Chile pode comandar relações entre China e América Latina

O Chile de Sebastian Piñera quer participar como uma porta de entrada das tecnologias informáticas chinesas na América Latina, coisa que pode replicar em solo sul-americano a mesma ideia proposta pelo G60 de Shanghai

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Esta semana a América Latina e a China estreitaram relações voltadas à mais importante iniciativa macroeconômica internacional chinesa desde a fundação da República Popular, em 1949: o Cinturão e Rota, acordo Internacional de cooperação comercial e logística voltado para a troca de insumos, produtos, conhecimento e tecnologia, a fim de promover o desenvolvimento conjunto das nações em todos os continentes. A iniciativa reúne mais de uma centena de países, dentre os quais 37 terão seus chefes de Estado representados na abertura do II Fórum Cinturão e Rota, que ocorre nesta sexta-feira, 26. Entretanto, destes, apesar de serem 126 integrantes da iniciativa e 16 das Américas, o único latino-americano é Sebastian Piñera, presidente liberal do Chile.

O fato evidencia duas coisas: como a América Latina vem guinando suas estratégias de desenvolvimento não para o nacionalismo colaborativo proposto pelo conceito chinês de cooperação socialista entre os povos, mas sim pelo neo-liberalismo ocidental, cada vez mais contestado pelas nações asiáticas e africanas, amplamente majoritárias no Cinturão e Rota. Ademais, evidencia também a necessidade urgente de que o Brasil mantenha e aprofunde seu relacionamento com a potência asiática, a fim de diversificar suas relações bilaterais, numa porta que se abre com um terço ou mais dos países do mundo.

É importante dizer: esta proposta econômica internacional chinesa, que já vem sendo posta em prática, não prevê a centralidade da China no âmbito da economia global, tampouco a fragilização das economias nacionais em favor de grandes monopólios empresariais. Na verdade, orienta-se no mesmo sentido dos BRICS ou do G20, de cooperação multilateral no entendimento de que um mundo em que todas as nações estão melhores, necessariamente a nossa estará também.

Isto dito, é necessário frisar que Piñera, que comanda o Chile desde o ano passado, após vencer o candidato da ex-presidente Michelle Bachelet, Alejandro Guillier, é um homem liberal e de direita, como já afirmado. Todavia, até o momento mantém-se afastado de delírios ultra-conservadores que prejudiquem as relações comerciais e a imagem internacional de seu país.

Neste caso específico, o Chile quer participar como uma porta de entrada das tecnologias informáticas chinesas na América Latina, coisa que pode replicar em solo sul-americano a mesma ideia proposta pelo G60 de Shanghai, já debatido neste espaço: alçar as planícies do Atacama a um novo patamar de produção, com ênfase na tecnologia informacional, para criar um espaço de inovação semelhante ao Vale do Silício americano. Ou seja, o Brasil que abra os olhos para o país tradicionalmente mais liberal das Américas, mas que, ao que tudo indica, tem melhor receita sobre como viabilizar o seu projeto.

Em tempo: a situação de Lula

Uma pergunta que corre os bastidores do Centro de Imprensa do Cinturão e Rota, sobretudo entre jornalistas latino-americanos e africanos em sua relação com o único representante do Brasil no evento, o Brasil 247, é a situação do ex-presidente Lula. Sabidamente inocente por 9 entre 10 jornalistas, formadores de opinião em seus países, o ex-chefe de Estado ao mesmo tempo se torna vetor de solidariedade internacional, mas igualmente de questionamentos internacionais que, se ainda não chegaram aos chefes de Estado, já correm à boca pequena nas salas de imprensa que os cercam.

Econômica e politicamente, a água vai chegando ao pescoço do Brasil, e todos sabem que apenas uma pessoa pode tirar o país desse estado. Por todos, entende-se inclusive a Justiça e as Forças Armadas e de Segurança brasileiras, que têm sua parte nas dificuldades diplomáticas que vivemos e que podem se aprofundar.

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