China e Estados Unidos, duas visões opostas

O mundo caminha no sentido da multipolarização, que para os povos é uma oportunidade para a paz, a democracia e a cooperação, escreve o jornalista José Reinaldo

www.brasil247.com - Delegações da China e dos EUA se reúnem em Roma, 14 de março de 2022
Delegações da China e dos EUA se reúnem em Roma, 14 de março de 2022 (Foto: Mídia chinesa)


Por José Reinaldo Carvalho, 247 - Em meio ao prosseguimento da Operação Militar Especial desencadeada na Ucrânia pela Rússia no dia 24 de fevereiro, que monopoliza o noticiário internacional, vale destacar a reunião realizada em Roma na última segunda-feira (14), entre altos representantes da China e dos Estados Unidos.

O país socialista asiático foi representado por Yang Jiechi, membro do Birô Político do Comitê Central do Partido Comunista da China (PCCh) e diretor do Escritório da Comissão de Assuntos Exteriores da mesma instância partidária, enquanto que o país imperialista da América do Norte enviou o assessor da Casa Branca para Assuntos de Segurança Nacional dos EUA, Jake Sullivan.

Foi o primeiro encontro de alto nível entre a China e os EUA, depois da videoconferência entre os seus principais dirigentes, em novembro do ano passado. Naquela ocasião, o presidente chinês, Xi Jinping, propôs a adesão ao princípio de respeito mútuo, coexistência pacífica e cooperação de benefício recíproco ao tratar das relações bilaterais na nova época. Por sua vez, Joe Biden prometeu que não promoverá uma nova guerra fria, não tentará mudar o sistema da China, não fará aliança com terceiros contra a China e não apoiará a independência de Taiwan. Biden também manifestou, diante de Xi Jinping, que não quer confronto. 

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Vale recordar também que há exatamente um ano, no dia 18 de março, no primeiro encontro entre os governos dos EUA e da China após a posse do presidente Joe Biden, houve duras altercações. "Ações da China ameaçam a ordem baseada em regras que mantém a estabilidade global", advertiu o secretário de Estado americano, Antony Blinken. 

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Por sua vez, a diplomacia chinesa enfatizou que Pequim "não tem margem para concessões em questões relacionadas a sua soberania, segurança e interesses fundamentais", e instou os EUA a não manter com a China uma "diplomacia de megafone". 

Os comunicados oficiais emitidos após a reunião de Roma da última segunda-feira foram mais amenos, referindo-se à realização de um diálogo aberto, profundo e construtivo sobre as relações bilaterais, questões internacionais e regionais de interesse comum. Ucrânia, Afeganistão e Península Coreana foram temas sobre a mesa. 

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Ficaram evidentes as diferenças de opinião sobre o papel dos grandes países na promoção e garantia da paz e a estabilidade do mundo, o que é explícito quando observamos as opiniões de ambos quanto às verdadeiras razões do atual conflito no Leste Europeu. Os Estados Unidos e seus aliados da Otan ignoram completamente a evolução dos problemas políticos na região e a gravidade das ameaças à segurança da Rússia advindas do longo processo, que se arrasta há cerca de três décadas, de expansão da Otan, algo para o que a China tem chamado a atenção desde que proferiu seus votos quando a questão foi examinada nas Nações Unidas. Há uma nítida divergência de enfoques entre o país asiático e os Estados Unidos, quando se trata de buscar as soluções pacíficas para um conflito desta envergadura. 

Quanto às relações bilaterais, a parte chinesa não deixou de fazer, ainda que em termos diplomáticos, uma crítica severa à atitude do governo dos Estados Unidos. A parte chinesa expressou seu descontentamento com o não cumprimento das promessas da Casa Branca quanto a assuntos sensíveis para a China. Os EUA anunciaram a venda de armas a Taiwan, enviaram autoridades para visitar a ilha e emitiram uma nova estratégia para a região do Indo-Pacífico, reforçando o boicote e uma tentativa de cerco militar à China. Deixam transparecer que as recentes alianças estabelecidas na região poderiam conduzir à criação de uma réplica miniaturizada da Otan. Os chineses fizeram notar que todas as recentes condutas estadunidenses são contrárias às promessas feitas por Biden, o que obstrui o processo de normalização das relações sino-estadunidenses. 

A China protesta em face da conduta dos Estados Unidos de não cumprir a própria palavra. Enquanto Biden declarou perante o líder chinês que aceita o princípio de que no mundo existe apenas uma China como base para o bom desenvolvimento das relações bilaterais, e se compromete em palavras a não apoiar a independência de Taiwan, na prática seu governo incita os separatistas de Taiwan, Xinjiang, Hong Kong e Tibet. 

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Em todo caso, a diplomacia faz parte da luta geopolítica e é instrumento válido para amortecer ou minorar os efeitos dos conflitos. A paz e a cooperação são benéficas a toda a humanidade. E são sempre uma bandeira das forças progressistas, porquanto são as potências imperialistas que buscam a hegemonia e o fazem por meio de guerras e outros mecanismos de opressão e exploração dos povos. 

Os Estados Unidos, ao longo da segunda metade do século 20 e nas duas décadas já decorridas do século 21, sempre buscaram a hegemonia, por meio da confrontação, do abuso de poder nas relações internacionais e da violação de tratados e acordos internacionais relacionados à estabilidade e bem-estar de todos os países e povos.    

A superpotência norte-americana encara a China e a Rússia como os atuais obstáculos à realização dos seus planos de domínio no mundo, razão pela qual estabeleceu como meta de suas políticas externa e de defesa impedir a ascensão da China ao primeiro plano da vida política e econômica internacional e limitar o poder nacional da Rússia. Ainda que não tenha feito pronunciamentos públicos eloquentes, está contrafeita com a elevação da parceria estratégica entre os dois gigantes euro-asiáticos que celebraram uma nova etapa da sua cooperação na histórica Declaração Conjunta de 4 de fevereiro último. 

É uma ilusão dos Estados Unidos supor que é possível desafiar a principal tendência da época, contrária ao seu domínio hegemônico. O mundo caminha no sentido da multipolarização, que para os povos é uma oportunidade para lutar em melhores condições pela paz, a  democracia, o progresso social e a cooperação. 

É ilusório também o empenho pretender impedir a marcha da  China, supondo que o grande povo daquele país, seu governo e a força política dirigente da sociedade, o Partido Comunista, renunciarão ao próprio desenvolvimento e ao seu compartilhamento com os povos e nações de todo o mundo. 

Igualmente é uma opção vã o empenho estadunidense em acuar a Rússia imaginando que com isso reduziria o país política e militarmente. O conflito na Ucrânia é a prova mais cabal disso. 

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