Celso Marconi – O Senhor do Tempo de Cinema

Para todos nós e livres foi no mínimo emocionante ver o mais longevo crítico de cinema do mundo, na altura dos seus 90 anos, ativo e produtivo como é prova o que ele tem publicado nos últimos tempos no Vermelho

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A biografia “Celso Marconi: O senhor do tempo”, de um dos melhores críticos de cinema do Brasil, foi lançada sexta-feira em evento virtual. Para todos nós e livres foi no mínimo emocionante ver o mais longevo crítico de cinema do mundo, na altura dos seus 90 anos, ativo e produtivo como é prova o que ele tem publicado nos últimos tempos no Vermelho. Na ocasião, ele estava risonho, até parecia que a emoção era só da gente. Parecia. 

O autor da biografia, Luiz Joaquim, é crítico pernambucano, jornalista e professor de cinema. No momento, é vice-presidente da Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine). Já no texto que anuncia o livro, está escrito:

“Desde os anos 1950, o jornalista, cineasta, professor, crítico de arte, gestor e curador cinematográfico Celso Marconi influencia a formação de gerações de cinéfilos, com suas análises reflexivas, sempre ressaltando a importância da produção artística brasileira, em particular o cinema de Pernambuco, ressaltando a atenção ao viés social, que nunca deveria estar dissociado da produção intelectual, segundo a sua ótica como adepto do comunismo. Entre suas inúmeras atividades, Celso Marconi foi crítico de cinema do Jornal do Commercio; diretor do Cineteatro do Parque e do Museu da Imagem e do Som de Pernambuco; autor de mais de 20 filmes; gestor da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco e professor de Cinema no curso de Jornalismo da Unicap. Atualmente, com mais de 90 anos, colabora com os sites vermelho.org.br, um informativo de esquerda, e cinemaescrito.com, dedicado à crítica e ao jornalismo cinematográfico. Esta biografia aprofunda o olhar sobre um Celso Marconi que sempre se jogou de cabeça na aventura de viver todas as suas paixões, desde a aventura de conhecer a China de Mao em plena ditadura militar brasileira, a eterna aventura que é fazer cinema no Brasil, e a grande aventura de amar e ser amado, que lhe rendeu inúmeros amigos, lindas mulheres, muitos filhos e netos. E, por tudo isso, cada vez mais admiradores.”. 

A isso poderíamos resumir: no livro encontramos a história do cinema no Recife, o combate aberto no mundo da cultura, a trajetória de um crítico que antecipou os erros do primeiro filme Auto da Compadecida. Mas os resumos são linhas curtas de um longa e fértil vida, um modelo de cidadão e crítico para todos que militamos no duro exercício da arte. 

Como toda biografia, no livro há o relato de acontecimentos reais, como a morte da mãe de Celso Marconi, quando o nosso crítico estava com 3 anos de idade. A partir daí, a infância em muitas casas de parentes. Não foi à toa que, nos anos de juventude, Celso Marconi leu com entusiasmos os romances de Charles Dickens, o autor fundamental da infância em todo o mundo. Com Dickens, ele se encantou pelo menino órfão Oliver Twist, que semelhante a ele não teve a felicidade do amor de mãe. Mas nos interessa, como leitores egoístas, saber da sua luta e militância cultural. E, com efeito, podemos ver na biografia.... Mas, diabo, o formato em e-book não permite copiar e colar. Então, leio os trechos e reproduzo de memória, sem a prova literal entre aspas:

Ariano Suassuna havia passado os diretos cinematográficos da sua peça “Auto da Compadecida” para George Jonas, um diretor húngaro, que de fato em 1969 realizou “A Compadecida”. Celso Marconi criticou a entrega dos direitos a um diretor estrangeiro, pois logo ele, Ariano Suassuna, que era tão defensor do cultura-raiz do sertão nordestino. Já antes, Ariano havia negado os direitos de filmar a Anselmo Duarte, o inspirado diretor de O Pagador de Promessas. Mas reconhecemos que Ariano Suassuna tinha o direito de entregar a sua peça a quem ele achasse melhor. Mas o que não foi certo a reação de Suassuna às críticas que recebeu de Celso Marconi e Jomard Muniz de Brito, por acréscimo. Em plena sessão do Teatro Popular do Nordeste, Ariano Suassuna partiu para cima de Celso Marconi, que se encontrava sentado, e lhe atirou um soco no rosto. O problema é que a agressão, esse desvio feroz de resposta a uma crítica, não resolveu a contundência maior em palavras de Celso Marconi. Ele se mostrou certo, em uma feliz antecipação do que viria. Até hoje, ninguém sabe no Brasil o que foi mesmo A Compadecida. O que todos conhecem é a grande realização de Guel Arraes:  O Auto da Compadecida, um filme de cineasta nordestino sobre o gênio da peça de Ariano Suassuna. 

De passagem, anoto uma outra profecia que se cumpriu, olhem só: imaginam quem representou a Compadecida? Regina Duarte! Ah, o tempo, ah, o tempo e sua realidade porcina. Fracasso de crítica nacional e de público. O filme não foi salvo nem por Aguinaldo Batista, o comediante que fazia o papel do sacristão.  

Haveria, existem ainda muitos fatos que devem ser destacados na biografia escrita por Luiz Joaquim: o papel fundamental de formador de novas gerações de amantes do cinema, o de guru da arte para mais de um cineasta pernambucano, um homem de cinema sem o qual talvez não existissem os cineastas que hoje o Brasil inteiro conhece. Saibam: Celso Marconi formou mais de um cineasta famoso no mundo, aqui no Recife. Seria bom que eles viessem a público e contassem o que devem a nosso gênio da crítica. 

Mas a hora é tarde e tenho que enviar a coluna. Depois de tirar o meu computador da oficina, o tempo foi curto para mim, dividido entre reler a biografia e escrever sobre ela. Então segue este curta para a mais longa metragem de uma vida. Por 11 reais e 90 centavos vocês conhecem este feliz resumo. “Celso Marconi: O senhor do tempo”  

Disponível em e-book

http://editora.cepe.com.br/livro/celso-marconi---o-senhor-do-tempo 

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