Como chegamos até aqui?

"A poucos dias do primeiro turno a projeção é totalmente favorável ao candidato do PT (Fernando Haddad), enquanto a direita e seus porta vozes estão desconcertados. Não só se avizinha uma grande vitória da esquerda, como uma grande derrota da direita", escreve o sociólogo Emir Sader; "A esquerda, o PT, os movimentos sociais, tem que se mostrar à altura dos desafios presentes e futuros. Já conseguimos superar vários obstáculos, conquistamos o direito de disputar de novo o governo do país. Temos um programa, um candidato e um grande líder politico para encarar a reconstrução do Brasil"

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Estamos próximos de uma grande vitória da esquerda. Mas para chegar até aqui foi preciso vencer muitos obstáculos.

Antes de tudo, reverter a imagem da esquerda, do PT e do Lula que os golpistas haviam projetado na opinião publica. A imagem de um partido que teria sido uma gangue que se estruturou para assaltar o Estado. Um partido que se havia corrompido. Um líder que havia sido pego por juízes em casos de corrupção.

Aqui e lá fora já se dava por estabelecido o fim do PT e do Lula, vários grupos já se candidatavam a ser os novos Lulas. Já se especulava sobre o Brasil pôs-Lula e pôs-PT. Vasta bibliografia sobre o fracasso do PT se empilhava nas livrarias, junto às de denuncia da corrupção do PT.

Na própria esquerda grupos assumiam que as acusações contra o Lula seriam verdadeiras, que o projeto do PT terminaria penosamente como um caso de policia. Nada de importante teria acontecido no Brasil neste século, salvo o engano, a traição do interesse dos trabalhadores.

Foi necessário enfrentar e reverter essas versões todas, na opinião publica e dentro mesmo de certos setores da esquerda. Senão não teria sido possível recompor as forcas de esquerda. Lula teve um papel essencial nisso tudo. Primeiro congregando as forcas de esquerda, ao denunciar as mentiras e como o seu objetivo era destruir o PT e os movimentos populares, para se instalarem no governo e destruírem tudo o que de bom tinha sido construído no Brasil.

Lula teve que desmontar as acusações que se faziam a ele, sem provas. Teve que provar sua inocência, incluindo os dois depoimentos arrasadores que fez diretamente em Curitiba, deixando os acusadores sem resposta.

Foi indispensável também desarticular as versões catastrofistas e pessimistas dentro da esquerda, que não deixavam espaço aberto para a reação popular. Uma derrota das proporções da imposta com a derruba da Dilma deixava a esquerda desmoralizada, sem confiança na sua capacidade de se recuperar. Alguns ate prognosticavam uns 20 anos para a esquerda voltar a levantar cabeça e ter algum protagonismo no Brasil.

Outros alegavam que a direita não havia dado o golpe para depois deixar o PT voltar o governo. Supunham uma força superior da direita, que atuaria como um exercito, que agiria quando quisesse e precisasse, desarticulando e destruindo a esquerda, na hora que quisesse e da forma que quisesse.

Houve quem prognosticou, desde Paris, que não haveria eleições este ano no Brasil. De volta para cá, afirma que há um golpe em curso. Se vê que não conheceu, nem analisou o que foi o golpe no Brasil. Se passa por analista, mas é de uma superficialidade e de uma irresponsabilidade típicos de intelectuais acadêmicos que não conhecem a realidade, menos ainda a brasileira e das amplas camadas populares. Se alimentam e livros e de intuições. Erram tudo o que preveem, mas nem por isso fazem a autocritica que vivem pedindo pro PT fazer.

Em seguida, através das quatro Caravanas da Esperança, por todo o Brasil, Lula fez a esquerda retomar contato com o povo. Ouvir o povo, ajudar a que ele recordasse tudo o que haviam conquistado, como isso tudo estava em risco. Mas sempre levando a palavra de esperança de que todas aquelas conquistas poderiam ser recuperadas, se fosse eleito pelo povo um governo identificado com os seus interesses, como haviam sido os governos do PT.

Ao longo da Caravana foi sendo elaborada a plataforma que desembocaria mais tarde no programa de governo do PT. A imagem de Lula como o maior líder popular da nossa historia foi retornando na cabeça das pessoas. A memoria do vivido, o legado, tudo foi fortalecendo a consciência e a moral das pessoas.

A definição da candidatura foi o outro passo para que chegássemos até aqui. A absurda decisão de impedir que os brasileiros elejam a quem majoritariamente consideram seu preferido, levou à definição do Haddad como o candidato. De imediato ele passou a percorrer o Brasil, conquistando o apoio popular que precisa para se projetar como o candidato capaz de ganhar as eleições, como Lula lhe pediu.

Haddad superou as reservas que setores, mesmo dentro do PT, tinham em relação a ele. Enquanto isso Lula exibiu uma forca politica e moral impressionantes. Ao invés de se deixar afetar pela prisão e pela imensa injustiça de que ele vítima, passa cotidianamente forca e firmeza para todos. Haddad herda esse forca e esse firmeza também.

A poucos dias do primeiro turno a projeção é totalmente favorável ao candidato do PT, enquanto a direita e seus porta vozes estão desconcertados. Não só se avizinha uma grande vitória da esquerda, como uma grande derrota da direita.

A esquerda, o PT, os movimentos sociais, tem que se mostrar à altura dos desafios presentes e futuros. Já conseguimos superar vários obstáculos, conquistamos o direito de disputar de novo o governo do país. Temos um programa, um candidato e um grande líder politico para encarar a reconstrução do Brasil.

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