Censura e desinformação pra aprovar a PEC 06

Os parlamentares devem ser pressionados em suas bases, pessoalmente, e em seus gabinetes, por meio de telefonemas e mensagens via e-mail. A mensagem deve ser clara e objetiva, todo parlamentar que votar a favor da reforma da Previdência será considerado um traidor

Censura e desinformação pra aprovar a PEC 06

Hoje faz quatro anos que o braço armado do estado do Paraná foi usado para massacrar uma ação pacífica da classe trabalhadora contra a usurpação de R$ 8,5 bilhões da Paraná Previdência. A medida contra a qual atuaram os trabalhadores é irmã gêmea da Nova Reforma, proposta pelo ultraliberal ministro da Economia, Paulo Guedes, cuja pretensão é que mais de 70% dos trabalhadores, notadamente quem a renda varia entre um a três salários mínimos, paguem pelo R$ 1 trilhão que o ministro pretende dar aos bancos para eles venderem planos de previdência privada e ficarem ainda mais ricos.

A saída para a classe trabalhadora é o enfrentamento à censura e à desinformação que estão sendo impostas à opinião pública. Autoritário, o governo determinou sigilo dos dados que supostamente embasaram os cálculos da proposta. Ou esses dados não existem e, portanto, está-se propondo sacrifícios aos mais pobres sem base em qualquer informação que se justifique, ou os dados corroboram o que a oposição já vem denunciando, desde que a PEC06 chegou ao Congresso, que ela nada mais é que um arrocho fiscal que ampliará a já crescente miséria. Desde a supressão da democracia, em 2016, aumentou em mais de dois milhões o número de pessoas em situação de miserabilidade. Parte da imprensa é caixa de ressonância do mercado financeiro. Defende a reforma e sonega informações que demonstram o quanto a PEC é deletéria para a maior parte do tecido social e benéfica apenas para os bancos.

Em ato falho, lideranças partidárias declararam a um grande jornal que o governo ofereceu R$ 40 milhões para cada parlamentar que votar a favor da reforma. Tanto a oferta, quanto a imposição de sigilo de dados são sinais claros de que a reforma não pode ser boa para a classe trabalhadora. O atual governo é autoritário e, portanto, pode-se esperar que as ações de rua dos trabalhadores sejam tratadas como, em 2015, quando 213 servidores públicos desarmados e indefesos foram massacrados pela Secretaria de Segurança do estado do Paraná, quando tentavam impedir que a previdência fosse usada pagar juros a bancos.

De qualquer forma, o enfrentamento é inevitável. Se a classe trabalhadora não tem o poder bélico do Estado, tem a inteligência e capacidade de articulação grande o suficiente para barrar esse retrocesso. Além dos argumentos que desmontam a tese do governo, quanto à necessidade de reforma da superavitária Seguridade Social, a sociedade possui um argumento infalível para convencer deputados, o voto. Os parlamentares devem ser pressionados em suas bases, pessoalmente, e em seus gabinetes, por meio de telefonemas e mensagens via e-mail. A mensagem deve ser clara e objetiva, todo parlamentar que votar a favor da reforma da Previdência será considerado um traidor, e, portanto, desmerecedor do voto popular.

A maior parte dos parlamentares que aprovou a reforma trabalhista do Temer, não se reelegeu, em 2018. A mobilização da classe trabalhadora deve ser de forma que o governo não tenha dúvida de que, somente pela força ele conseguirá aprovar a PEC. Nesse sentido, é fundamental que a proposta seja a pauta em todos os espaços, desde o lar, à rua, passando pelo local de trabalho e de socialização de lazer. Até mesmo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em recente entrevista, contribuiu para debate, ao convidar Guedes a visita-lo, quando ele demonstraria ao ministro que, para juntar mais de R$ 1 trilhão, não é necessário tirar dos pobres. Pelo contrário, Lula e Dilma tiraram cerca de 40 milhões de brasileiros da fome, sem tirar direitos.

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