Chega de crise!

"A derrota do impeachment é a possibilidade que o pais tem hoje de fechar a pagina negativa da crise, a partir de um novo governo e uma proposta de retomada de um pacto nacional de desenvolvimento com distribuição de renda, adaptado às condições econômicas e internas", diz o colunista Emir Sader; "A alternativa não é a de retornar ao governo da Dilma, tal qual ele existiu. É evidente que tanto a coordenação política, como também adequações na política econômica terão a ver com o papel do Lula", afirma; leia a íntegra

Brasília- DF 17-03-2016 Presidenta Dilma durante posse do ministro Lula e outros ministros.Foto Lula Marques/Agência PT
Brasília- DF 17-03-2016 Presidenta Dilma durante posse do ministro Lula e outros ministros.Foto Lula Marques/Agência PT (Foto: Emir Sader)
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O que se decide no voto da Câmara não é apenas se o golpe vinga ou a democracia o derrota. É também a decisão de se prolonga e se aprofunda a crise ou se abrimos uma porta para o processo de reconstrução do pais.

Porque o Brasil não aguenta mais, os brasileiros não aguentam mais, a economia não aguenta mais a crise. Quem gosta do Brasil, que quer realmente ver o país sair da crise, leva em conta na disputa atual, antes de tudo a democracia, porque é o marco geral em que é possível um acordo que contemple o interesse geral do pais. Mas em seguida, ter clareza sobre quem representa a manutenção e até o aprofundamento da crise e quem abre alternativas de superação da crise, para saber quem faz bem ao pais e quem faz mal.

A crise teve, na sua origem, a negativa da oposição de aceitar sua derrota eleitoral, a que se unia a circunstancia de que a Dilma se reelegeu sem o apoio do grande empresariado – primeira situação como essa que o país viveu –, somado às ações da Lava Jato, com seus efeitos paralisantes em grandes setores da economia. Ao que é preciso agregar os erros na coordenação política do governo e o ajuste fiscal, que contribuiu para isolar o governo das bases populares que o tinham eleito.

Originalmente, Michel Temer se apresentava como quem poderia reunificar o país, com diálogo com todos os setores, promovendo uma superação da crise no marco de alianças nacionais. Hoje, pelo seu desempenho, pelo caráter absolutamente unilateral do seu programa, pelas negociações reservadas praticamente só ao setor empresarial, e pela avaliação das companhias que ele teria – com Eduardo Cunha em primeiro lugar -, ele perdeu totalmente qualquer credibilidade para desempenhar esse papel. Como o próprio Financial Times constatou, uma troca de governo só pioraria a situação do pais. Até setores aliados até há pouco do vice-presidente, preferem manter distancia, pela grave responsabilidade que significaria depor o governo atual para substitui-lo por um governo Temer-Cunha. A imagem publica de Temer só se deteriorou desde aquela imagem que ele pretendia inicial projetar.

Ainda mais que a perspectiva de que aplicasse um duro ajuste fiscal, cortando direitos básicos dos trabalhadores – as conversas com os empresários sempre incluem flexibilização da CLT, entre outros temas sociais muito agudos -, a partir de uma imagem fraca e uma falta de dialogo com os movimentos sociais – que prometem duras reações caso ele se torne presidente -, fazem prever um governo de pouca estabilidade, sem possibilidades de reunificar o país.

Por outro lado, a alternativa não é a de retornar ao governo da Dilma, tal qual ele existiu. É evidente que tanto a coordenação política, como também adequações na política econômica terão a ver com o papel do Lula. É uma possibilidade concreta de que, derrotado o impeachment, predomine uma agenda positiva, um novo governo, com um novo ministério e medidas de reativação econômica, além de uma forma nova de relação com a base parlamentar.

O país precisa praticamente ser reconstruído do ponto de vista econômico, social e político. É preciso reconstituir as condições de funcionamento do governo, readequar a política econômica, tomar medidas que permitam a economia crescer, o desemprego baixar e as políticas sociais terem um novo impulso expansivo.

Esta é a via de avançar na direção da superação da crise. Um eventual impeachment jogaria o pais numa crise social de grandes proporções, sem garantia de que um clima favorável à retomada do crescimento econômico se instaure. As tentativas de impeachment têm sido, ao contrario, um fator de desestabilização, sem oferecer alternativas positivas para o país. O próprio fato de que esse processo esta nas mãos de Eduardo Cunha, revela o caráter aventureiro dessas tentativas. Um governo que surgisse de uma vitoria do impeachment representaria a prolongação e até mesmo o aprofundamento da crise das instabilidades que têm afetado o país há quase um ano e meio.

A derrota do impeachment é a possibilidade que o país tem hoje de fechar a página negativa da crise, a partir de um novo governo e uma proposta de retomada de um pacto nacional de desenvolvimento com distribuição de renda, adaptado às condições econômicas e internas. Para que o Brasil possa fechar este ano não com o cenário atual, nem político, nem econômico, mas impondo uma dinâmica distinta à economia e retomando as formas de dialogo positivo no conjunto da sociedade.

O pais não suporta mais as agendas negativas que impuseram um empate destrutivo entre os campos que se enfrentavam. Uma decisão na Câmara que permita fechar essa pagina é o que o Brasil precisa. 

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