Companheiro Lula

Meu querido e companheiro Lula, aprenda com um velho sábio Tauista que disse: “O arqueiro exerce sua plenitude, quando ele não tem arco e nem alvo”! É hora de você assumir o comando, exercer a sua capacidade de aglutinar as massas e conduzi-las a seu destino final que é derrotar a Burguesia

Meu querido e companheiro Lula, aprenda com um velho sábio Tauista que disse: “O arqueiro exerce sua plenitude, quando ele não tem arco e nem alvo”! É hora de você assumir o comando, exercer a sua capacidade de aglutinar as massas e conduzi-las a seu destino final que é derrotar a Burguesia
Meu querido e companheiro Lula, aprenda com um velho sábio Tauista que disse: “O arqueiro exerce sua plenitude, quando ele não tem arco e nem alvo”! É hora de você assumir o comando, exercer a sua capacidade de aglutinar as massas e conduzi-las a seu destino final que é derrotar a Burguesia (Foto: José Rainha Júnior)

Meu querido e estimado companheiro de tantas jornadas de luta, Luiz Inácio Lula da Silva, receba toda minha solidariedade. Antes de descrever os meus comentários queria lhe dizer que estamos juntos, hoje manhã e sempre.

A oligarquia sobre o comando da Casa Grande não condenou o Lula, mas sim, a luta e todos os lutadores do povo. A minha condenação é de 31 anos e pelo visto na segunda instância TRF da 3ª região SP MS, certamente devem aumentar a minha pena e mandar prender-me. Os crimes? - São os mesmos que você cometeu: Lutar pela construção da dignidade humana de um povo sem voz e sem vez. Olhamos para a frente, pois é para a frente que caminha a humanidade Vamos abrindo a picada que logo a gente vê o clarão. Mais cedo ou mais tarde a senzala toma a Casa Grande.

Você será como Gandhi, que quando visitou Albert Einstein se queixou que ele não era entendido e que ninguém enxergava sua luta pela paz na Índia. Albert Einstein levou ele bem perto de uma luz acesa dentro da sala e pediu que olhasse bem perto da luz. Depois perguntou: - O que você consegue enxergar? – Nada! disse Gandhi. Einstein olhou para ele e disse: Daqui a cem anos eles vão te enxergar.

Me lembro quando te conheci em 1980. Se a memória não me falha, foi em sua prisão em abril daquele ano. Eu tinha apenas 19 anos. Era um moleque que orientado por Frei Betto, estava engajando na luta pela retomado dos sindicatos das mãos dos pelegos interventores do regime militar. Tempos muito difíceis. O Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo estava sobre intervenção. Foi criado o fundo de greve e o sindicato de verdade tinha saído das quatros paredes e estava nas ruas com milhares de metalúrgicos em greve, a qual sobre vossa liderança não saíram das ruas até os direitos e a pauta não ser negociada. Como faz falta aquela energia e convicções que somente nas ruas e praças era possível ter.

Um outro momento histórico foi a criação do PT (Partido dos Trabalhadores). Teu sonho era construir uma ferramenta que a classe trabalhadora pudesse ter seus representantes no Congresso Nacional, nas Assembleias Legislativa de cada estado, nos Governos dos Estados, Prefeitura e Vereados, e chegar a Presidência do Brasil. Isso tudo foi possível, mas talvez o descuido foi pensar que isso era o bastante para satisfazer o nosso povo. A realidade da história nos mostrou que não bastava chegar ao poder.

Um ano depois nós estávamos em Praia Grande na I CONCLAT (Primeira Conferência Nacional da Classe trabalhadora) em 1981, aonde se deu a construção da Pro-CUT, dando início a criação da Maior Central Sindical de nosso País, a CUT. Era o começo de uma organização sindical combatente para enfrentar o Regime Militar com um sindicalismo forte e autêntico. Em 28 de Agosto 1983 criamos a CUT com mais de 5 mil trabalhadores e trabalhadoras de todos os setores da classe trabalhadora, com um único sonho, de lutar por um sindicalismo forte, avançar na luta de classe e enfrentar o Estado Burguês e a Ditadura Militar.

Em 1984 você não mediu esforços para ajudar os Camponeses a construir um dos maiores movimentos de massa na luta pela terra e a reforma agrária deste País, o MST, que tive e tenho orgulho e muita gratidão de o pertencer até início de 2003. Como outros companheiros resolveram seguir o mesmo caminho que segui, em 2014 fundamos a FNL (Frente Nacional de Luta Campo e Cidade)

Hoje estamos vivento um outro momento da história. As ruas estão vazias e as praças gritando e se perguntando: “Aonde está a minha gente e porque me deixaram só”? As primaveras não são as mesmas. Falta as flores das bandeiras vermelhas que perfumavam os sonhos e ideais que alimenta as convicções. As praças já não têm mais os jardins florescidos dos gritos de ordem que empurra com suas místicas, despertando os adormecidos dizendo que o amanhecer está chegando e um novo dia estar por vir... e os lutadores do povo segurando suas flechas apontam, que as lutas revolucionárias é que desperta os que ainda estão adormecidos. Que os dias do passado é de ser retomado para as marchas seguirem em frente até a estação final. É hora de olharmos para o passado e nos perguntar: onde mesmo que erramos e estamos errando?

A vida nos ensina que nas tragédias e derrotas que acontecem, nunca devemos buscar os culpados e sim as causas. Somente uma análise profunda das causas, será possível chegarmos ás verdadeiras descobertas da realidade, do que ocorreu em nossas derrotas que levou o afastamento de Dilma do Poder. Os efeitos só nos servem para achar culpados. Nisso todo mundo tem um “achismo” que acha tudo, menos as verdades que procuram. Das tragédias e os erros, temos que tirar as lições para o projeto seguir em frente. Temos que aprender com elas para construir um novo caminho com menos dor e sofrimento.

Nos disse Confúcio, um sábio chinês que viveu 300 anos antes de Cristo “a glória da vitória não consiste em cada tombo a gente ficar de pé, mas sim, em cada tombo a gente saber se levantar”. Portanto é hora de se se levanta, bater a poeira e seguir em frente. Neste momento a história não nos permite ficar discutindo teses do certo e do errado, ela nos cobra a ter unidades nas lutas, nos objetivos, a ter posição firme de que rumo devemos conduzir a classe trabalhadora. Se a análise das causas dos erros cometidos só nos permite eleições, então que vamos para as eleições! Aqui vale se lembra dos Bolchevique na Revolução Russa que no ano passado completou 100 anos. Os Menchevique achavam que que as Dumas poderiam ser um espaço de avançar na luta revolucionaria. Lenin, que era do grupo dos Bolcheviques e o comandante da Revolução tinha suas posições contrárias de participar daquele parlamento, porque ali era um espaço da burguesia e da conciliação de classe, mas ele não ficou discutindo a importância das dumas e sim da estratégia da Revolução. Nós os lutadores do povo não podemos esquecer que eleições dentro do estado burguês nunca passa de táticas para aqueles que querem fazer a revolução e construir o socialismo. Para não cair no “achismo”, o Socialismo é uma construção que devemos seguir como estratégia. Certamente vamos encontrar milhares que querem essa construção. Mas, talvez o que nos difere é os mecanismos dessa construção. Parte quer por dentro do Estado e outra quer por fora.

Aqui, faz-me lembrar de uma anedota bem popular. Um dia na celebração de uma missa o Padre pergunta para os fiéis quem queria ir para o céu que levantasse as mãos. Todos os fiéis presentes levantaram as mãos. Muito bem! disse o padre. Agora quem quer ir hoje? Todos ficaram calados com as mãos abaixadas. Ou seja, para chegar ao céu temos que morrer. Não é possível chegar ao Socialismo sem a revolução. E para se fazer a revolução é preciso entregarmos a nossa própria vida pela causa de um projeto libertador. É aí que poucos querem começar a sua construção no dia de hoje achando que devemos esperar um pouco mais. É bom deixar para ir ao céu mais adiante, e assim o debate político da Revolução sempre fica para depois.

A vida e a luta nos ensinam a viver e quando não disciplinamos a vida, vamos sendo disciplinados por ela. Quando não queremos aprender com ela, somos punidos pela própria. Ela nos dá as escolhas, não é um destino, e sim uma escolha, como nos disse Drummond de Andrade. O caminho está para ser construído, depende de cada um de nós lutadores do povo.

É possível afirmar que, o que levou a toda esta tragédia depois de 13 anos de governo do PT foram as escolhas. Era sabido que o partido tinha melhores quadros políticos para ganhar as eleições e governar por muito mais tempo e que a aliança com o MDB não daria certo. O MDB tem quadros descentes e coerentes na política, que certamente vai ajudar no projeto político da construção da revolução e do socialismo, assim como vamos encontrar no PT e em outros partidos políticos de nossa no campo da esquerda e progressistas, mas em sua ampla maioria nunca passaram de malandros e ladrões. Ou se esquecemos dos anões do Congresso, os que quebraram a Câmara dos deputados? Os mesmos da aliança para ganhar as eleições de 2010 e 2014 O que poderíamos esperar desta aliança se não fosse o Golpe? Então não se pode pagar de inocentes ou de coitados.

Meu querido e companheiro Lula, aprenda com um velho sábio Tauista que disse: “O arqueiro exerce sua plenitude, quando ele não tem arco e nem alvo”! É hora de você assumir o comando, exercer a sua capacidade de aglutinar as massas e conduzi-las a seu destino final que é derrotar a Burguesia.

Saiba que os erros fazem parte daqueles que são ousados. Você foi ousado e tua ousadia de mudar a cara de nosso Brasil lhe trouxe milhões de amigos e companheiros, mas, por outro lado envenenou os donos de engenhos, e a Casa Grande   jamais iria permitir que vossa ousadia durasse muito tempo. Nos orgulhamos de você, da tua coragem, da tua simplicidade e humildade de cuidar dos milhares de nordestinos e de ter tirado do berço da pobreza milhões que passavam fome. Você é nosso herói, que nos traz a esperança e muita crença de que é possível transformar a história deste País.

Meu grande companheiro, a burguesia já tirou sua grande guerreira, a companheira Mariza. Já tiraram sua liberdade e vão tentar de novo. Eles podem até tirar sua vida, mas tenha consciência de que, o que nunca vão te tirar é teus sonhos e ideais de ver sua pátria livre. Aprenda com os erros, transforme as batalhas perdidas em energias positivas para iluminar as mentes e os caminhos dos milhares de trabalhadores e trabalhadoras que nunca vão te abandonar. Estamos nas trincheiras e só vamos sair o dia da vitória final.

 

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