Confissão de culpa indireta do presidente Michel Temer

Ele diz: "Duvido que o Rocha Loures vá me denunciar". Alguém que fosse realmente inocente não falaria dessa forma. Diria mais ou menos assim: "Não temo o que venha a declarar Rocha Loures porque não tenho nada a esconder". Se ele duvida que o homem da mala preta, com aquele jeito um tanto sonso e perdido, vai denunciá-lo, é porque Rocha Loures tem o que denunciar

Michel Temer e deputado Rodrigo da Rocha Loures (PMDB-PR),  pego com mala com propina de R$ 500 mil paga pela JBS .2
Michel Temer e deputado Rodrigo da Rocha Loures (PMDB-PR),  pego com mala com propina de R$ 500 mil paga pela JBS .2 (Foto: Jose Carlos de Assis)

De acordo com a revista IstoÉ desta semana, o presidente Michel Temer não se diz inocente. Textualmente, segundo a capa da revista, ele diz: "Duvido que o Rocha Loures vá me denunciar". Alguém que fosse realmente inocente não falaria dessa forma. Diria mais ou menos assim: "Não temo o que venha a declarar Rocha Loures porque não tenho nada a esconder". Se ele duvida que o homem da mala preta, com aquele jeito um tanto sonso e perdido, vai denunciá-lo, é porque Rocha Loures tem o que denunciar.

Não sendo esta a primeira vez que Temer, segundo a Procuradoria Geral da República, tenta burlar a Justiça, é muito provável que tenha feito chegar a Loures sua declaração que, bem analisada, soa como ameaça. "Duvido que Rocha Loures vá me denunciar" significa o seguinte: Aguenta a mão aí, meu camarada, pois, do contrário, acertarei as contas com você no futuro. Este seria o elemento equilibrador de um jogo político no qual, do outro lado, há um sistema judicial implacável, disposto a arrancar delações à custa de altas penas.

Nessa queda de braço é difícil prever quem ganha. Marcelo Odebrecht levou dois anos de uma pena sem julgamento, juridicamente absurda, para capitular diante do juiz Moro. Veremos o que será feito para dobrar a vontade de Loures, se ele resistir inicialmente. Numa hipótese, ele se verá diante da alternativa de entregar Michel Temer ou entregar a própria vida a ser consumida na cadeia, décadas longe da família e dos filhos. Desgraçadamente, não me atrevo a tirar conclusões. É tudo muito sujo, muito sórdido, muito assombroso. Vejo isso e me pergunto: Qual será o futuro do país, quais exemplos daremos para os jovens?

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