Carta aberta ao jornalista (sic) Augusto Nunes

Para que saiba, eu, professor há 14 anos, só tive o desprazer de ler suas postagens na sexta-feira (12/02), quase uma semana depois. Isso porque o “vagabundo” aqui estava atarefado durante toda a semana, preparando aulas e atividades, inclusive nos dias que deveriam ser de descanso

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Com repulsa, mas sem qualquer surpresa,  deparei-me com dizeres verborrágicos do tal jornalista (sic) Augusto Nunes atacando a cada um de nós, professores e professoras.

(Apesar de atualmente não lecionar em escolas públicas, tomei as dores por tamanhos impropérios desferidos por esse bolsonarista).

É de uma atitude nefasta quando ele – me recuso a ser polido e respeitoso, por isso o trato como um mero simples sujeito de terceira pessoa – diz que somos “militantes do PT disfarçados de professores" que “insistem em continuar recebendo salários sem dar aulas”.

É raso seu argumento de que nós, professores, comprometidos com a verdade, com a verdadeira justiça social e com vidas, sejamos todos “militantes do PT”. Não que seja uma ofensa sermos chamados de petistas, muito pelo contrário. Mesmo não sendo um, tenho respeito e admiração por esse partido, principalmente pelas figuras ilustres e reconhecidas mundialmente como Lula e Dilma – pessoas honradas e comprometidas com o povo. Governos progressistas que tanto incomodaram a elite soberba e arrogante que deseja perpetuar a vassalagem. Governos que investiram significativa na educação  e soberania popular. Ofensa seria se fosse chamado de “bolsonarista" ou “tucanalha".

Para que saiba, eu, professor há 14 anos, só tive o desprazer de ler suas postagens na sexta-feira (12/02), quase uma semana depois. Isso porque o “vagabundo” aqui estava atarefado durante toda a semana, preparando aulas e atividades, inclusive nos dias que deveriam ser de descanso.

(Ah! E meu salário não leva em consideração todo esse serviço extra que temos em casa, ok?).

Mas é claro que para um sujeito que prolifera o ódio e apoio à necropolítica jamais saberia disso, pois não sabe o que é ser um verdadeiro cidadão e educador.

Quando se avalia seu histórico, é compreensível tamanha estupidez.

Um ser apoiador de golpes contra a democracia, possuído por um espírito egoísta e desumano.

Saiba que, se pudéssemos escolher, tenho certeza que os “vadios e vadias", optaríamos sim pelas aulas presenciais, afinal, sabemos que mais do que a dificuldade de nós e dos alunos e alunas interagirem com educação remota, nossos esforços e dedicação triplicaram com o tal ensino híbrido. Não à toa, estamos todos e todas esgotados desde que tivemos a necessidade de adequarmos a essa nova realidade.

No entanto, conscientes da urgência e manutenção do distanciamento e isolamento social, até que vacinas sejam administradas em grande parte da população, somos contra o retorno presencial.

Caso estudasse um pouco – o que não parece ser seu caso por conta da ignorância – entenderia que quanto mais o vírus circular, não apenas teremos mais e mais casos de doentes e a sobrecarga do sistema de saúde, mas ainda maiores chances de novas variantes surgirem,  ameaçando a eficácia das vacinas.

(A tal seleção natural, que favorece a sobrevivência de organismos – no caso, os vírus – mais aptos a determinada pressão ambiental. A mesma seleção natural que, assim espero, extinga espécies nocivas, que apenas fazem volume em nosso planeta, sem qualquer valor e contribuição para com o coletivo).

Assim, antes de querer atacar essa classe que tanto luta por um país soberano e valoroso, e não subserviente aos interesses do capital estrangeiro, tenha um mínimo de respeito.

Somos pessoas honradas, dignas. Ao contrário de golpistas, lesa-pátrias. Profissionais desvalorizados não apenas pelo governo, mas por lambe-botas como você.

Mas, para sua infelicidade não será essa sua fala que nos fará desistir. Amamos o que fazemos. Sabemos de nossa importância, ainda mais em tempos obscuros e de negacionistas tendo voz na sociedade.

Somos defensores e adoradores de Paulo Freire, pois acreditamos que a Educação deve ser libertadora. Luto para nós é verbo! E lutaremos para isso.

Lutaremos para que nossos alunos e alunas sejam pessoas sábias, cidadãos e cidadãs críticas, sujeitos participativos dessa sociedade destruída pela ascensão de um fascismo travestido de democracia. Lutaremos para que sejam homens e mulheres dignos e livres, para que jamais sejam como você, um ser abjeto e repugnante.

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