Carta aberta para Leandro Karnal

Para mim é surpreendente sua ingenuidade política, seu relativismo interpretativo e ausência absoluta em seu conhecimento sobre agentes corporativos e geopolíticas que colocam pressões sobre o sistema judicial na América Latina

Carta aberta para Leandro Karnal
Carta aberta para Leandro Karnal

As derrotas de Lula

Sr. Karnal, Muitas pessoas dizem: a justiça determinou ou a justiça deu essa condenação, a justiça disse tal coisa.

Isto é, falar das decisões da burocracia do poder judicial, nem sempre é falar de justiça. Esses cidadãos confundem a determinação de um juiz com o anseio universal de justiça que todo homem tem.

A determinação de um juiz pode fazer justiça ou não. Porque um juiz pode cometer uma improbidade ou aplicar uma lei atual que é injusta.

A justiça é um valor cultural universal. Esses ideais são apresentados no espírito humano como uma aspiração que há muitos desejos, mas podemos destacar: Respeito, justiça, igualdade e liberdade.

Mas estes não são valores absolutos, mudam com países, culturas, políticas e tempos.

E o que nos faz pensar que esse tempo ou cultura é o mais justo?

Sr. Karnal, no YouTube eu vi um vídeo de você chamado de "As derrotas de Lula". Aqui você reivindica o princípio da autoridade. Se você quer se chamar um filósofo nos salões de São Paulo por seus contemporâneos, você não pode cometer essa falácia.

Estude no quinto ano do ensino médio na Argentina, com uma excelente professora de filosofia, todas as falácias argumentativas.

A falácia cometida por você, Sr. Karnal em latim, é chamada de "argumentum ad verecundiam" e é bem popular para aqueles que conhecem os manuais básicos de filosofia.

Senhor Karnal, argumentum ad verecundiam é uma falácia lógica relacionada ao princípio absoluto da autoridade. Essa falácia é praticada argumentando que um fato ou raciocínio é verdadeiro, só porque foi aplicada por uma autoridade sobre o assunto.

Depois você argumentou que Lula tem bons advogados e dinheiro para pagá-los.

Para mim é surpreendente sua ingenuidade política, seu relativismo interpretativo e ausência absoluta em seu conhecimento sobre agentes corporativos e geopolíticas que colocam pressões sobre o sistema judicial na América Latina.

Te digo com todo o respeito, você deve ver mais vídeos de 247 para entender mais de política.

Senhor Karnal, Você conhece alguém da classe média que tenha sido condenado no Brasil a doze anos de prisão por um apartamento sem documentos?

O conceito de justiça para alguém que presume de filósofo deve ser submetido a uma reflexão realista e ao rigor constante, e não a um mero princípio de poder ou autoridade.

Muitos advogados se autodenominam doutores sem ser, e muitos acadêmicos e comentaristas se autodenominam filósofos sem ser.
Sr. Karnal, a doutrina desses que se autodenominam filósofos não é conhecida, mas se conhecem seus interesses econômicos e propagandísticos, sabemos também que muitos vendem seus serviços para quem melhor paga.

Deve ser que eles queiram estar nas prateleiras ao lado de Nietzsche ou Schopenhauer. Mas para estar ao lado dos grandes filósofos nas bibliotecas do mundo não deveria cometer falácias primárias, típicas de um emergente ou um principiante no assunto.

Durante séculos a escravidão era legal no Brasil, juízes e o sistema legal a consideravam legítima e isso não significa que a justiça fosse feita.

Senhor Karnal, a justiça é um desejo universal e você, com suas reflexões na mídia, deveria contribuir para alcançá-la.

Um abraço

Guillermo Gómez

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