Cobaias

A passividade ou incapacidade de reação só nos confirmará o destino de cobaias. A saída buscar reanimar forças, construir plataformas amplas e unitárias e empreender luta incansável, ininterrupta e desmedida contra um "poder que apregoa que as coisas continuarão como são".

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Chamamos muitas vezes de negacionismo, mas essa é só a superfície, o verniz do discurso, pois no fundo os que supostamente negam o fazem com incrível desfaçatez que chegam a nos convencer que são realmente estúpidos e ignorantes. Nada mais falso. A contradição é flagrante: ao mesmo tempo que aparentemente negam a realidade e a ciência, utilizam a última como método para seus testes e experimentos e tentam assim mudar a primeira. O mais perfeito caso de experimentalismo. Rigoroso, metódico, terrivelmente inspirado nas experiências nazistas feitas nos campos de extermínio, porém em escala sofisticada, societária e global.

A decisão de negar a pandemia é uma estratégia, não uma loucura. Implica adquirir saberes e poderes que não seriam possíveis em ambientes laboratoriais, ou melhor, não seriam pertinentes, interessantes e úteis. Mecanismos de vigilância, controle, manipulação, domínio e hegemonia só estariam à disposição e aplicáveis, com resultados concretos, caso fossem postos em prática.

Não perdemos a narrativa, perdemos milhares de vidas e, para além do dado fúnebre, perdeu-se o projetamento de sociedade, o modelo em gestão de presente e futuro de um modo de ver, perceber e viver em sistema coletivo. O triunfo de valores e princípios contrários e inimigos daquilo que a Modernidade - pai e mãe do Liberalismo, do Socialismo e do Comunismo - construiu ao longo de pouco mais de dois séculos, é patente. O obscurantismo sempre foi fórmula fanática e destinada aos outros, instrumento ideológico para determinar a crença e o comportamento humano.

Somos cobaias de um projeto autoritário e ditatorial no conteúdo político, individualista e fragmentário no teor social, excludente e concentrador no quesito econômico, vulgar e irracional no aspecto cultural. "Os tiranos fazem planos para dez mil anos", já nos advertia Bertold Brecht em seu "Elogio da Dialética".

A crise sanitária desencadeada pela ocorrência da pandemia foi, para a burguesia e o Capital, uma janela de oportunidade única, tão ou mais expressiva do que a Crise Financeira de 2008 ou a Revolução 4.0. Por trás da infame expressão "novo normal" estão os germes de uma radical metamorfose do metabolismo social, um Renascimento às avessas, uma espécie de aborto ou infanticídio de tudo queo Humanismo, a Razão e a Ciência representaram até nos dias de hoje.

Onde vemos, na aparência, uma espécie de negação está posto, em essência, uma afirmação. A crise civilizatória só não é maior e mais profunda graças à resistência contrahegemônica dos rebeldes e oprimidos e aos processos de caráter socialista em curso no Extremo Oriente. Mas a tendência mais forte e inexorável é a de esmagar o antagonismo através de múltiplos meios, incluindo aquele que é o mais destrutivo e mortal de todos: a guerra.

A passividade ou incapacidade de reação só nos confirmará o destino de cobaias. A saída buscar reanimar forças, construir plataformas amplas e unitárias e empreender luta incansável, ininterrupta e desmedida contra um "poder que apregoa que as coisas continuarão como são".

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