Casa Grande & Senzala

A sociedade brasileira é certamente, uma das mais estratificadas e injustas do mundo; No período pré~Lula, o nosso país sempre exibiu no peito a medalha de bronze entre as maiores concentrações de renda do planeta ( medalha de ouro para Honduras, prata para Serra Leoa), com 10% dos inquilinos da Casa-Grande abocanhando mais da metade da renda nacional.

O aumento real do salário mínimo estimulando o consumo onde quase não existia e o bolsa´-família alimentando toda uma cadeia produtiva onde não existia nada e o país passou a ser admirado em plagas europeias e copiado em terras latino-americanas. As consequências políticas imediatas, foram 13 anos ininterruptos do poder fora da varanda da Casa-Grande.

Pura ingenuidade de quem acreditou na manutenção desse novo status quo, com a elite a observar de braços cruzados, habitantes extraídos da senzala, a mexer os cordões da política nacional

Antônio Gramsci, pensador italiano, fala da perpetuação do poder em mãos da burguesia, alicerçada em três pilastras: o conservadorismo da educação tradicional ( Paulo Freire fez um contraponto a essa educação), a religiosidade alienante e a IMPRENSA movida ao sabor dos interesses das classes dominantes

Um olhar mais atento no Brasil atual e vamos observar uma mídia poderosa, oligopolizada por umas poucas famílias, que joga no time da Casa-Grande a moldar o pensamento e o comportamento de uma imensa massa de brasileiros.

A escalação desse time começa pela zaga, formada pelas revistas Época, Isto É, com cerca de 300 mil seguidores ( cada uma) e a Veja com cerca de um milhão de torcedores. Atuando no meio de campo, os jornalões Folha. O Globo, Estadão, visitados diariamente(cada um ) por cerca de 170 mil admiradores e no ataque, destaque para o artilheiro do time, mais conhecido como JN, com 20 milhões de seguidores diários

No time adversário, jogando pela esquerda, a destemida e solitária Carta Capital com minguados 70 mil adeptos

É Golias contra Davi, com a funda, devidamente nas mãos do gigante

Durante três anos o timão de Golias estraçalhou a imagem da equipe de Davi e na última temporada, em torneio disputado em Brasília, aplicou três goleadas, muito comemoradas pela galera que embolsa mais da metade das riquezas do país.

E foi assim que a taça do poder retornou à varanda da Casa-Grande, com remotas perspectivas de retornar às mãos do pessoal que saiu da senzala.

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