Complexo de vira-lata

O complexo de vira-lata se espalhou entre os brasileiros e hoje os complexados não criticam apenas o governo, mas esculhambam o próprio país

Disseminado pelos meios de comunicação – os tradicionais e os modernos – o complexo de vira-lata acabou sendo incorporado por um considerável contingente de brasileiros, aí incluídos alguns famosos que, teoricamente, deveriam ser mais esclarecidos. Com a chamada Grande Imprensa, coadjuvada pelas redes sociais na internet, dizendo todo dia que o governo não presta e o Brasil está mal, criou-se um clima de pessimismo no país, de tal modo que, segundo pesquisa do Datafolha, 36% dos brasileiros acham que a situação vai piorar, quase metade da população (48%) acredita que o desemprego vai aumentar e 64% crê no crescimento da inflação.

Esses números, no entanto, refletem apenas a situação criada justamente pela sistemática campanha contra o governo, em que notícias negativas e outras forjadas são assimiladas sem contestação, como se efetivamente o Brasil estivesse no fundo do poço. As pessoas se dizem indignadas com o que "todo dia está estampado nos jornais". Essa estratégia, destinada a desgastar e enfraquecer o governo dentro de um projeto político que tem como beneficiário o senador tucano Aécio Neves, foi revelada há meses numa inconfidência do senador Álvaro Dias, do PSDB do Paraná, que chegou a adiantar, inclusive, que os seus efeitos seriam sentidos após um período de maturação. É precisamente o que está acontecendo agora.

As pesquisas são parte desse plano, que envolve um trabalho bem articulado na Internet, onde as postagens tendenciosas são compartilhadas por quem acredita – alguns ingenuamente outros apaixonadamente – que está prestando um bom serviço ao país. O plano funciona mais ou menos assim: a Grande Midia lança alguma coisa podre no ar e, em seguida, o instituto de pesquisa do esquema vai ver se o mau cheiro se espalhou. E as pessoas desavisadas obviamente manifestam a sua indignação com o fedor. Esse clima, no entanto, tende a mudar na medida em que o governo tiver condições de mostrar a realidade no horário eleitoral gratuito na TV, porque hoje as noticias positivas são ignoradas, quando não distorcidas.

O estrago, porém, já foi feito. Alvo de um bombardeio diário de notícias negativas e tendenciosas, como naquela história de que "água mole em pedra dura tanto bate até que fura", parte expressiva da população passou a dar crédito a tudo o que dizem os veículos de comunicação de massa comprometidos com o projeto eleitoral tucano. Até figuras famosas do cenário nacional, como o escritor Paulo Coelho e o poeta Ferreira Gullar, e entidades como a CNBB se deixaram influenciar e engrossaram o coro de críticas ao governo, tendo a Copa de Futebol como pretexto. Não é o caso do apresentador Faustão e do jogador Ronaldo, porque ambos trabalham para a Globo e, portanto, estão agradando aos patrões quando criticam o governo.

O complexo de vira-lata, porém, se espalhou entre os brasileiros e hoje os complexados não criticam apenas o governo, mas esculhambam o próprio país. A Copa foi o pretexto idiota criado pelo bem montado plano oposicionista para minar o governo e depreciar o Brasil, o que levou até empresas como a Ellus a se julgar no direito de agredir o nosso país utilizando um desfile em que suas modelos usaram uma camiseta com a frase "Abaixo este Brasil atrasado". E enquanto maus brasileiros depreciam o seu próprio país, imaginando-se politicamente corretos, alguns líderes estrangeiros, como o presidente venezuelano Nicolás Maduro e o Prêmio Nobel da Paz José Ramos Horta, o defendem, isso sim, uma vergonha para os que amam esta terra descoberta por Cabral.

Contra o derrotismo e o pessimismo desses maus brasileiros, no entanto, que torcem para tudo dar errado mesmo com prejuízos para eles próprios, levantam-se algumas vozes como a da empresária Luiza Trajano, dona do Magazine Luiza, por exemplo, que depois de destacar os avanços conquistados pelo Brasil em todos os setores de atividades – taxas de desemprego e inflação menores do que muitos países da Europa, entre outros – lembrou que aqueles que se envergonham do seu país deveriam deixá-lo e morar em outro lugar. É o caso do "Fenômeno", que além de envergonhado se declarou também insatisfeito. Aqueles que assumiram o complexo de vira-lata, portanto, deveriam começar a pensar em mudar de país, já que tudo leva a crer que a Copa será um sucesso e a presidenta Dilma Rousseff reeleita.

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