Combatemos, ao mesmo tempo, um vírus e um verme

"Enquanto em São Paulo um cemitério exibe centenas de covas abertas à espera das vítimas do Covid-19, em Brasília, em plena pandemia, amontoados como gado para o abate se espremem em frente ao Palácio da Alvorada para a sessão diária de idolatria ao presidente da República", escreve Leandro Fortes, do Jornalistas pela Democracia

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(Foto: Reprodução / TV Globo)


Por Leandro Fortes, para o Jornalistas pela Democracia 

Em São Paulo, centenas de covas abertas em um cemitério à espera das vítimas do Covid-19, em torno do qual se movimentam os primeiros féretros, rápidos sepultamentos envoltos em uma indefinível tristeza de amigos e parentes impossibilitados de se despedir de seus entes amados. Por detrás de máscaras faciais, lágrimas escondidas e muitas histórias que ainda serão contadas, ao longo dos anos, ao longo da vida que restar.

Em Brasília, em plena pandemia de coronavírus, amontoados como gado para o abate, homens, mulheres, crianças e idosos se espremem num cercadinho exíguo, em frente ao Palácio da Alvorada, para a sessão diária de idolatria ao presidente da República. Bolsonaro os usa como escada para seu rol permanente de estultices. Faz daquele curral singular seu vomitório particular, por meio do qual expõe ao Brasil e ao mundo sua personalidade doentia e sua ignorância infinita.

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Com movimentos de corpo e braços tão disformes como a própria boca que despeja tolices, Bolsonaro monta um mosaico de argumentos absurdos para gerar frisson na plateia de imbecis que se abraça, se cospe e se contamina, impunemente. Um homem, um fanático religioso, puxa uma oração em meio à catarse de insanidade deflagrada pelo presidente, que mantém um sorriso de escárnio enquanto alterna conselhos estúpidos para a manada satisfeita.

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Não há outro país, no mundo civilizado, onde isso esteja acontecendo. Somos, hoje, uma nação pária, uma piada internacional comandada por um sociopata apoiado por charlatões de igrejas evangélicas, justamente na nossa hora mais sombria.

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Justamente quando precisaríamos de um líder ciente de sua missão extraordinária, em tempos extraordinários, temos um demente no Palácio do Planalto desfilando, todo dia, seu arsenal de barbáries.

Como bem definiu Fernando Haddad, vivemos o drama de combater, ao mesmo tempo, um vírus e um verme.

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