Como conter um tirano

"Ele trabalha para demolir a democracia todas as horas e todos os dias, debochando, atacando ou interferindo em instituições a torto e a direito para submetê-las à sua cartilha", escreve o jornalista Alex Solnik

(Foto: Foto: Agência Brasil)

Por Alex Solnik, para o Jornalistas pela Democracia - A primeira etapa da tomada de poder foi cumprida: o tirano ganhou as eleições. Não importa mais discutir como e por que. Ganhou. Oito meses depois, ele luta para ganhar a segunda etapa: o poder absoluto.

Ele trabalha para demolir a democracia todas as horas e todos os dias, debochando, atacando ou interferindo em instituições a torto e a direito para submetê-las à sua cartilha e aos seus desejos de cada vez mais poder.

Tal como as tropas nazistas que invadiram a Europa, ele utiliza a tática da blitzkrieg, atacando por terra, mar e ar, de surpresa, com aviões, navios, carros de combate, infantaria, sem dar ao adversário qualquer oportunidade de defesa e usando os meios mais vis e cruéis, sem o menor escrúpulo.

Os adversários – além das instituições democráticas - são aqueles que, na sua paranoia, colocam em risco seu plano de poder, sejam da esquerda, centro-direita ou direita.

A melhor coisa que pode acontecer a um tirano é a oposição se dividir. Quanto mais divididos forem seus adversários, quanto mais brigarem entre si em vez de brigarem contra ele, mais ele terá espaço para avançar em sua demente perseguição ao poder absoluto.

Os principais obstáculos ao avanço do tirano são a imprensa, o Congresso Nacional e o STF, não por coincidência as instituições que ele mais ataca.

A melhor forma de conter o avanço do tirano é defender as três instituições que o contêm.

Se alguma delas for cooptada por ele, ou solapar, as outras duas também vão desmoronar e ele finalmente conseguirá tomar o poder absoluto.

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