Chanceler repete barbaridade histórica e vira galhofa mundial

"Não bastasse já ter aprontado tanto, ele verbalizou uma das maiores sandices que a direita e os bolsonaristas espalham pelas redes sociais: a de que o nazismo e o fascismo são movimentos políticos de esquerda. Uma parvoíce com nome e sobrenome que, naturalmente, logo repercutiu na comunidade acadêmica e políticas mundial", avalia o jornalista Gilvandro Filho, do Jornalistas pela Democracia, sobre o desempenho do indicado de Olavo de Carvalho para o Itamaraty; "O Brasil ganhou mais essa piada (sem graça) para seu repertório oficial"

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Por Gilvandro Filho, do Jornalistas pela Democracia - Muito usada no passado, uma máxima costumava fazer analogia com Roma Antiga e decretava que "à mulher de Cesar não basta ser honesta, mas também parecer honesta". A equipe de Jair Bolsonaro vai pela mesma estratégia e celebra outra máxima: "não basta ser bizarro, mas passar a certeza de que não tem mesmo noção nenhuma". Alguns ministros vão por essa trilha. O "chanceler" Ernesto Araújo faz dela o seu caminho e o seu norte.

Trata-se de um dos mais lídimos representantes do bolsonarismo, seja no campo político, seja na área intelectual. Seguidor e liderado do "filósofo' e astromante Olavo de Carvalho, que o indicou para o cargo, o ministro das Relações Exteriores é membro do grupo dos "inacreditáveis", junto com Damares Alves, Ricardo Salles, Onyx Lorenzoni e o resistente Vélez Rodrigues. Cada qual a seu modo e com repertórios próprios, eles respondem pelo lado mais bizarro do governo, aquele que contribui, firmemente, para jogar a imagem do Brasil no ralo diante da comunidade internacional.

Ernesto Araújo não chega a ser o mais hilariante, pois é uma tarefa praticamente impossível tirar de Damares tal galardão. Mas ele se esforça. Vez por outra sai com uma "genial". O que tem de mais curioso é a sua própria presença em um ministério que exigiria, em um governo normal, alguém com outra estatura. A repercussão de sua indicação foi ruidosa e provocou muita reação entre os diplomatas e por parte de quem acompanha o dia-a-dia do Itamaraty. Soube-se logo depois o porquê da estranheza generalizada.

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No governo, a impressão é de que ninguém o leva muito a sério. A partir do próprio Bolsonaro que nunca reserva para seu "chanceler" as funções mais relevantes. Foi o caso da visita reservada do presidente a Donald Trump, na Casa Branca. Lá dentro, além dos dois chefes de Estado, tinha tradutor, assessor, secretário. Tinha também Eduardo Bolsonaro, um dos filhos do presidente brasileiro, aquele que, na prática, dá as cartas no ministério formalmente ocupado por Araújo, que, como todo mundo sabe, ficou de fora da visita a Trump.

Na crise envolvendo a Venezuela, Ernesto Araújo tem cumprido à risca o "script" a ele determinado por Jair e Eduardo que, por sua vez, já recebem roteiro pronto da Casa Branca. Mesmo assim, de vez em quando ele mete as mãos pelos pés. Ocorreu isto no episódio da chegada de aviões e tropas da Rússia a Caracas. À agência Reuters, um empolgado Araújo soltou o verbo e "sugeriu" a Moscou reconhecer o "governo" autoproclamado de Juan Guaidó e deixar a Venezuela para "não aprofundar o colapso da economia e sociedade venezuelanas" daquele país. Faltou combinar com os russos que, como era de se esperar, não deram a mínima.

Outro disparate do desditado Ernesto Araújo aconteceu durante uma "entrevista" concedida a um canal de extrema-direita, no Youtube. Não bastasse já ter aprontado tanto, ele verbalizou uma das maiores sandices que a direita e os bolsonaristas espalham pelas redes sociais: a de que o nazismo e o fascismo são movimentos políticos de esquerda. Uma parvoíce com nome e sobrenome que, naturalmente, logo repercutiu na comunidade acadêmica e políticas mundial. O Brasil ganhou mais essa piada (sem graça) para seu repertório oficial.

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A falácia do nazismo e do fascismo como ideologias oriundas da esquerda ganhou corpo com a extrema-direita a partir dos "ensinamentos" de figuras como o já citado Olavo de Carvalho. O também citado Eduardo Bolsonaro é um propagador dessa parvoíce que não deixa de ser uma fakenews, área que domina.

Há outras teses estapafúrdias que os bolsonaristas adoram. Uma delas, defendida por um bando de alucinados, brada a Terra nunca foi redonda, mas plana feito uma pizza gigante a flanar pelo universo. Aguarda-se o dia que um dos integrantes do governo Bolsonaro saia por aí defendendo algo do tipo. Mesmo tendo no ministério um astronauta, provável testemunha ocular da curvatura terrestre.

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Aguardemos.

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