Com povão no Maraca, a vaia ao “mito” poderia ter sido devastadora

"A torcida, em sua maioria, vaiou. E pelo tipo de público, foi uma vaia significativa. Um vaia 'qualificada', como diria o destemperado general Heleno, o da mula", escreve Gilvandro Filho, do Jornalistas pela Democracia, sobre o constrangimento de Jair Bolsonaro na final da Copa América, no Maracanã (RJ)

(Foto: Clauber Cleber Caetano/PR)

Por Gilvandro Filho, do Jornalistas pela Democracia

Convenhamos, foi pouco. A vaia estrondosa com que o presidente da República foi brindado no Maracanã e que foi sonegada pelo som das duas principais transmissões de TV - a da Globo e a da global SportTV - era para ter sido muito maior. Mas o apupo acabou sendo bastante significativo, pelo pelo público que foi assistir o time de Tite derrotar o frágil Peru e papar sua 5ª Copa América. 

Tivesse o maior templo do futebol mundial, nesse domingo de conquista, recebido o seu público costumeiro, o povão, o clone de Garrastazu Médici sairia de lá irremediavelmente escorraçado. Ele e sua comitiva, composta pelo suspeito e desmoralizado ministro da Justiça, o segundo filho dono do pedaço e um magote de políticos representantes da malta que hoje, eventualmente, se refastela com o poder. Mas, a classe proletária não foi ao paraíso, pelo preço do ingresso.

Para assistir Brasil x Peru, o “torcedor” precisou pagar um ingresso que, no site Mercado Livre, chegou a R$ 1.200,00 ou pacote com 4 ingressos a R$ 12 mil. Muito longe, vamos combinar, do que se paga para ver futebol no país… do futebol. A pequena fortuna cobrada por jogos que, em sua maioria, não valia tanto, tirou o público comum dos estádios e preencheu o seu lugar com uma leva de bem nascidos.

A certa altura da transmissão do jogo, nas redes sociais algumas pessoas  se perguntavam pelos negros, que quase não apareciam na telinha. Em seu lugar, belas presenças saltitavam a cada defesa do garboso Allison ou a cada jogada de Everton “ Cebolinha”, espécie de ilha na atual seleção - joga o que sabe, e sabe muito, em vez de cumprir à risca a burocracia tática imposta pela Comissão Técnica. Um internauta chegou a comparar, com justificado exagero, que parecia a torcida da Suécia.

Essa “higienização” dos estádios durante a Copa América, com ênfase no domingão de final no Maraca, pode até ter mascarado o protesto como o presidente e, com a ajuda da Globo, o tornado menor. Mas, repetindo, tornou-o bem significativo. Estava ali nas arquibancadas, certamente, um boa leva de bem nascidos eleitores bolsotontos, aqueles que bateram panelas e piscaram luzinhas de varandas gourmet pelo impeachment de uma presidenta eleita legitimamente e apeada do governo sem, provou-se depois, cometer crime algum. 

Talvez estivessem no Maracanã muitos dos que colocaram a família toda, inclusive crianças, para fazer foto com mãos de arminha, numa atitude inconsequente e criminosa. Noutro lance das cadeiras certamente, estariam fervorosos críticos do “governo de bandidos do partido do Lula e Dilma”, os mesmos que justificavam toda sorte de baixaria e fakenews para eleger um candidato misógino e homofóbico pelo simples fato de, com isto, “acabar com a roubalheira do PT”. Público de elite e de grana no bolso, de patos amarelos e de pixulecos. 

Pelo custo do bilhete, boa parte deste público estava lá. E muitos vaiaram o presidente em sua entrada oportunista em campo, que lhe rendeu momentos constrangedores como o de ser ignorado pelo técnico Tite e pelo zagueiro Marquinhos, que o deixou de mão abanando. Sorte dele é que teve jogadores que o chamavam de “mito” e aceitaram a sua presença na foto do time com a taça. Foi um momento raro de acolhimento ao intrometido presidente. 

Mas, a torcida, em sua maioria, vaiou. E pelo tipo de público, foi uma vaia significativa. Um vaia “qualificada”, como diria o destemperado general Heleno, o da mula.

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