Congelamento cambial na Argentina. Temer faz escola

O dólar, na Argentina, pela nova regra imposta pelo FMI, tem que variar entre 34 e 44 pesos.O BC se limitará a jogar no mercado 150 milhões/dia de dólares, para manter a flutuação da moeda americana nesse intervalo. Para sustentar esse jogo, governo não pode mais emitir dívida. Tudo congelado, como no Brasil neoliberal de Temer

Congelamento cambial na Argentina. Temer faz escola
Congelamento cambial na Argentina. Temer faz escola (Foto: Esq.: Reuters / Dir.: Darren Ornitz - Reuters)

Porretada no povo

O dólar, na Argentina, pela nova regra imposta pelo FMI, tem que variar entre 34 e 44 pesos.

O BC se limitará a jogar no mercado 150 milhões/dia de dólares, para manter a flutuação da moeda americana nesse intervalo.

Para sustentar esse jogo, governo não pode mais emitir dívida, de hoje até final de 2019, enquadrando-se, nesse período, no chamado orçamento de crescimento zero.

Tudo congelado, como no Brasil neoliberal de Temer, onde a regra é, até, mais rígida, congelamento de gastos por 20 anos, para sobrar mais para os bancos receberem juros e amortizações de dívida.

O problema é que essa saída é, eleitoralmente, caixão e vela preta, como PSDB e PMDB, com Alckmin e Meirelles, aliados, no golpe de 2016, com Temer, comprovam na campanha presidencial.

Antes, o BC argentino chegou a jogar na circulação 1 bilhão de dólares, sem conseguir segurar a cotação do peso.

Agora, se os preços subirem demais, a capacidade de compra do consumidor será dada pela quantidade de dinheiro que possuir no bolso.

Do contrário, a mercadoria não será destruída/consumida.

O preço dela, pela lógica, teria que cair.

Caindo, cairia, também, a inflação.

Esse é o novo jogo na economia argentina, imposto pelo FMI, para liberar 57 bilhões de dólares, em 36 meses, dos quais 20 bilhões já foram adiantados.

O BC argentino deixará juros soltos, segurará o câmbio dentro da banda de preços(entre 34 e 44 dólares), mediante orçamento monetário superarrochado, de modo a zerar déficit primário(receita menos despesas, exclusive juros).

Eis o preço a pagar para obter o dinheiro do FMI, a fim de o governo fechar déficit no balanço de pagamentos, implodido pelo sangramento financeiro especulativo.

Caso contrário, default.

Vai dar certo, ou seja, a inflação cairá?

As dúvidas se ampliam entre os economistas nacionais e internacionais.

Diante da queda de consumo, os empresários, certamente, diminuirão oferta para sustentar preços elevados, de modo a manter constante a taxa de lucro.

Quem produzirá para ter prejuízo?

Eis o jogo capitalista, desde sempre, no ambiente de insuficiência crônica de consumo, subconsumismo, de um lado, e sobreacumulação de capital, de outro, jogando o sistema, recorrentemente, na crise.

A teoria na prática seria outra.

O comportamento do preço da moeda vai dizer se a teoria do FMI pegará ou não.

Efeito tango

Brasil sofrerá consequências: 8% do total das exportações brasileiras vão para a Argentina.

Se argentinos deixam de consumir, as indústrias brasileiras deixam de vender.

Mais desemprego no Brasil.

Não seria a hora de reduzir os juros, por aqui, para o mercado interno consumir mais?

Com o congelamento dos gastos públicos sociais, que geram renda disponível para o consumo, impossível.

O PIB nacional, que, segundo o BC, deverá crescer, apenas, 1,4% e não mais 1,6%, continuará murchando.

Para piorar as expectativas, subiram, nessa quarta, as taxas de juros nos Estados Unidos.

Vai ficando mais vantajoso aplicar nos títulos americanos, se a Selic continuar em 6,5% e a economia bichando, aprofundando contradições, sinalizando deflação.

Aumentou tentação dos investidores de tirarem negócios daqui, para levar para os Estados Unidos, onde Trump 1 – aumenta protecionismo e 2 – diminui carga tributária para 25%, facilitando para os investidores.

Não é à toa, portanto, que o BC brasileiro, inseguro, alerta que puxará as taxas.

Está com medo de fuga cambial.

A bancarrota argentina e a pressão americana pressionam a política econômica do governo golpista, cujos efeitos, com o congelamento geral de gastos sociais, são recessão, deflação, desemprego, queda de arrecadação e de investimentos.

Nesse contexto, Temer, o ilegítimo, quer apressar a reforma da previdência, como principal medida de aperto fiscal, para diminuir a população de aposentados pelo setor público, enquanto abre-se expectativa para a previdência privada, interesse maior dos banqueiros.

Lá, na Argentina, Macri já visa que suspenderá pagamento de pensões, levando multidões às ruas para protestarem.

O novo presidente eleito, aqui, topará essa parada, antes da posse?

 

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