Cadê o pato, Skaf?

"O pato da Fiesp precisa desfilar hoje em protesto contra o aumento de impostos de Temer-Meirelles", defende a jornalista Tereza Cruvinel, lembrando que o pato da campanha "não vou pagar o pato" desfilou em março do ano passado celebrando o rompimento do PMDB com o governo Dilma, num discurso contra impostos; "Pouco mais de um ano depois, o terreiro do golpe está uma zona, como naquela cantiga infantil: 'o pato com o marreco e a galinha com o peru'", escreve a colunista

São Paulo - Manifestação na Avenida Paulista, região central da capital, contra a corrupção e pela saída da presidenta Dilma Rousseff (Rovena Rosa/Agência Brasil)
São Paulo - Manifestação na Avenida Paulista, região central da capital, contra a corrupção e pela saída da presidenta Dilma Rousseff (Rovena Rosa/Agência Brasil) (Foto: Tereza Cruvinel)

O pato da Fiesp precisa desfilar hoje em protesto contra o aumento de impostos de Temer-Meirelles. Em março do ano passado, celebrando o rompimento do PMDB com o governo Dilma, prenúncio declarado do golpe, o presidente da FIESP, Paulo Skaf, deflagrou a campanha “não vou pagar o pato”, com anúncios na grande mídia e o lançamento do pato inflável amarelo, que logo passou a reinar sobre a massa verde-amarela que pedia o impeachment na Avenida Paulista. A porta do edifício sede da Fiesp virou QG dos coxinhas e eles ganharam quentinhas com filé mignon para manter o pique dos protestos. O pato de Skaf, que O Tijolaço descobriu ser plágio da criação gráfica de um artista holandês, foi posto defronte ao Congresso em abril para enfeitar a paisagem do golpe. Pouco mais de um ano depois, o terreiro do golpe está uma zona, como naquela cantiga infantil: “o pato com o marreco e a galinha com o peru”.

Vamos ao aumento de impostos.  Com receitas frustradas pela recessão que a instabilidade política e o receituário de Meirelles alimentam, com as torneiras abertas para garantir os votos a favor de Temer na apreciação da denúncia por corrupção passiva, o governo não conseguirá manter o déficit primário previsto para este ano em R$ 139 bilhões. Para escapar de uma votação no Congresso, onde o preço do voto está cada vez mais caro, o governo optou por aumentar o Pis-Cofins sobre o  diesel, a gasolina e o etanol, o que pode ser feito por decreto. O tamanho do rombo nas contas será explicitado hoje, no relatório anual despesa x receitas que o governo precisa apresentar a cada dois meses ao Congresso.

Enquanto a recessão campeia, frustrando a arrecadação apesar de um suspiro em junho, os expedientes do governo para aumentar a receita vão fracassando. A repatriação de recursos escondidos no exterior renderá apenas R$ 800 milhões contra uma expectativa de R$ 6,5 bilhões. O novo Refis foi completamente desfigurado pela base de Temer para beneficiar os deputados, seus sócios ou parentes que são grandes devedores do fisco, a começar pelo relator.  Os R$ 8 bilhões esperados viraram farelo. A base também segura o projeto que reonera setores da economia que desfrutam, desde o governo anterior, de isenções ou reduções de impostos.

A contração das receitas, combinada com o congelamento dos gastos e o contingenciamento do orçamento dão no que era esperado. Faltou dinheiro até para a emissão de passaportes e faltam medicamentos e insumos na rede pública de saúde em todos os estados. Nem por isso o governo deixou de liberar R$ 1,9 bilhões em emendas parlamentares para garantir a vitória que obteve na CCJ da Câmara contra o pedido de licença para que Temer seja processado por corrupção passiva. Com a votação em plenário marcada para 2 de agosto, o balcão continua aberto, apesar do aperto fiscal.  E ainda querem que os agentes econômicos acreditem na seriedade do governo e voltem a investir para fazer girar a roda da economia. Quem está pagando o pato são os 14  milhões de brasileiros desempregados. Traz o pato, Skaf.

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