Calma, gente!

Há um único caso de atraso preocupante nas obras em aeroportos, o de Fortaleza. A solução, o "puxadinho", é o mesmo usado em Londres

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Tenho sentido inquietação em relação às obras nos aeroportos das cidades-sede da Copa do Mundo. Muita gente diz que o Brasil vai passar vergonha. Editoriais acusam o governo de "improviso", de "leniência" e de não sei mais o quê.

A inquietação é em grande parte justificada, dado o nosso histórico. Durante décadas, devido à crise econômica permanente, a infraestrutura aeroportuária foi degradada: sem obras ou inovação tecnológica, com desrespeito ao passageiro.

Recuperada a moeda e controlada a crise, 40 milhões de brasileiros entraram no mercado de consumo e o número de usuários da aviação cresceu nos últimos dez anos a taxas chinesas --11% ao ano.

Para você ter uma ideia, o sistema aéreo transportou, apenas no último dia 20 de dezembro, 400 mil pessoas. Se nada tivesse sido feito, o sistema teria entrado em colapso não na Copa, mas no dia a dia.

Para interromper o contínuo caminhar para tragédia, o governo interveio. Primeiramente, determinando que a Infraero iniciasse imediatamente obras de ampliação nos aeroportos das capitais, em especial as que sediarão jogos da Copa.

Logo no início do governo Dilma, assumiu-se a necessidade de conceder à iniciativa privada os principais aeroportos do país. Rompeu-se o monopólio da Infraero, vieram para cá os melhores operadores do mundo e instituiu-se a concorrência na gestão --princípios simples que guiam a qualidade dos serviços em outros países, mas ausentes aqui.

O objetivo das concessões é dar aos brasileiros acesso a essa mesma qualidade. E vamos conseguir, pois, para isso, não tem faltado o apoio da pressão ativa dos clientes sobre as práticas da Infraero, dos consórcios, da Polícia Federal e da Receita Federal. E o risco de imagem das empresas prestadoras de serviço e dos órgãos públicos num clima de concorrência ainda é o grande aliado do consumidor.

Obras em aeroportos, porém, não acabam nunca --lamento revelar. O aumento do número dos passageiros, a inovação tecnológica e as novas demandas culturais tornam-nos fadados à atualização perpétua. Um dos mais antigos do mundo, Heathrow, em Londres, por exemplo, discute neste momento a construção de uma terceira pista. Quem conheceu há 30 anos o Charles de Gaulle, em Paris, e voltar a ele hoje vai se sentir em outro lugar. Mas quem for ao Galeão --que, assim como o de Paris, era considerado de ponta quando foi inaugurado-- reconhecerá o mesmo velho aeroporto, degradado pela paralisia. Correr atrás do prejuízo é sempre mais difícil.

Para transformar os espaços, estamos realizando obras. E elas, em que pese o mau desempenho de alguns empreiteiros, cumprirão seus objetivos. Visitei as obras críticas há alguns dias e voltarei a elas no final de fevereiro. Conversei com todos os responsáveis e constatei, para minha alegria, que no setor aeroportuário nós já não convivemos com o complexo de vira-lata.

Há um único caso de atraso preocupante, o de Fortaleza, cuja solução foi instalar um módulo de embarque e desembarque removível. Antes que alguém venha acusar o "puxadinho", saiba que é o mesmo tipo de instalação usada em Londres durante a Olimpíada de 2012, em Vancouver nos Jogos de Inverno de 2010 e em Johannesburgo e Port Elizabeth na última Copa. Por lá ninguém reclamou.

Toda a minha confiança pode não incluir acordos com são Pedro para nos oferecer permanentemente sol e céu de brigadeiro de forma a termos aeroportos sempre abertos e voos sem atraso. Mas mesmo isso pode ser mitigado com boa gestão.

Todos os aeroportos darão conta da demanda adicional da Copa --alguns com folga, já que o movimento estimado é menor do que o que tivemos no fim do ano. E todos continuarão em obras para atingir seu objetivo primordial, que é garantir conforto e segurança. Então, calma, gente! Vamos segurar a peteca. E quem sabe até ganhar a Copa.

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