Comitê Dom Tomaz Balduíno: uma trincheira de luta contra o golpe e a favor do Brasil

Pelos caminhos golpistas a direita atrai setores do judiciário para buscar um salvador da Pátria – da pátria deles e para eles. Assim tentaram Joaquim Barbosa, que não deu certo. O escolhido desta vez é Sérgio Moro, que denominam de a república de Curitiba

Estilista e amiga Adyneusa Moura Oliveira, São Paulo, SP

Agradeço emocionado os seus competentes comentários sob meu artigo no site Brasil 247 (aqui). Espero que minha incipiente pesquisa sobre a amiga não me induza a erros. Que seu nome confira com sua profissão e local de moradia.

No dia 16 de junho de 2016 vivemos data histórico aqui no Estado de Goiás.

Referir-me-ei somente ao ato político ocorrido no salão auditório da Faculdade de Direito da Universidade Federal de Goiás, do qual participei.

Uma infinidade (mais de 60) segmentos dos movimentos sociais, de trabalhadores, artistas, intelectuais e religiosos fundamos o Comitê Goiano de Direitos Humanos Dom Tomás Balduíno.

Músicas, jograis, poesias e oradores/as acentuaram o contexto de crise e de golpe de Estado que vivemos no Brasil.

O mote repetido quase em forma de refrão foi a frase lapidar de Dom Tomaz, escrita no seu túmulo na catedral da cidade de Goiás, sede da Diocese de lá: "direitos não se pede de joelhos, mas se exige de pé!"

A noite de 16 de junho misturou a emoção fúnebre da tentativa de assassinato da democracia, pisando nos direitos historicamente conquistados, com a marca do sangue derramado dos militantes dos direitos humanos.

A voz de uma mulher, militante dos direitos humanos, entoando do centro do auditório silencioso e apreensivo, leu a carta que o companheiro, líder reconhecido e respeitado do MST, Valdir Misnerovicz, preso no Complexo Prisional Aparecida de Goiânia. O texto caiu-nos como o grito que escapou por entre as grades da prisão que não acolhe corruptos, ladrões do dinheiro e do patrimônio públicos, dos golpistas, mas que abre suas entranhas para privar de liberdade quem luta por uma sociedade justa.

Na sua carta Valdir comove pelo elevado espírito combativo. Agradece pela solidariedade, motiva a militância para que insista na organização de base na luta contra o latifúndio perverso e concentrador de terras em poucas mãos, lucrando com os alimentos que deveriam ser para todo o povo.

Valdir sabe que não se conquista uma sociedade justa com resmungos, com choradeiras, com orações e rezas, mas com muita luta e com o conhecimento que provem dos estudos para a competente interpretação das complexidades da realidade, incluindo táticas e estratégias corretas na luta.

Valdir, Luiz e Lázaro são presidiários políticos do golpe que teme o povo. Por isso nasceu o Comitê Dom Tomaz. Por isso nos uniremos ainda mais para libertar quem luta pela liberdade. Eles não são criminosos, mas sim quem os prende.

Uma das características dos golpistas que tentam intimidar a luta e os lutadores é a burrice.

A burrice dos violentos não lhes permite entender que quanto mais prendem os paladinos da liberdade mais o povo se une em milhares e milhões de outros se levantam como as plantas que nascem da terra. Sempre foi assim na história.

O que se percebeu no auditório foi muita emoção e indignação com as injustiças provindas exatamente por parte de quem deveria ser justo: o judiciário e a polícia. Estes reaplicam a malfadada "lei" de insegurança nacional, usada nos anos de chumbo da ditadura para prender, torturar e matar os combatentes da democracia.

Porém, a criação do comitê dos direitos humanos com o objetivo de unificar a luta em Goiás, no Estado dos senhores feudais e ruralistas escravocratas que elegem senadores e deputados para defender no Congresso leis e projetos contra o povo, afirma a disposição de resistência e de pressão contra as fontes onde nascem os golpes contra a democracia e contra o povo.

No discurso do grande líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, reconhecido nacional e internacionalmente, José Pedro Stédile, percebeu-se a abrangência nacional de nossa conjuntura.

A crise é do capitalismo internacional, cujo sistema se esgota rapidamente, mas que tenta sobreviver invadindo os povos periféricos pilhando nossas riquezas.

As características dessa crise são econômica, política, ética e ambiental.

Na econômica a crise mostra o esgotamento do modelo rentista e concentrador de riquezas a favor de poucas pessoas no mundo, fazendo-as poderosas e ricas, cada vez mais ansiosas por mais riquezas e dominação. Aí está uma grande causa das guerras de rapina que os Estados Unidos e os países da aliança da OTAN empreendem para destruir as riquezas dos povos e saqueá-las para suas matrizes. O Brasil, com nosso precioso pré sal, com nosso poderosos lençóis d'água e rios doces, com nossas reservas em matérias primas e nossa Amazônia, é espetacularmente alvo dos abutres internacionais decadentes.

No campo político os sinais são de que a direita e seus projetos neoliberais perderam o poder graças aos direitos de decidir que o povo afirma pelos caminhos eleitorais. Os grupos plutocráticos sabem que pela via eleitoral, mesma esta imperfeita das eleições burguesas, não retoma o poder. Por isso precisam talhar caminhos pelas vias institucionais para retomar a plenitude do poder. As elites não gostam do nome desse processo, mas isso se chama de golpe de Estado.

Pelos caminhos golpistas a direita atrai setores do judiciário para buscar um salvador da Pátria – da pátria deles e para eles. Assim tentaram Joaquim Barbosa, que não deu certo. O escolhido desta vez é Sérgio Moro, que denominam de a república de Curitiba. Para tanto o enviaram aos Estados Unidos para receber treinamento para o golpe via judiciário, articulando-se com promotores e com juízes do Supremo Tribunal Federal.

Porém a direita não é só a que se articula em torno do inexpressivo e despreparado Sérgio Moro. A direita é a mídia corrupta da verdade e das mentes sociais, com seu noticiário bombástico e apavorante, sempre calunioso para enganar a opinião pública. Mas a direita se divide pelas vias eleitorais com seu fraco moralmente Aécio, metido em denúncias até os intestinos, com Alckmin e seus escândalos contra a educação, as merendas e com sua polícia de assassinos de negros e de pobres.

A direita tem como características históricas a corrupção dos que entendem que o Estado é propriedade privada, que seus chefes devem saquear a bel prazer usando seus partidos como ferramentas apodrecidas do roubo das riquezas que deveriam ser de todos os brasileiros. Assim são PMDB, o PSDB, o DEM, o PPS, PSB e outros pequenos bolsões de ladrões.

Stédile afirmou que a direita está dividida no Brasil. Ela não tem projeto claro nem único. Cada grupo deseja tirar proveito do Brasil de modo diferente de todos os outros. Aliás, a natureza da direita com sua insaciabilidade de riquezas é essencialmente divisionista e concorrente predatória até entre os seus.

O que os une nesse momento é o golpe. Todos os grupos são corruptos e golpistas. Todos odeiam o povo, a democracia e os direitos dos trabalhadores.

Mas, no campo que ele chama de esquerda também não há unidade de um projeto de Nação e para o Brasil. O esperançoso nesse momento é que o debate entre os diferentes grupos que zelam pela justiça social, pela construção de uma sociedade mais justa, aumenta e mobiliza emocionantemente em todo o País.

José Pedro Stédile propõe que nossos grupos tenham em pauta os pontos que nos unem nessa conjuntura: o golpe contra a democracia e uma greve geral como força motriz para barrar o golpe que leva o nome de impeachment. Nossa luta é para barrar essa brutalidade praticada por um bando composto pelos piores e mais desonestos brasileiros, juntando-se em torno de Eduardo Cunha e seu guri de recados Michel Temer, que montou um governo de ministros cuja folha corrida dá inveja aos presos de maior periculosidade.

O desafio é mobilizar a grande maioria do povo brasileiro, inclusive os que embarcaram na canoa furada dos grupos fascistas e foram para as ruas fomentar o golpe contra a democracia, mentindo ou enganados que brigavam contra a corrupção.

É hora de motivar e apaixonar as grandes massas fora do atual alcance dos sindicatos, das centrais sindicais, dos movimentos sociais e dos partidos fiéis à democracia e à soberania nacional. Libertar o povo das mentiras, das manipulações e da falsa ira implantada pela mídia e pela direita golpistas é nossa tarefa primordial.

Depois de reconquistar a Presidência da República atualmente ocupada por criminosos e congestionada por traidores deveremos avançar na construção de uma proposta de Nação, que supere o desenvolvimentismo conciliador e o substituamos por outro projeto de forte inclusividade democrática, econômica, social e política, com bases nos interesses nacionais e da maioria do nosso povo.

A crise também é ambiental, além de econômica e política. O capitalismo é predatório à natureza desde o seu nascimento. O nível de destruição do planeta e do nosso frágil meio ambiente ganhou proporções de alta periclusidade com o fortalecimento e decadência do imperialismo, diante de quem se ajoelham os golpistas de plantão no Palácio do Planalto e na Chancelaria como o triplo traidor José Serra, o homem do fiasco da bolinha de papel.

Os capitalistas internacionais avançam sobre nossas reservas minerais e sobre nossa água doce. E não poupam guerras, desavenças, divisões no povo e ódio para nos assaltar, mesmo que destruam nosso solo e nosso planeta, já ameaçado.

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