Capitão fora da lei perde todas e Congresso assume o governo

O jornalista Ricardo Kotscho constata que "enquanto Bolsonaro brinca de ser presidente e perde uma atrás da outra no Congresso e no STF, Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre, na vacância do cargo, resolveram assumir o governo"

Brazil's President Jair Bolsonaro attends a ceremony for the presentation of the 2nd phase of the advertising campaign of the pension reform bill at the Planalto Palace in Brasilia, Brazil May 20, 2019. REUTERS/Adriano Machado
Brazil's President Jair Bolsonaro attends a ceremony for the presentation of the 2nd phase of the advertising campaign of the pension reform bill at the Planalto Palace in Brasilia, Brazil May 20, 2019. REUTERS/Adriano Machado (Foto: ADRIANO MACHADO - REUTERS)

Por Ricardo Kotscho, no balaio do Kotscho e  Jornalistas pela Democracia   -  Enquanto Bolsonaro brinca de ser presidente e perde uma atrás da outra no Congresso e no STF, Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre, na vacância do cargo, resolveram assumir o governo.

Só agora o capitão aloprado descobriu que suas promessas de campanha, que ele está cumprindo, eram inconstitucionais.

Em guerra contra a tomada de três pinos e o “marxismo cultural” nas escolas, ele agora só pensa na reeleição em 2022, com apenas seis meses de mandato.

No seu mundinho particular, o capitão deve estar assustado com a desenvoltura de João Doria  e Sergio Moro, que também já estão em campanha.

Na dança das cadeiras dos generais de farda ou de pijama, o presidente encontra tempo para anunciar, com uma canetada, a mudança da Fórmula-1 de São Paulo para o Rio, só para mostrar ao país que quem manda é ele.

Bolsonaro finge que governa, o STF finge que respeita a Constituição e o Congresso finge que assumiu as rédeas do país para aprovar a reforma da Previdência e acalmar o mercado.

É um país de fingidores que se protegem uns aos outros para deixar tudo como está.

Os generais Heleno e Villas-Boas cuidam da retaguarda, para impedir que Lula seja libertado, o grande pavor da nova ordem bolsonarista e seus aliados no Judiciário e na mídia.

O presidente do STF, Dias Toffoli, e a procuradora geral, Raquel Dodge, sem ter mais o que fazer, agora comparecem a todos os eventos do Executivo ao lado de Bolsonaro, como se fossem ministros do governo. Nunca tinha visto nada parecido em meus mais de 50 anos de repórter.

Nestas horas cheias de assombração, volta-se em falar em parlamentarismo como salvação da lavoura.

“Nos últimos seis meses, o modelo criou coragem para sair do armário após as barbaridades baixadas via decreto, como o das armas, a balbúrdia dos olavistas e os reiterados sinais de que a cabeça de Bolsonaro está ocupada, mesmo, com a tomada de três pinos, a importação de bananas do Equador e a ida ou não da corrida de Fórmula-1 para o Rio _ o que tomou boa parte da sua agenda nesta segunda-feira”, escreve Ranier Bragon em sua coluna na Folha.

Lá pelas tantas, o capitão resolveu transferir a demarcação das terras indígenas ao Ministério da Agricultura para agradar a bancada do boi, mas foi barrado por uma liminar do STF.

Seria mais ou menos como colocar as milícias da Baixada Fluminense para tomar conta de uma creche.

Rodrigo Maia, cada vez mais emponderado, já anunciou que a Câmara deve derrubar o decreto da liberação da posse e do porte de armas, outra obsessão de Bolsonaro.

Restará ao presidente ficar fazendo arminha com as mãos para seu rebanho de evangélicos neo-pentecostais, policiais militares, militares, milicianos e agroboys, o núcleo duro da boçalidade em marcha.

É tudo tão surrealista e inverosímel que, no auge das denúncias sobre as suas maracutaias na Lava Jato, para condenar e prender Lula, Sergio Moro resolveu viajar novamente para os Estados Unidos, a verdadeira fonte do seu poder, sem dar satisfações a ninguém.

Com o país de pernas para o ar, dançando na beira do abismo, o inacreditável presidente Jair vai participar da reunião do G-20 no Japão, certamente para a gente passar mais vergonha.

O que ele teria a dizer ao mundo, se não consegue botar ordem nem no seu quintal?

Bolsonaro e seu chanceler olavista querem promover uma reunião paralela ao G-20 para discutir os problemas da Venezuela. Dá para acreditar?

Por que eles não começam a discutir um programa de governo para o Brasil?

Já repararam que, de uns tempos para cá, Bolsonaro aparece sempre rindo, talvez orientado por seu novo marqueteiro, para mostrar que está tudo bem. Ri de que, ri de quem?

As calçadas das nossas cidades já estão ficando pequenas para tanta gente que mora e dorme nas ruas, com as empresas demitindo cada vez mais trabalhadores e fechando as portas.

Por onde anda o Paulo Guedes, o Posto Ipiranga, pau da barraca do governo, que sempre tinha respostas e soluções para tudo?

Agora ficou mais humilde, anda pelos cantos, com cara de quem comeu e não gostou.

Que me perdoem os amigos otimistas, mas esse conjunto da obra não tem como dar certo, nem com reza brava.

Vida que segue.

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