Capitão age como chefe de facção, mas o "mito" é covarde

"Bolsonaro age como um chefe de facção que atira para todos os lados, em adversários imaginários, aliados “melancias” e, principalmente, no próprio pé", escreve o jornalista Ricardo Kotscho

(Foto: Alan Santos - PR)

Por Ricardo Kotscho, no Balaio do Kotscho e para o Jornalistas pela Democracia - O circo montado pelo governo Bolsonaro na inauguração do aeroporto de Vitória da Conquista, na Bahia, serviu para revelar sem retoques quem é esse capitão fake, que se faz de valente, mas tem medo do povo.

Havia até atiradores de elite em cima do prédio e tropas do Exército e da Polícia Federal e Rodoviária nos acessos, para proteger o presidente e seus 600 convidados de terno e gravata, escolhidos a dedo para gritar “Mito” quando ele entrou no saguão.

Depois de roubar o evento que era do governo da Bahia, sem ter nenhuma participação na obra, como se ainda estivesse em campanha, o capitão botou um chapéu de vaqueiro na cabeça e mandou ver num improviso de três minutos, do lado de fora, para os seus “apoiadores”, levados em ônibus da prefeitura.

“Somos todos paraíbas, somos todos baianos. O que não somos é aqueles que querem puxar para o trás o nosso estado, o nosso país”.

“Aqueles” eram os áulicos que estavam perfilados  a seu lado com cara de assustados, o retrato pronto e acabado de um país que avança para o retrocesso institucional.

Para completar a cena patética, o inaugurador de obra alheia levantou um anão nos braços e mandou “um abraço para os nordestinos e um beijo para as nordestinas”.

Bolsonaro age como um chefe de facção que atira para todos os lados, em adversários imaginários, aliados “melancias” e, principalmente, no próprio pé.

Seu linguajar tosco e rude é o de milicianos reunidos aos domingos em churrascos nos condomínios da Barra da Tijuca.

É um sujeito assustador até quando dá aquele sorriso forçado, mostrando todos os dentes, depois de falar mais alguma besteira, sem o menor respeito pelo cargo que ocupa.

Na semana passada, antes de um café com jornalistas, falou sobre governadores de “paraíba” e citou o governador do Maranhão, Flávio Dino:

“Não tem que dar nada pra esse cara”, ordenou ao chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni”, como se não houvesse Federação nem Constituição, e ele fosse o dono de uma grande fazenda chamada Brasil.

Bem fez o governador Rui Costa, do PT, o responsável pela execução da obra, que se recusou a participar dessa palhaçada.

Mesmo que quisesse ir, não teria como chegar porque a segurança presidencial proibiu o pouso do avião do governador na nova pista.

Bolsonaro, antes de embarcar, em Brasília, ainda reclamou do governador pelo Twitter, por não mandar a Polícia Militar da Bahia a Vitória da Conquista para lhe dar segurança.

“Não posso colocar a Polícia Militar para espancar o povo baiano que quer conhecer o novo aeroporto. Quem é popular, e tem medo de ir às ruas, fica em seu gabinete. Se o evento é exclusivamente federal, as forças federais que cuidem da segurança do presidente”, respondeu-lhe Costa num programa de rádio.

Era o mesmo Bolsonaro que fugiu dos debates na campanha presidencial e só apareceu na hora de votar.

Na vida real, o “Mito” é um completo desastre, o presidente mais mal avaliado depois dos primeiros seis meses de governo, em que sua única grande “obra” até agora é a reforma na Previdência, ainda inacabada, que também não é dele, mas do presidente da Câmara, Rodrigo Maia.

“No mais, é triste ver um presidente que arrota valentia, mas tem medo do povo”, resumiu o leitor Gabriel Augusto de Aquino Filho, de Recife, Pernambuco, em carta publicada na Folha desta quarta-feira.

Como todo fanfarrão, o “Mito” é, acima de tudo, um covarde que se esconde no Palácio do Planalto atrás dos generais de farda ou de pijama, que já não sabem mais o que fazer com ele.

Vida que segue.

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