Coisa pública, ética e eleições municipais

Não adianta ficar repetindo igual a uma maritaca que o executivo "executa as leis" e o legislativo "fiscaliza o executivo", se de fato a "coisa pública" se tornar "uma privada". Definitivamente, prefeitos e vereadores não são os donos das cidades, embora muitos possam assim pensar

Caso você deseja ser candidato a um cargo eletivo nas próximas eleições municipais é importante conhecer a Constituição da República Federativa do Brasil, a Lei Orgânica Municipal, os Planos de Cargos e Salários dos funcionários de todas as esferas do poder municipal, as funções e atribuições do Legislativo e do Executivo, dentre outros...

Entretanto, de nada vale o seu conhecimento acerca de tudo isso se você não apresenta o seu desejo decidido, respaldado pela Ética da Observância da Coisa Pública – "Res publica é uma expressão latina que significa literalmente "coisa do povo", "coisa pública". É a origem da palavra república. O termo normalmente se refere a uma coisa que não é considerada propriedade privada, mas a qual é, em vez disso, mantida em conjunto por muitas pessoas." – Wikipédia (Google).

Isso significa saber – e Atenção: significa ter o entendimento – de que as Prefeituras Municipais assim como as Câmaras Municipais não são "balcões de negócios" particulares e privados. É preciso ser bem claro que negociatas como "contratos de trabalho irregulares", "desvios de função a Deus dará", "licitações viciadas", "conchavos e acordos políticos indecentes" ... são atitudes abomináveis pela Ética Pública.

Não adianta ficar repetindo igual a uma maritaca que o executivo "executa as leis" e o legislativo "fiscaliza o executivo", se de fato a "coisa pública" se tornar "uma privada". Definitivamente, prefeitos e vereadores não são os donos das cidades, embora muitos possam assim pensar.

Na verdade, prefeitos e vereadores são servidores públicos eleitos pelo povo e para o povo, sem privilegiar "um povo" (turma) em detrimento de "outro povo" (outras turmas). Tarefa nada fácil, por isso tantos sucumbem.

Portanto, se você acha que se eleito vai "ficar na mamata", engana-se. Pode até ficar, mas os olhares e os ouvidos do povo não dormem.

Pelo visto, outra importante reflexão que se faz necessária antes de você entrar "nessa aventura política" é sobre os vícios culturais perpetrados na nossa cultura e que muitas vezes podem imprimir as nossas ações e banalizar a "res publica", a "coisa pública", do tipo: "se você votar em mim eu arrumo emprego para você e a sua família", "a gente dá um jeitinho", "eu vou fazer isso" (mentira: ninguém faz nada sem aprovação nas duas esferas de poder e com a aquiescência da Lei).

Refletir sobre isso tudo requer estar aberto às discussões e ao diálogo público. Bradar "Fora Lula", "Fora Dilma", "Fora PT", "Fora Fulano", aproveitando-se de forma oportunista de "ondinhas emocionais passageiras", de forma absoluta, não faz de você um candidato honesto a serviço da "coisa pública", muito pelo contrário, fá-lo-á, além de um "oportunista de araque", um ser em suspeição, pois muitas vezes se nega aquilo que mais se faz. Exemplos disso na nossa Republica recente não faltam...

Por fim, sendo breve, toda mudança cultural, ética e pessoal passam por momentos de angústia. Ninguém cresce se não estiver aberto às"novas forças", instituintes de uma boa nova. O instituído ("o velho") insiste em retornar. É um embate interior e exterior muito intenso. Entretanto, que não se perca a Ética, a serenidade e a honestidade da boa convivência com as diferenças e com a "coisa pública".

O resto é bobagem!!!

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