Caso Sidão: a ignomínia da Globo e o exemplo de Herrera

Quem a Globo pensa que é para humilhar um cidadão brasileiro que ganha a vida honestamente? Pensando bem, esperar o que de quem ostenta uma folha corrida recheada de apoio a golpes e ditaduras e sempre se posicionou contra as boas causas do Brasil e do povo brasileiro? No episódio envolvendo Sidão, aliás, a Globo foi mais Globo do que nunca

Segundo o dicionário online dos significados, "ignomínia é um substantivo feminino que significa vergonha pública grave, e é sinônimo de infâmia, opóbrio, estultícia e vitupério. A ignomínia é uma manifestação que tem como objetivo humilhar ou rebaixar uma pessoa, consistindo num ultraje ou numa afronta. Exemplo: 'quando fui demitido, o meu chefe me insultou na frente dos meus colegas.' Essa foi a maior ignomínia que eu já passei."

Observemos, então, como essa expressão cai como uma luva no episódio deste domingo, 13/5, Dia das Mães, no qual a TV Globo "premiou" o goleiro Sidão, do Vasco da Gama, como o "craque" da partida em que o time de São Januário perdeu para o Santos, no Pacaembu, em São Paulo, por 3 X 0.

Para os pouco ligados em futebol, vale a pena detalhar as circunstâncias de mais uma ação nefasta global a engrossar seu currículo repleto de assassinatos de reputação.

Sidão é um trabalhador honrado, um profissional que vive do futebol. Goleiro razoável, teve boa passagem, há poucos anos, pelo meu Botafogo, do Rio de Janeiro, que o contratara ao Audax paulista. Depois, seguiu sua carreira no São Paulo, Goiás e agora defende o Vasco.

No atual Campeonato Brasileiro, cuja quarta rodada se encerrou neste fim de semana, a Globo vem elegendo o melhor jogador das partidas transmitidas por ela através de votação dos telespectadores pela internet.

Pois bem, no jogo entre Santos x Vasco, o goleiro Sidão, além de ter falhado no primeiro gol do adversário ao sair jogando de forma equivocada, não esteve decididamente numa tarde feliz cometendo outros erros ao longo da partida. Coisas do futebol que em nada maculam a seriedade do atleta profissional e sua dignidade como integrante da classe trabalhadora.

A torcida tem o direito de vaiá-lo, a imprensa especializada de criticá-lo tecnicamente. Cabe ao treinador de sua equipe chamá-lo a atenção, recomendar-lhe reforço de treinamento ou não escalá-lo na próxima partida. E só.

Voltando ao prêmio da Globo, em brincadeira de gosto duvidoso - vá lá, uma galhofa de torcedor -, Sidão foi eleito pelos internautas o melhor em campo, quando na verdade figurou entre os piores. E o que fez a Globo? Em vez de preservar o ser humano e suspender a promoção nesse jogo, agiu como se nada tivesse acontecido submetendo sua repórter ao constrangimento de entregar a Sidão o objeto que representa o prêmio.

Humilde, meio atordoado ainda, Sidão aceitou a premiação. Mas quando a ficha caiu instantes depois disse ter sido desrespeitado e pediu reflexão às pessoas.
Vários repórteres, cronistas e analistas criticaram duramente a Globo e se solidarizaram com Sidão, inclusive comentaristas da própria empresa, como Casagrande. Mas o estrago estava feito.

Quem a Globo pensa que é para humilhar um cidadão brasileiro que ganha a vida honestamente? Pensando bem, esperar o que de quem ostenta uma folha corrida recheada de apoio a golpes e ditaduras e sempre se posicionou contra as boas causas do Brasil e do povo brasileiro? No episódio envolvendo Sidão, aliás, a Globo foi mais Globo do que nunca.

Cabe aos jogadores se prevenir contra estas armadilhas. Um exemplo a ser seguido foi dado pelo argentino Herrera quando de sua passagem pelo Botafogo. Depois de uma partida, na qual por ter feito três gols fazia jus a pedir música no programa Fantástico, uma bobagem que dura até hoje, o gringo respondeu ao repórter da Globo com cara de poucos amigos : "Pedir música é o cacete."

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