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Consciência Negra: identitarismo não é mimimi, é resistência!

Por Artur Figueiredo

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Dia de homenagear meus irmãos negros. Não deveria haver uma data, um dia: consciência racial, respeito, gratidão deveria ser um mantra para levarmos por toda nossa vida. Para isso é necessário entendermos o racismo estrutural. 

Conversava ontem com um amigo, ele não enxergava o racismo, uma vez que ocupava uma posição na empresa em que ambos tinham basicamente o mesmo salário. Não havia uma distinção, supostamente. 

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Comecei a pontuar a ele a questão do quão importante foi a política de cotas, de inclusão no Brasil. 

Em recente pesquisa, o IBGE fez a seguinte análise: brancos recebem em média 2 vezes mais que os negros. A estrutura social e econômica passa por uma sonegação de direitos e milhares de abusos que segregaram o povo negro. 

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Sob o abolicionismo atrasado o preço da marginalização, exclusão. O racismo deixava de ter um termo autoritário, visceral aos olhos humanos para se tornar uma visão romantizada, hollywoodiana. 

Voltando ao papo com um amigo descrente da realidade social, das injustiças raciais , pontuei o seguinte: quando a política de cotas atingiu as comunidades negras, tivemos uma mudança de quadro. 

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De 13% para 38% mudaram seus patamares de vida. O “apartheid” de estrutura social, econômica perdia força e fazia com negros e brancos vivessem uma realidade supostamente menos discrepantes. 

A cegueira do racismo estrutural ainda é muito explícita na sociedade. As pessoas vivem as desigualdades mas não sabem reconhecer o porquê e como elas acontecem. 

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Em média, em especial, grandes metrópoles em que a miscigenação e estruturas raciais são mais latentes , os cargos e funções com menores salários tem como boa parte: homens e mulheres negras que se sucumbiram sobre a exclusão do estado, que apenas se reconheceram como cidadãos com as políticas públicas inclusivas em governos progressistas, por aqui e curiosamente, alguns países da Europa que passaram por forte influência imigratória africana. 

A lógica capitalista , burguesa, escravocrata, neocolonial: quanto menos direitos e chances de emergir, mais se uma fomenta uma escravidão nua e crua, mas camuflada e miope aos olhos do povo. Enquanto pautas identitárias são minimizadas por uma complacência sistêmica que usa de uma pseudodemocracia “meritocrática” que existe um uma linha tênue entre esforço e preguiça.

Não há prosperidade, sem justiça social. Essa é a dívida que as elites e o próprio país têm com os negros: devolver de forma digna e justa tudo que lhe foi tirado. 

Como uma imagem fala mais que mil palavras, repetindo a fala do nosso “Bituca”, parodiando o clássico “Para Lennon e McCartney”: “Eu sou da América do Sul, eu sou negro, eu sou do ouro, eu sou você…”

O próximo desafio é curar as vistas da segregação a enxergar um horizonte de sol, luz, beleza sobre as justiças sociais e mudanças na qualidade de vida de milhares de irmãos negros.

Este artigo não representa a opinião do Brasil 247 e é de responsabilidade do colunista.

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