Carol Solberg sofre com o luto do genocídio e protesta (vídeos)

Semelhantes a ti, querida Carol, médicos/as, enfermeiros/as, técnicos/as, fisioterapeutas, psicólogos/as etc se consagram a estudar o coronavirus, seus diagnósticos, seus tratamentos e cuidados da melhor forma que podem

Carol Solberg
Carol Solberg (Foto: CBV)
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Prezada atleta Carol Solberg

Amada patriota brasileira

O povo brasileiro acostumou-se aos sons de tuas mãos ao tocares com arte e ciência as bolas de vôlei, elevando-nos aos píncaros do prazer das vitórias que nos dás e do orgulho de tua entrega em nossa defesa.

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Ao lado e unida a colegas valorosas oportuniza-nos espetáculos ricos de garra, inteligência, sagacidade e beleza, muita beleza das mulheres brasileiras.

Evidentemente, assim te vejo como leigo em tua arte, que precisas tocar vezes sem conta na bola e produzires sonoridades com teus toques até levares teu time às vitórias. Essas manobras parecem tornar-te ainda mais encantadora pelo significado da disciplina, da entrega, do carinho pela bola, pelo esporte e por tuas colegas. Não chegarias à respeitosa e admirada posição que ocupas olhando romântica e idealisticamente o vôlei, que tanto amas. Tu o agarras e a ele dedicas treino, cuidados corporais, rigor na busca do conhecimento de tua arte e humildade na correção de erros.

Ao te ver jogando nas areias, assim tão competente nos mínimos detalhes, mas elevadamente profissional, me transporto mentalmente aos e às milhões de brasileiros/as no exercício de competências vocacionais em todas as esferas do agir humano.

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Milhões de profissionais da saúde, como no caso do enfrentamento da pandemia que contamina e mata, se entregam a salvar vidas, jogando competentemente contra a morte, o neoliberalismo e o fascismo. As partidas que jogam são anônimas e eivadas de perseguições e de negacionismos.

Semelhantes a ti, querida Carol, médicos/as, enfermeiros/as, técnicos/as, fisioterapeutas, psicólogos/as etc se consagram a estudar o coronavirus, seus diagnósticos, seus tratamentos e cuidados da melhor forma que podem. Cansam-se à exaustão, sofrem as dores e as sensações das pessoas que não conseguem respirar, quer por debilidade causada pelo vírus, quer pelos ataques genocidas por parte de quem tem o dever de proteger o povo brasileiro. Suportam, além de tudo, os sofrimentos das milhões de famílias e ente queridos que perdem pessoas para o colapso causado na generalização pelos órgãos.

Daí é possível fazer analogia real com os/as trabalhadores/as de todas as áreas nas suas dedicações ao que fazem pelo bem do povo brasileiro, com todas as exigências semelhantes às que te impões na tua qualificação técnica como a grande jogadora internacional.  

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Mas numa coisa todos/as os/as trabalhadores precisamos nos inspirar em ti, querida Carol. É imperativo categórico nosso te seguirmos na ruptura da contradição que dicotomiza assombrosamente o sermos competentes como o és no vôlei e na luta pela dignidade do povo brasileiro, de seus direitos, de sua democracia, de sua saúde e de ter o Estado a seu serviço.

Demonstraste que em tua alma não existe muralha entre a jogadora de vôlei e o teu país. Assim o demonstraste na entrevista pós-jogo neste sábado (9/10), no Open de Duplas do Circuito Brasileiro de Vôlei de Praia, no Rio de Janeiro.

Ao criticares a sua excrescência miliciana (este tratamento é meu) Jair Bolsonaro pela defesa estúpida e negacionista que faz do nazista tratamento precoce,  demonstraste o quanto de amor uma profissional patriótica pode mostrar ao oferecer seu nome prestigioso e sua liderança à defesa da vida e na denúncia da barbárie.

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Ao atacares a desumanidade do fantoche da imbecilidade neoliberal, que exerce a inescondível barbárie ao vetar a distribuição gratuita de absorventes a estudantes adolescentes pobres das escolas públicas, tu exemplificaste do quanto é dever ético nosso o de não nos isolar em nossas atividades profissionais, que o mercado usa somente para gerar lucros, de preferência escondendo as macros injustiças, como  as assombrosas que denunciaste.

Foste além na tua grande jogada de poucos segundos, mas que se eternizará política e socialmente em todos nós.

Disseste, Carol: 

“a gente completou 600 mil mortes por Covid. A gente tem um presidente defendendo tratamento precoce nessa altura do campeonato. Isso é muito sério. Me dói muito ver o Brasil representado por isso”.

Eu fico muito triste, O Brasil para mim é um país maravilhoso. Eu tenho maior orgulho de tanta coisa que o Brasil representa.

Mas me dói muito ver esse momento, sabe? Eu sou atleta, adoro estar aqui jogando, mas eu não entro em quadra e fico alheia a tudo que está acontecendo.

Então me dói muito. Eu estou aqui como cidadã, como atleta.

Esse é um momento muito duro’, acrescentaste.

É disso que se trata, irmã brasileira: sentes tristeza com um governo fantoche neoliberal, um governo do mercado, de ministros da morte, dos paraísos fiscais, da negação da ciência, da proteção da pandemia e do empurrar o povo para a morte, das rachadinhas milicianas, da afronta à ciência, dos incêndios literais às matas, da seca que mata de sede, do desemprego que desprotege economicamente as famílias, da privataria e de todas as desgraças.

A tua tristeza pelas 600 mil mortes é a mesma da vergonha que se transformará em suicídio de milhões de mulheres adolescentes por não contarem com o mínimo de proteção dada por absorventes.

A diferença em relação à tua tristeza com toda a brutal agressão que o Brasil sofre e a de muitos outros, que esperam somente por eleições, por um messias salvador da Pátria, ou que a ordem capitalista, na sua derrocada final e cruel, se reinvente, é que contas com tua genialidade e liderança profissional para protestares, para denunicares, para apontares o caminho da luta que cabe a todos/as nós.

Obrigado, querida Carol Solberg!

Abraços proféticos e revolucionários,

Dom Orvandil.

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