baixos e tudo fica mais transparente.

ESSENCIAL E O ACESSÓRIO

O essencial, por isso, deve ser relevado e os acessórios, apenas, considerados, na ordem de prioridade política, no processo eleitoral. Brizola apoiou Lula no segundo turno contra FHC, depois da derrota no primeiro; o individualismo deve ou não prevalecer nessa hora ou o consenso é que dá as cartas, na negociação conferida pelas urnas? Brizola queria o poder em armas, para defender democracia ameaçada pelos neoliberais em 61; levantou a bandeira da Legalidade, como arma da Constituição; nesse sentido, Lula e Brizola estão no mesmo palanque; Lula foi pela LEGALIDADE na luta contra os golpistas que forjaram sua prisão que o impediu de disputar eleição. Essencialmente, os programas de Ciro-Lula centram mesmo foco: dar grito de independência frente ao neoliberalismo; o país está sacrificado pelo teto de gastos imposto pelos neoliberais que deram o golpe no PT e Dilma; os dois estão alinhados em um programa comum antineoliberal para recuperar independência e soberania nacional; o que está emperrando? 

Claramente, falta pragmatismo para enfrentar la realidad = la verdad, como demonstram as pesquisas. Ciro está nervoso com a perspectiva de dançar porque sua impetuosidade o distancia da qualidade de Brizola: negociação e paciência com o adversário, se os dois estão no mesmo barco do colapso neoliberal! O pacto Lula-Ciro estaria ou não sendo construído por Brizola, se sabem ambos, Ciro-Lula, que se cada um ficar puxando corda pro seu lado, viram comida de onça?

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