Carta a Michelle Bachelet

A bajulação e a congratulação aos tiranos ditadores como no caso de Augusto Pinochet, Carlos Alberto Brilhante Ustra, entre outros criminosos, revela de forma contundente o processo de retrocesso civilizatório no qual o Brasil caminha

“A solidariedade é o sentimento que melhor expressa o respeito pela dignidade humana.”

Excelentíssima Senhora Comissária dos Direitos Humanos da ONU e ex-presidente do Chile, Michelle Bachelet:

Dentro dos princípios civilizatórios, que boa parte do povo brasileiro possui as declarações grosseiras e repugnantes do presidente brasileiro, Jair Bolsonaro sobre a senhora e seu pai causou-nos vergonha e ultraje por esta lamentável atitude de um chefe de Estado.  

Infelizmente a sociedade brasileira - por meio democrático - coexiste com um dos momentos mais deletérios de nossa História. Repetimos, inadvertidamente, os erros cometidos pelos italianos na década de 1920 e os alemães na década de 1930.  

Digo isso devido à mentalidade enferma, preconceituosa, e deformada de que, a cada declaração que o chefe de Estado do Brasil profere, atenta os princípios basilares do bom senso e da civilidade.

A ascensão desta figura grotesca, caricata e bufônica, é resultado do alto grau de polarização e patologia que acometeu a sociedade brasileira nos últimos anos, como também é o ensejo dos erros táticos e estratégicos das forças progressistas no Brasil.

A repulsa política propagada incessantemente pelo monopólio midiático, associada a uma turma de moralistas sem moral sitiada na denominada “República de Curitiba”, e a ineficiência e inabilidade das forças progressistas em responder aos clamores populares foram as condições basilares para o surgimento desta figura tosca como o atual presidente. 

Não tivemos o amadurecimento que os uruguaios tiveram na constituição da Frente Ampla; nem conseguimos ter a grandeza que Cristina Kirchner teve na Argentina; mas tivemos o desprendimento e a nobreza de Leonel Brizola, em 1998.

Entretanto, para consternação geral, o linguajar abjeto e desprezível contido nas declarações grosseiras do presidente, não é mero espasmo inadvertido. É, de fato, a mentalidade e a concepção dele e de boa parte do seu governo.

A bajulação e a congratulação aos tiranos ditadores como no caso de Augusto Pinochet, Carlos Alberto Brilhante Ustra, entre outros criminosos, revela de forma contundente o processo de retrocesso civilizatório no qual o Brasil caminha.

Adorador de torturadores e bandidos, inábil e truanesco no exercício da presidência faz da agressão palanque para seus seguidores tão enfermos como tal.

Neste sentido o mundo que não compactua com a barbárie, com o bestial, com o primitivo solidariza-se aos bravos chilenos que resistiram e doaram suas vidas contra a tirania do facínora, Augusto Pinochet, como também aos que continuam a sonhar e trabalhar por uma sociedade mais justa para que não se reproduzam mais mentalidades tão doentes como do presidente do Brasil.

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